Textos ou vídeos?

Oi pessoal, queria matar uma curiosidade com vocês sobre formas de divulgação científica.

Desde que comecei na ciência, sempre curti compartilhar conhecimento técnico com os leigos. É claro que a comunicação com os pares é a prioridade de quem trabalha com pesquisa, porque é fundamental divulgar descobertas primeiro entre especialistas, para que eles possam escrutinar novas ideias. Contudo, a comunicação com gente de fora da Academia também é vital, servindo principalmente para divulgar conhecimento já estabelecido e contar algumas novidades com responsabilidade.

O ponto é que parece que as pessoas não curtem mais a leitura, mas preferem assistir vídeos. Essa tendência ficou mais forte a partir da geração Z, consolidou-se na geração millenial e agora ficou fortíssima na geração iGen. Nota-se os efeitos dessa mudança cultural no declínio da atenção recebida por revistas como Ciência Hoje (da qual sou fã desde criança!) e da grande expansão de meios como o YouTube. E não adianta lutar contra a mudança: a mais forte lei da natureza é que tudo é impermanente, inclusive a cultura.

Hoje, por exemplo, há cientistas que conversam com o público no YouTube com grande sucesso. Para mim, os três melhores exemplos são os canais Nerdologia, Pirulla e Ponto em Comum. São três estilos de canal muito diferentes entre si, mas todos bem sucedidos. O Nerdologia, por exemplo, tornou-se tão grande quanto alguns canais não-científicos.

Eu mesmo tenho um canal no YouTube, que é minúsculo, mas mesmo assim recebe uma migalha de atenção. Estou pensando em investir mais nesse canal para três finalidades: (i) explicar os temas principais que pesquisamos no Laboratório de Síntese Ecológica, (ii) divulgar as descobertas feitas pela nossa equipe e (iii) postar aulas de graduação para fortalecer uma estratégia de aprendizado ativo com base em classe invertida.

O que você acha disso? Para me ajudar, poderia, por favor, responder a enquete abaixo? Escolha qual mídia você acha mais eficiente para divulgação científica hoje em dia. Haveria outras opções eficientes para divulgação remota em massa além de vídeos e texto? Se puder me explicar o porquê nos comentários, agradeço muito.

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Fonte da imagem.

 

 

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9 respostas para “Textos ou vídeos?”

  1. Oi pessoal, pelo resultado da enquete e pelos comentários feitos aqui, vejo que as opiniões estão bem divididas. Obrigado pelo feedback, ganhei bastante material para pensar sobre o assunto.

  2. Prezado Marco,
    Venho acompanhando seu blog, às vezes de forma esporádica, às vezes de forma mais assídua. Meus parabéns pelo trabalho que faz. Normalmente, sou um dos seus seguidores silenciosos, não deixando comentários. Mas hoje achei que seria oportuno, inlcusive para explicar meu voto “em cima do muro” (Tanto faz vídeos ou textos).
    Imagino que há um enorme esforço para manter um blog com tanta regularidade de postagens; e só consigo, igualmente, imaginar o esforço que seria produzir vídeos para o Youtube.
    Dito isso, eu vejo que há diferentes nichos complementares no mundo da divulgação.
    Os vídeos são muito bons quando apresentam a prática de um conteúdo teórico, por exemplo o canal Smarter Every Day. São interessantes por prenderem a atenção do público e expandirem a divulgação de um conteúdo, usando o efeito wow de imagens e efeitos. No entanto, expõem um problema: são mais superficiais no conteúdo, por um lado, mas, por outro, são capazes de alcançar um enorme público devido à complexa e atrativa produção e reduzido tempo de vídeo.
    Outros vídeos são menos atrativos visualmente, mas tentam aprofundar no conteúdo, tornando-se aulas. Esses, eu vejo terem uma expansão limitada, já que o tempo será longo e menos atrativo visualmente (a não ser que se invista na produção visual).
    Textos, na minha opinão, tem um outro papel da divulgação científica. Apresentam uma forma mais robusta de fixar um raciocínio e, ao mesmo tempo, dá chance para o leitor refletir e buscar referências próprias para relacionar com o conteúdo do texto.
    Assim, eu acredito que o sucesso da divulgação está no tempo que o divulgador tem para investir qualitativamente no seu “produto”. Eu ficaria satisfeitíssimo em assistir vídeos seus com a mesma qualidade reflexiva que seus textos têm. Mas, para mim, seus textos são complementares a tudo que há no Youtube em divulgação, de forma que seria uma pena um ‘shift’ completo para esse novo meio aparentemente mais atrativo.
    Abraço,
    Lorian.

    1. Oi Lorian, obrigado pelos comentários! Sim, fazer vídeos bem-produzidos dá um trabalho enorme. Além disso, tenho muito mais experiência em produzir textos do que vídeos. Esse é um dos principais motivos de eu não ter muitos vídeos postados no meu canal do YouTube. Para fazer vídeos interessantes, ainda tenho que aprender muito. Um abraço!

  3. Chique Marco! Bom saber que você vai investir mais em divulgação científica.
    Acredito que os vídeos tenham mais força para passar “a mensagem”, mas também acho que essa não é a regra. O mais importante é você descobrir o seu público e ver como eles preferem receber seus conteúdos. A enquete é uma boa saída. Mas sempre vai ter pessoas que preferem ler e outras que preferem ver um vídeo ou escutar um podcast.
    Mas, independente da forma que a mensagem é passada, o que acredito ser mais importante, dependendo do seu público alvo, é como transmitir o recado, explico: é muito importante saber se você quer conversar com graduandos, crianças, adultos, pessoas que nunca fizeram graduação, ou seja, você definir pra quem quer falar, entende?
    Precisando de um apoio pode contar conosco!
    Abraços,
    Felipe

    1. Obrigado, Felipe! Sim, definir bem o público-alvo é a chave da comunicação bem-sucedida. No meu caso, o público do blog é formado principalmente por estudantes de graduação. Um abraço!

  4. Sou estudante de graduação, 24 anos. Gosto mais de texto porque consigo filtrar o conteúdo e ir no próprio ritmo. Pra mim é mais fácil e rápido pois não costumo ter muito tempo disponível para vídeos. No entanto, eu imagino também que o formato de vídeo seja mais acessível para a maioria, contando que eles sejam curtos (entre 5 e 15 minutos cada). Existe também os podcasts, formato exclusivamente em áudio que eu vejo que ganhou popularidade faz um tempo já, e continua crescendo. A vantagem desse último é que as pessoas podem colocar o audio para tocar enquanto vão fazendo outras coisas.

    Por bem ou por mal eu acho que o consumo de informações hoje acabou ficando reduzido em pequenas partes porque é difícil arranjar tempo para ler e estudar, para além do que já nos é exigido. Então quando mais sintético, objetivo, claro, melhor.

    Eu acho também que existe um aspecto do youtube que talvez seja importante de ser considerado: As pessoas que assistem youtube procuram algo de entretenimento nos vídeos, como humor; até mesmo os vídeos de divulgação científica acabam exigindo um pouco disso e os canais que não inserem esse elemento costumam ter menos visualizações e ficam reduzidos a públicos muito específicos.

    Dá pra fazer uma mistura dos dois também, por exemplo, você grava um vídeo no youtube e publica um texto aqui no blog mais reduzido com o vídeo linkado, resumindo em tópicos os assuntos tratados, compartilhando referências, notas entre outra coisas que não couberam no vídeo.

  5. Oi, Marco! Tudo bem? Chefe, eu tenho uma ideia, não sei se é muito boa. Eu acho que funcionaria bem para mim. Eu acho que vídeos curtos, de no máximo 2 minutos, são instigantes e atiçam a curiosidade. Daí, ao final do vídeo, você pode deixar algo como “para saber mais” ou “para aprofundar” e indicar leituras, seja de um texto no blog ou outros. O que acha? Grande abraço! Saudades!!!

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