Quantas disciplinas preciso fazer na pós-graduação?

Não é à toa que muitos alunos me fazem esta pergunta. Afinal de contas, é importante planejar bem o seu tempo na pós-graduação. O doutorado passa mais rápido do que parece e o mestrado, então, nem se fala! Neste artigo curto abordo as principais coisas que um pós-graduando deve considerar, na hora de decidir em quantas disciplinas se matricular.

Vamos começar respondendo logo a pergunta do título:

Faça apenas o número mínimo de disciplinas exigidas pelo seu curso de graduação, mestrado ou doutorado.

“Mas, Marco, só isso?!”

Sim, meu caro aspira. É muito mais importante estudar por conta própria do que esperar passivamente por informações passadas em sala de aula, se você quiser se tornar um cientista profissional. Selecione com cuidado as disciplinas que vai cursar, considerando os créditos exigidos pelo seu curso e a reputação dos professores responsáveis.

Bom, vamos explicar essa sugestão por partes.

O primeiro passo é verificar se o seu curso tem disciplinas obrigatórias ou não. Se tiver, tente fazer as obrigatórias todas de uma vez, em um ou dois semestres, se possível, para já cumprir os créditos necessários. Depois pense se vai se matricular em alguma disciplina optativa ou não.

Caso o seu curso não tenha disciplinas obrigatórias, mas tenha um número mínimo de créditos a serem cumpridos, tente também eliminá-los o quanto antes. Tome muito cuidado com o tempo total disponível para concluir o curso: dois anos no mestrado, quatro no doutorado, fora alguns meses de prorrogação. O tempo passa, o tempo vôa, e a tese precisa ser defendida dentro do prazo.

Deixe para iniciar o seu projeto de pesquisa apenas depois de cursar as disciplinas escolhidas. Aproveite-as para expandir seus conhecimentos e refinar o seu projeto, aumentando as chances de chegar a descobertas interessantes. Essa é a principal função das disciplinas em uma pós-graduação: treinar o aluno nas habilidades básicas necessárias à carreira de cientista e aprofundar os seus conhecimentos dentro da especialidade escolhida.

Contudo, como você já deve ter percebido na graduação, há disciplinas boas e ruins, e isso vale também para a pós-graduação. O que define o quão interessante ou útil é uma disciplina não é o tema em si, mas a qualidade do professor. Bons professores tornam interessantes até mesmo os assuntos menos populares. Maus professores conseguem fazer um assunto altamente empolgante se tornar insuportável.

Portanto, além de refletir sobre os temas das disciplinas que vai cursar, investigue também os professores responsáveis por cada uma delas. Pergunte a ex-alunos sobre suas experiências com cada um. Não adianta perder tempo com uma disciplina notoriamente mal ministrada. Se o assunto for muito importante para você, tente estudá-lo por conta própria depois. De qualquer forma, na pós-graduação, a maior parte do trabalho cabe ao aluno, pois uma das principais habilidades que se almeja desenvolver em um jovem cientista é a autonomia.

As disciplinas servem para apresentar os fundamentos de temas complexos, organizar as idéias e apontar direções para o aluno estudar sozinho e se aprofundar depois. Aproveite os bons professores que encontrar pelo seu caminho e converse com eles sempre que puder. Pergunte-lhes sobre as novidades na área, as principais correntes de pensamento e a literatura central que deve ser lida. Discuta com eles também a sua tese, pedindo conselhos sobre como melhorá-la.

Portanto, na hora de decidir quantas disciplinas fazer, considere o balanço entre o quanto o tema é importante para você e quão bem ministrada a disciplina é. Se houver disciplinas importantes para você sendo oferecidas em outras universidades, mesmo que seja em outra cidade ou país, tente cursá-las e depois validar os créditos na sua pós-graduação.

Nenhum curso, por mais bem conceituado que seja, concentra todas as melhores disciplinas e professores do mundo ou aborda todos os temas importantes em uma área. Se você estiver cursando uma pós-graduação em Ecologia, recomendo fortemente fazer algum dos excelentes cursos de campo que há no Brasil, como o Ecologia da Floresta Amazônica (INPA/UFMG), que oferecem tanto uma base forte no método hipotético-dedutivo, quanto conhecimentos sobre vários táxons e ambientes amazônicos.

Além disso, não seja bitolado. Mantenha o foco no caminho que deseja seguir, mas não curse apenas disciplinas estritamente ligadas à sua tese. Amplie seus horizontes, pois todo cientista precisa ter uma boa cultura geral e a pós-graduação é um ótimo momento para cultivar isso. Por exemplo, você pode aproveitar algum período menos atolado durante os anos do seu doutorado em Ecologia para finalmente fazer aquela disciplina condensada de Filosofia, Estatística ou Matemática que sempre quis, mas havia adiado até agora. Aproveite também para fazer cursos de inglês e redação científica.

Para finalizar, reforço este conselho: estude muito por conta própria e curse apenas as melhores disciplinas. Disciplinas bem ministradas te ajudam a dar os primeiros passos em cada área, mas se aprofundar e atingir a excelência depende apenas de você.

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5 respostas para “Quantas disciplinas preciso fazer na pós-graduação?”

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