A Jornada do Cientista

O que a carreira acadêmica tem em comum com a jornada do Frodo Baggins do Condado a Mordor e de volta?

Os leitores mais assíduos do blog devem ter reparado que, cada vez mais, tenho usado a metáfora da “Jornada do Herói” para explicar algumas questões relacionadas à formação de cientistas. Será que estou ficando louco? Sim, com certeza, mas esse não é o ponto.

Prólogo: “There and back again”

O ponto é que a Jornada do Herói, como elaborada por Joseph Campbell em seu livro “The Hero with a Thousand Faces” (1949), aplica-se a diversas situações da vida humana que envolvem formação ou transformação. No caso da formação de um cientista, essa teoria se aplica quase perfeitamente, bastando apenas adaptar alguns pontos. O mais importante é que os anos passados no mestrado, doutorado e pós-doutorado transformam profundamente a pessoa: o Frodo que parte não é o Frodo que retorna.

Bom, antes de traçar esse paralelo, deixe-me resumir a versão original. A teoria do “monomito” do Campbell, como também é conhecida a Jornada do Herói, tem como postulado central a estrutura comum observada em várias histórias de heróis e mitos sobre messias, que a gente vê em livros de fantasia, filmes de aventura, contos de fada ou narrativas religiosas. Essa similaridade reflete o fato de todas essas jornadas nascerem da psicologia humana. Por isso, elas são construídas a partir da nossa forma de ver o mundo e do nosso costume de representar desejos e temores através de símbolos. A jornada do Frodo tem tudo a ver com a jornada do Gautama Buda, que por sua vez tem pontos em comum com a história da Mulher Maravilha, se assemelha à paixão de Cristo, lembra também os trabalhos de Hércules e remete à história de Iemanjá.

A Jornada do Herói, na concepção do Campbell, é composta por 3 atos e 17 etapas. Esses três atos compreendem Partida, Iniciação e Retorno (veja aqui um belo vídeo de síntese). Na Partida, grosso modo, o herói recebe um chamado para a aventura, recusa esse chamado, sofre uma perda e é obrigado a atender o chamado, recebe a ajuda de um mentor e sai de sua zona de conforto. Na Iniciação, é hora de enfrentar tentações e desafios, passar por um grande prova, reconciliar-se com sua própria natureza e receber uma grande recompensa. No Retorno, surge o dilema entre ficar no mundo desconhecido ou voltar ao mundo conhecido, depois o herói passa por uma espécie de ressurreição ou profunda transformação, acaba fazendo uma jornada de volta, torna-se mestre dos dois mundos e decide redimir seu mundo ou voltar em definitivo para o novo mundo a fim de viver uma nova vida.

Recomendo fortemente que você leia o livro do Campbell para se aprofundar no tema, assim como outros livros que propuseram modificações à teoria original.

“Ok, Marco, mas como essa jornada se aplica a mim, um aspira da ciência?”

Vamos modificar as etapas do Campbell para criar uma versão nerd com 3 atos e 6 etapas: a Jornada do Cientista!

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Ato 1: Formação

Etapa 1: Ensino básico ➡︎ A formação de um cientista não começa na universidade, mas sim lá no ensino fundamental e depois no ensino médio. Na verdade, se a pessoa der a sorte de nascer em uma família acadêmica ou que simplesmente ama o conhecimento, o primeiro contato com a ciência pode se dar antes, ainda na primeira infância. Às vezes, esse contato inicial com a ciência pode se dar através de excelentes documentários ou revistas de divulgação científica. Eu mesmo me tornei cientista, em grande parte, por influência das revistas Ciência Hoje e Superinteressante, que leio desde pequeno. De qualquer forma, é na educação básica que um aspira aprende os fundamentos da ciência mais a sério. Ou, pelo menos, deveria ser assim, caso o nosso sistema educacional fosse decente. Sorte de quem pode frequentar uma das poucas escolas realmente boas que há no Brasil, onde se ensina que a ciência é feita muito mais de perguntas do que de respostas. Sortudo também é aquele que tem aulas de ciência na escola com algum professor muito inspirador, que não fica preso à paranoia do Enem e oferece uma formação com horizontes mais amplos.

1ª Prova ➡︎ O antigo vestibular e o atual Enem representam a primeira grande prova pela qual um aspira deve passar. Usando a metáfora do herói, este seria o primeiro desafio na jornada, ainda vivendo no mundo conhecido.

Etapa 2: Graduação ➡︎ Na graduação o aspira foca pela primeira vez em uma determinada área do conhecimento humano. A maioria das pessoas que consegue um diploma de nível superior, no fundo, não deixou sua zona de conforto e o mundo conhecido, pois sai da universidade direto para um emprego convencional. Não há nada de errado nisso, muito pelo contrário, pois fazer ciência é um caminho muito específico, destinado apenas a quem tem um perfil psicológico adequado e se esforça. Um país desenvolvido precisa de um número muito maior de técnicos, licenciados e bacharéis bem formados e bem remunerados do que de cientistas profissionais. No caso das pessoas que escolhem um curso científico (Biologia, Química, Física etc.), do meio para o final da graduação lhes é apresentada uma outra possibilidade: fazer iniciação científica, culminando com um TCC ou monografia. Essa é uma oportunidade de ouro, pois a experiência adquirida com um bom orientador em um bom laboratório pode apresentar ao aspira como a vida acadêmica é de fato, a nível profissional. Vendo então a realidade, é possível decidir se esse é mesmo o caminho que a pessoa quer trilhar. Ao final da graduação e da IC, vem a grande decisão: ao invés de procurar um emprego, partir para um mundo desconhecido e se aventurar na ciência profissional.

Chamado para a aventura ➡︎ Aqui acontece o chamado para a aventura na maioria dos casos. É a hora de decidir fazer ou não a seleção de um programa de mestrado. Trata-se de um funil muito mais apertado do que o do Enem. Muitos desistem antes mesmo de tentar, recusando o chamado. Geralmente uma figura de mentor, que pode ser um professor atencioso ou um colega mais experiente, dá o empurrão que falta para o aspira tomar coragem e se aventurar. Os mais sortudos conseguem um mentor de verdade desde cedo, ou seja, um cientista que os acompanha por toda a jornada, dando conselhos e broncas quando necessário. Infelizmente, mentores não vivem para sempre e às vezes acabamos nos vendo sozinhos antes do esperado.

1ª pausa sugerida: recomendo sempre fazer uma pausa de alguns meses entre uma etapa e outra para respirar, refletir, conhecer outras culturas humanas além da Academia e ponderar se a Jornada do Cientista é de fato o caminho certo para você. Se, ao final da pausa, a saudade da Academia for insuportável, prossiga para a próxima etapa. Se a pausa trouxer uma sensação de alívio, repense suas escolhas profissionais, pois a jornada não é para você.

2ª Prova ➡︎ Quem aceita o chamado para a aventura tem que encarar uma seleção de mestrado em algum programa de pós-graduação acadêmica (PPG). Não é fácil. Para ter alguma chance de ser aprovado, o aspira precisa ler uma pilha de livros e artigos. Além disso, não pode ter deixado o dever de casa acumulado. Ou seja, precisa ter participado de atividades acadêmicas extra-curriculares durante a graduação, indo muito além do feijão-com-arroz da grade básica. Por exemplo, deve ter participado de congressos, cursos especiais, cursos de férias, estágios voluntários ou remunerados, cursos de idiomas, palestras, simpósios, workshops etc. Se possível, é bom que o aspira já tenha apresentado alguns pôsteres em eventos científicos. Se o aspira for um outlier, pode ser que tenha até entrado como coautor de um ou dois artigos científicos.

Ato 2: Transformação

Etapa 3: Mestrado ➡︎ Aqui o aspira já conseguiu entrar na pós-graduação e toma contato com um mundo novo, desconhecido e, às vezes, muito estranho. Mesmo para quem fez iniciação científica, é no mestrado que a gente entende de fato que a Academia é uma cultura humana bem peculiar, alienígena quase, com costumes e ritos muito diferentes daqueles da sociedade normal. Geralmente é no mestrado que a maioria dos aspiras conduz pela primeira vez um projeto de pesquisa científica próprio, pois na iniciação científica é mais comum o graduando apenas ajudar em projetos de pós-graduandos. Trata-se de um grande desafio, pois os dois anos de prazo passam mais rápido que se pensa. Muitos mestrandos acabam recebendo a ideia do projeto do orientador, mas cabe a eles se apoderar da ideia e desenvolvê-la o máximo possível. O mestrando precisa imprimir sua marca pessoal ao projeto.

3ª Prova ➡︎ A defesa da dissertação de mestrado é um desafio muito mais difícil do que a prova de ingresso no PPG em questão, pois ao invés de apenas demonstrar que estudou um tema e domina o conhecimento acumulado sobre ele, o candidato à faixa marrom (a.k.a., título de mestre) precisa provar que foi capaz de gerar conhecimento científico original, novo. Passando por esse desafio, vem a decisão de continuar ou não a formação acadêmica. Muitos tentam seguir direto para um doutorado, mas eu, pessoalmente, recomendo fortemente fazer uma pausa, nem que seja por alguns meses. O doutorado é um compromisso muito sério, difícil e longo, que não deve ser assumido sem plena consciência do tamanho da encrenca. Eu mesmo fiz uma pausa nessa etapa e trabalhei fora da Academia por alguns meses, só para respirar um pouco e ver se sentiria saudades dela.

2ª pausa sugerida: recomendo sempre fazer uma pausa de alguns meses entre uma etapa e outra para respirar, refletir, conhecer outras culturas humanas além da Academia e ponderar se a Jornada do Cientista é de fato o caminho certo para você. Se, ao final da pausa, a saudade da Academia for insuportável, prossiga para a próxima etapa. Se a pausa trouxer uma sensação de alívio, repense suas escolhas profissionais, pois a jornada não é para você.

Etapa 4: Doutorado ➡︎ Esta é a etapa mais importante na formação de um jovem cientista. Um doutorando não deve receber a ideia do projeto do orientador. Ele precisa pensar no projeto do zero, elaborando uma pergunta interessante, original e relevante a ser respondida e, ao longo de quatro anos, achar uma resposta convincente para essa pergunta. É praticamente como ter que vencer um dos 12 trabalhos de Hércules. A ajuda de um bom orientador é fundamental, mas como um guia, não uma babá.

Desafios & tentações ➡︎ Ao longo dos quatro anos de doutorado, muitos desafios e tentações surgem. Já comentei sobre eles em outro texto. Em resumo, a vaidade é a principal fraqueza da maioria dos cientistas e pode envenenar até mesmo os bons aspiras, matando prematuramente uma carreira que poderia ter vindo a ser brilhante. Um doutorando passa a receber muita atenção não apenas de aspiras em fases anteriores da carreira, mas também de pessoas de fora da Academia. Principalmente em um país com um nível educacional tão baixo quanto o Brasil, que é tão carente de exemplos para pessoas que gostariam de ter a chance de estudar mais. Muitos doutorandos acabam tendo o ego inflado, acham que estão prontos antes da hora, param de se esforçar e se tornam cientistas natimortos. Outro tipo bem comum de tentação entre doutorandos é a procrastinação, por isso, gerenciar bem o próprio tempo é fundamental.

4ª Prova ➡︎ A defesa de um doutorado é um dos momentos mais solenes na Academia. Trata-se de um ritual de avaliação não apenas da tese em si, mas do aluno como cientista. É equivalente ao exame para conseguir a faixa preta em uma arte marcial oriental. Quem vence esse desafio ganha o direito de ser considerado um cientista independente, que pode fazer pesquisa sem a supervisão de um orientador. Não é o final da estrada, mas apenas o começo dela. Voltando à analogia com as artes marciais, passando pela defesa de doutorado você ganha apenas a faixa preta, mas não tem ainda nem o primeiro dan. Se você mantiver a shoshin (mente de iniciante), pode continuar se desenvolvendo, conquistando dans e, um dia, pode vir a se tornar um verdadeiro grão-mestre acadêmico, faixa vermelha-e-branca.

Grande crise ➡︎ Como eu acabei de dizer, o doutorado é uma etapa muito importante, mas não é o fim da jornada do cientista. Muitos acham que um doutorado garante um emprego acadêmico automaticamente, mas a realidade não é mais assim há vários anos. Se poucas pessoas chegam até o doutorado, menos ainda conseguem se estabelecer na Academia depois de obterem a faixa preta. Agora começa a briga entre os adultos. A falta de perspectivas concretas de emprego e a constatação de que a maioria dos colegas passa cerca de 5 a 10 anos depois do doutorado pulando de bolsa em bolsa leva muitos aspiras ao desespero. Isso é especialmente cruel para quem já constituiu família, passou dos 30 e nunca teve a carteira de trabalho assinada. Na verdade, entre brasileiros essa crise pode ser ainda pior, porque é mais fácil ir passando por debaixo do radar no nosso sistema permissivo, só para descobrir ao final que a ciência não é para você e suas chances de se estabelecer são mínimas.

Quem vence os desafios da Transformação e sobrevive à essa crise final nunca sai a mesma pessoa que entrou.

3ª pausa sugerida: oops, só que não. Neste ponto, fazer uma pausa é suicídio acadêmico. Você precisa ter feito a reflexão antes.

Ato 3: Estabelecimento

Etapa 5: Pós-doutorado ➡︎ Nos países desenvolvidos, centros da ciência mundial, é esperado passar em média 10 anos depois do doutorado na longa fase de postdoc. O aspira que já tem a faixa preta pode passar parte desse tempo como bolsista ou contratado, dependendo do tipo de projeto que conseguir ter aprovado. No Brasil o tempo como postdoc também tem crescido. Desde o estouro da nossa bolha acadêmica em 2014, esse tempo médio provavelmente vai aumentar cada vez mais, pois formamos doutores demais e geramos oportunidades de menos. Portanto, aspira, se você quiser realmente se estabelecer na carreira acadêmica, prepare-se para uma longa jornada de volta, depois de matar o dragão no mundo desconhecido. Aqui nesta etapa vale lembrar que, devido ao sarrafo muito baixo na maioria dos PPGs brasileiros, já comentado anteriormente, várias pessoas pouco qualificadas saem aprovadas. Esses recém-doutores iludidos sobrevivem à defesa, mas despreparados e com currículos muito fracos. Portanto, não têm chance alguma de concorrem com colegas que estão vivendo o próprio ikigai e já despontaram na frente ainda durante o doutorado. Alguns desses quasi-doutores acabam caindo no “terrível vórtice do postdoc secretário de luxo eterno”, servindo como capatazes de algum professor por muitos e muitos anos, no começo com bolsa, mas depois com recursos de fontes cinza. Eles nunca passam em entrevistas ou concursos, vão apenas adiando uma conclusão inescapável.

5ª Prova ➡︎ Esta última prova pela qual um aspira passa são as entrevistas de empregos privados e os concursos públicos em geral. Na verdade, para a maioria não se trata apenas de uma prova, mas de uma série de provas ao longo de alguns anos. Muitos precisam concorrer a uma meia dúzia de vagas, antes de conseguirem ocupar um nicho. Àqueles que desejam concorrer a cargos de professor ou pesquisador em instituições públicas, aviso: preparem-se para passar por uma gincana insana, na qual nem o vencedor se diverte. Prestar um concurso é como se voluntariar para uma vivisseção. A triste verdade é que, quanto mais você se aprofunda na Jornada do Cientista, mais baixa fica a sua empregabilidade geral: você fica com um currículo tão especializado na Academia, que ninguém fora dela quer te empregar, seja porque você se tornou caro demais ou porque você se tornou bitolado demais. Felizmente, em outros países, o quadro é diferente e doutores cada vez mais conseguem emprego fora da Academia, usando na sociedade as habilidades, bençãos e itens mágicos que adquiriram na jornada. Quem sabe um dia a indústria, os serviços e o terceiro setor não aprendem a valorizar cientistas no Brasil?

Morte & ressureição ➡︎ O desafio da luta por um emprego estável é massacrante para todos e pode ser mortal para muitos. Alguns morrem psicologicamente e acabam abandonando a carreira de cientista. Outros conseguem ressuscitar, reinventar-se a cada derrota e, finalmente, vencer o desafio e se estabelecer. Quem encontrou um mentor ao longo da jornada e ainda conta com ele vivo geralmente pode receber uma “ajuda sobrenatural” que faz toda diferença nessa fase crítica. Pode ser um conselho certo na hora certa, por exemplo, para mudar ligeiramente o foco.

Etapa 6: Cargo estável ➡︎ Considerando a multidão que começa a jornada lá na graduação, pouquíssimos conseguem terminá-la e conquistar o tão sonhado emprego estável como professor universitário ou pesquisador de um instituto ou indústria, seja no setor público ou privado. A maioria dos que se perdem pelo caminho, na verdade, nem deveria ter começado a trilhá-lo. Falta coragem a muitos colegas seniores para alertar os aspiras sobre quão dura e restrita é essa jornada.

Epílogo: “How do you pick up the threads of an old life?”

O que acontece com o herói ou cientista depois de concluir sua jornada?

Segundo o Campbell, há duas possibilidades: (i) retornar ao mundo conhecido e guiar a sociedade original com as bênçãos obtidas e segredos descobertos; ou (ii) fazer esse regresso rapidamente e depois voltar ao mundo desconhecido para nele ficar em definitivo, porque a transformação sofrida foi profunda demais.

No caso da Jornada do Cientista, essas duas alternativas seriam: (i) usar a formação adquirida na Academia fora dela, a fim de ajudar a fazer a ponte entre o conhecimento científico e os problemas práticos da sociedade; ou (ii) virar um acadêmico profissional e tornar a busca pelo conhecimento sua missão de vida.

Nenhuma dessas duas escolhas é pior ou melhor, menor ou maior, do que a outra. O Condado precisa tanto do Sam, que se casou com a Rosy e constituiu família, voltando muito mais experiente do que antes da jornada, quanto do Frodo, que foi morar em Valinor com os elfos.

Cabe a você, aspira, descobrir qual é o seu ikigai.

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9 opiniões sobre “A Jornada do Cientista

  1. Marco, parabéns pela excelente sacada. Assim como as melhores teorias é daquelas que olhando em retrospecto se pensa “como não pensei nisso antes?”.
    Também sou bem fã do trabalho do Campbell e achei muito legal a tua proposta.
    Abraço!

  2. Pingback: O blog vai virar livro! | Sobrevivendo na Ciência

  3. Excelente texto, Marco, como sempre! Espero que os futuros cientistas dêem importância às pausas (necessárias) e possam aproveitar a jornada. Vou repassar aos meus alunos!
    Abraço!

    • Obrigado, Tati! Reflexão é sempre fundamental, as pessoas não deveriam assumir compromissos sérios no embalo, sem pensar.

  4. Essas pausas fazem muito sentido… MAS o que eu vejo geralmente é o pessoal entrando direto no mestrado e/ou doutorado por falta de opção do que fazer, ou seja, maneiras de ganhar dinheiro e se sustentar durante essas pausas. Foi o meu caso, queria ter acabado a graduação e feito alguma outra coisa antes de tentar o mestrado, mas por não pensar em nada que eu pudesse fazer nesse meio tempo resolvi prestar a prova, passei e agora estou cursando, está muito legal e interessante, já que o ambiente é totalmente diferente. Mas, acredito a pausa teria sido interessante.

    • Sim, muita gente vai no embalo. O problema é que o mestrado e o doutorado são massacrantes para quem não tem vocação acadêmica. Cada vez mais vejo gente entrando no mestrado sem pensar ou apenas para ter uma fonte de renda, mas depois as consequências podem ser graves. Dentre outros problemas, a entrada não-consciente na pós-graduação é um dos fatores que têm levado a um aumento enorme nos casos de depressão e outros problemas de saúde entre alunos.

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