Cinco dicas para sobreviver à prova escrita de um concurso

Concursos para professor universitário são como torneios de chess boxing. Logo, para vencer você precisa de habilidade, resistência e estratégia. Veja algumas dicas para não ser nocauteado e voltar para casa mais cedo.

“Not everyone who takes extra paper during exams write extra sense” ― Ernest Agyemang Yeboah

chess boxing
Flagrante de uma prova escrita de concurso. Fonte da imagem.

Como contei em outro texto, prestei alguns concursos antes de me estabelecer e participei direta ou indiretamente de dezenas de outros, em diferentes papéis. Tenho algo a confessar: sempre odiei as provas escritas. #prontofalei

Você tem que ficar horas escrevendo uma redação à mão (!!!), em uma carteira escolar mais desconfortável do que um toco de madeira. E tem que escrever o melhor texto da sua vida, mesmo sem poder fazer revisões profundas e sem saber direito o que esperam de você. A banca também sofre, tendo que ler centenas de páginas, muitas delas escritas com garranchos. Ninguém se diverte.

Vale ressaltar que as provas escritas envolvem grande pressão psicológica, porque notas abaixo da linha de corte te tiram imediatamente do páreo. Imagine ficar meses se preparando, gastar uma grana violenta com passagens, hotel e alimentação, comparecer a um concurso e ser eliminado logo no primeiro round?

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Membro da banca avaliando uma prova escrita de concurso. Fonte da imagem.

Bom, em um concurso, você precisa pelo menos ser aprovado na prova escrita. É óbvio que você deve almejar tirar a melhor nota possível, porque essa nota depois entrará no cômputo da média final. De qualquer forma, se você passar, mas não tirar a nota mais alta dentre os concorrentes, ainda pode compensar depois nas outras provas e virar o jogo.

O pior é que provas escritas não fazem o menor sentido em concursos desse nível. Elas não medem o potencial de um cientista para crescer na carreira de professor universitário, trabalhando nos cinco pilares habituais. Quando conto para colegas estrangeiros que usamos esse tipo de avaliação para renovar a nossa academia, eles acham que estou de sacanagem…

Infelizmente, apesar de serem anacrônicas, as provas escritas ainda são bem comuns. Isso porque, na maioria das universidades, o regimento determina que elas são o único tipo de avaliação que pode filtrar um pouco os candidatos. Imagine um concurso com 80 candidatos sem fase eliminatória? A banca acabaria tendo que trabalhar por semanas a fio, noite e dia, dissecando 80 memoriais, avaliando 80 aulas e assistindo 80 seminários. Sim, já vi isso acontecer na vida real.

O bom é que as coisas estão mudando, mesmo que devagar. A primeira vitória foi os concursos em geral terem se tornado mais honestos nos últimos anos. Mas ainda precisamos que eles façam mais sentido. Temos que trabalhar para mudar o formato e adotar o sistema de short list à distância. Assim, a grande maioria dos candidatos já seria eliminada com base no match (💕) entre o currículo e o perfil da vaga. Nem eles, nem a banca, nem a instituição desperdiçariam tempo e dinheiro.

Voltando ao ponto, pelo menos por enquanto você tem que estar preparado para sobreviver à prova escrita e seguir em frente para as próximas lutas do torneio. Vire um monstrão acadêmico e saia da jaula!

Vou começar listando dez fatos sobre provas escritas:

  1. Elas são eliminatórias. Ou seja, se você mandar mal, é game over;
  2. Elas, muitas vezes, acabam eliminando bons candidatos, especialmente estrangeiros;
  3. Elas são a parte mais subjetiva do processo seletivo;
  4. Elas têm um formato que varia pouco. Via de regra, você terá que escrever uma dissertação sobre o ponto sorteado. Em alguns concursos, mais de um ponto é sorteado, aí você terá que escrever duas ou mais mini-dissertações ou uma única dissertação, integrando os pontos. Raramente elas têm formato de pergunta-e-resposta;
  5. Elas são feitas à mão. Isso exige uma estratégia de escrita muito diferente da que usamos nos dias de hoje;
  6. Elas são compostas de duas fases: consulta (±1 hora) e redação (±4 horas);
  7. Elas também envolvem uma leitura pública da prova, em algumas universidades. Não estranhe se aquela redação que demorou 4 horas para ser escrita demorar 20 minutos para ser lida; é assim mesmo;
  8. Elas revelam vários perfis de candidatos. Alguns escrevem páginas e mais páginas. Escrever mais não significa escrever melhor;
  9. Elas duram muito tempo. Dá até para fazer lanchinhos e ir ao banheiro.
  10. Elas têm o ponto sorteado ali, na hora. Você não terá aquelas famosas 24 horas no corredor da morte, como na prova didática.

Bom, considerando isso tudo, dou aqui cinco dicas gerais que valem para a grande maioria das situações.

(1) Faça uma boa preparação física e psicológica

Recomendo exercícios para punho e postura. Sentir dores só vai minar o seu rendimento intelectual.

A gente não escreve mais à mão hoje em dia. Logo, muitos candidatos ficam exaustos do meio para o final da prova, às vezes com tendinite, o que torna bem difícil se concentrar. Meses antes do concurso, peça um reforço nos exercícios na sua academia. Explique a situação para a sua treinadora e ela vai adaptar a sua ficha.

Além de se preparar, no dia procure levar um lanche leve e saudável, como frutas, pão e nozes, para comer durante a prova. Não se esqueça de levar água ou suco natural. Vale também whey e batata baroa (💪🏼).

Para preparar a sua mente, faça “simulados” em casa. Descubra quantos minutos você gasta para escrever uma redação com o mesmo número de palavras à mão e no computador. Saber essa equivalência é importante para a sua estratégia e para te deixar mais tranquilo no dia D.

Procure também desenvolver a sua capacidade de escrever um texto primeiro na cabeça e depois no papel. Você vai ter que exercitar os músculos da imaginação e concentração. Veja mais sobre isso na dica 4.

Por fim, descanse bem e relaxe na véspera. Medite antes de ir para o local. Limpe a sua mente do passado, que gera depressão, e do futuro, que gera ansiedade. Foque no presente e tente entrar em estado de fluxo (mushin, 無心) durante a prova.

(2) Escreva uma redação sobre cada ponto antes do concurso

Tão logo você se inscreva no concurso e receba a lista de pontos temáticos do programa, comece os estudos. Foque primeiro nos seus pontos preferidos e depois mergulhe nos pontos em que é fraco.

Essa preparação para a prova escrita deve ser feita na forma de leitura, anotações e… redações! Sim, chegue no primeiro dia já tendo escrito em casa redações sobre todos os pontos do programa. Isso te ajuda a se familiarizar com os pormenores de cada tema. E, principalmente, ajuda a organizar as suas ideias e criar um bom roteiro. Pode fazer essas redações no computador mesmo.

“Mas, Marco, eu não tenho esse tempo todo!”

Tem, sim, meu caro novato. Entre a homologação da sua inscrição no concurso e o início do mesmo, passam-se meses. Esse tempo dá e sobra. Não se deixe paralisar por desculpas que, no fundo, nascem da preguiça.

geracao de valor - suas justificativas paralisam voce
“Não dá tempo de estudar todos os pontos de um concurso…” Fonte da imagem.

Não faz sentido passar por todo o desgaste, estresse e exposição de um concurso, sem se preparar o melhor que você puder.

Se você fizer o seu dever de casa, terá uma enorme vantagem sobre os outros candidatos. Primeiro, todos os temas lhe serão familiares e nenhum deles terá o poder de te nocautear. Segundo, você já terá escrito em casa uma redação sobre o tema sorteado, então não estará partindo do zero. Terceiro, no dia D, você terá a oportunidade de melhorar o roteiro e fazer uma segunda versão da redação ainda mais completa e interessante.

Nunca, em hipótese alguma, conte com a sorte de cair o seu tema preferido ou de não cair o seu tema odiado.

(3) Use a primeira hora da prova para melhorar o roteiro da redação sorteada

Tendo já estudado e praticado, na fase de consulta você pode reler a redação que escreveu em casa. Aproveite essa primeira hora para pensar em uma forma de dar uma turbinada nela.

Já que você pode consultar apenas as suas anotações manuscritas durante a prova, passe para o papel oficial o roteiro dessa redação feita em casa. Transcreva também as citações e até mesmo alguns pedaços de texto.

Use essa primeira hora para conferir se cobriu mesmo todos os tópicos “obrigatórios” do tema. Ou seja, aqueles que todo mundo na sua área reconhece como parte da espinha dorsal do tema e que, se faltarem, causarão caretas na banca. Confira também se o foco está interessante, fisgando o leitor.

Assim, uma prova boa é aquela que contempla todos os tópicos obrigatórios, não contém erros técnicos e mostra uma gramática impecável. Uma prova excelente tem tudo isso e ainda apresenta uma linha narrativa clara e interessante; ou seja, ela completa o trivium com maestria.

Lembre-se de que, depois dessa hora inicial, você terá que rescrever tudo à mão, sem poder consultar novamente a redação que trouxe de casa. Calcule bem o tempo necessário para seguir o roteiro do início ao fim e ainda ter tempo para aproveitar inspirações de última hora.

(4) Delineie uma estratégia de redação adequada para uma prova feita à mão

Como mencionado várias vezes aqui, você terá que escrever a prova à mão. Isso é muito, muito diferente de escrever no computador, usando um processador de texto. Pode ser óbvio, mas muita gente se esquece disso, com consequências desastrosas.

No computador, você pode perceber que um parágrafo do final ficaria melhor no início. Aí basta dar um “corta e cola”, que as palavras milagrosamente mudam de lugar. Em uma redação à mão, isso só é possível se você trabalhar com um rascunho.

“Então eu devo fazer um rascunho, Marco?”

Não, meu caro novato, eu não recomendo isso. Fazer rascunho de uma prova escrita de concurso pode ser fatal, porque cada minuto vale ouro. Geralmente, os pontos do programa representam temas gerais, amplos. Em 4 horas de redação, é provável que você não tenha tempo suficiente para cobrir todos os tópicos mais importantes do tema e ainda entregar uma mensagem pessoal. Se você tiver que encerrar a prova 1 hora antes do prazo só para passar o texto a limpo, vai perder um tempo precioso e correr o risco de pecar por falta de conteúdo.

Dessa maneira, ao invés de investir em um rascunho, invista em um bom roteiro detalhado, com tópicos e sub-tópicos. Não tem problema fazer pequenas rasuras em uma prova escrita, desde que elas não tornem o texto ilegível. Só não faça rasuras exageradas, como setas movendo parágrafos de lugar. E, é claro, invista em escrever uma versão de treino da redação antes do concurso, como recomendado na dica 2.

Epifania: apesar de amar a arte da escrita, eu nunca tive um desempenho excelente em provas escritas, mesmo que sempre tenha conseguido passar nelas. Depois de muitos anos, entendi o porquê, graças a um texto escrito pelo Alexandre Palaoro, colaborador aqui do blog: 🙏🏽. Essa epifania melhorou muito o meu rendimento no último concurso que prestei. O ponto é que existem dois tipos principais de escritores. Há os que primeiro começam com um embrião do texto já no papel, na base do brainstorming, e depois o revisam várias vezes antes de publicar. E há os que primeiro escrevem tudo na cabeça para só depois colocar no papel um texto que precisa ser pouco revisado. Infelizmente, em provas escritas, só dá para ser um escritor do segundo tipo: psicografista. Isso porque, como já dito, não dá tempo de fazer um rascunho durante a fase de redação.

(5) Aposte em um estilo de redação misto e autoral

Ninguém sabe ao certo qual estilo de redação uma banca vai preferir. E a banca não diz isso abertamente para os candidatos. Pode até mesmo haver divergências entre os membros de uma banca, o que às vezes transparece nas notas.

Tem bancas que preferem que o candidato ideal mencione todos os tópicos que classicamente pertencem ao tema, dos mais importantes aos acessórios, fazendo uma redação ao estilo check list, burocrática. Esse tipo de redação, em geral, fica com um jeitão de livro-texto correto, mas antiquado. Contudo, funciona bem com bancas old school.

Outras bancas, mais prafrentex, preferem que o candidato elabore um texto gostoso de ler. O texto para essas bancas deve ser interessante e apresentar uma história com começo, meio e fim, passando uma mensagem clara. Obviamente, você não pode deixar de fora os tópicos obrigatórios, nem cometer erros técnicos ou gramaticais. Uma redação nesse estilo fica mais ou menos com cara de uma boa revisão conceitual publicada em uma revista top.

Infelizmente, é muito difícil adivinhar qual tipo de texto a sua banca vai preferir. Por isso, recomendo ir pelo caminho do meio e adotar uma estratégia com probabilidade de agradar a gregos e troianos, pelo menos parcialmente.

Assim, arrisque uma mistura desses dois estilos. Ou seja, não se esqueça de escrever sobre todos os tópicos considerados obrigatórios dentro do ponto sorteado, além de mais alguns que darão um tempero pessoal ao texto. Mas para atingir a excelência, além disso, tente fazer a redação soar como uma história bem contada. Em suma, tem que ser uma dissertação tecnicamente impecável e, ao mesmo tempo, criativa.

Também é importante misturar conhecimento estabelecido com novidades. Isso significa que você vai precisar combinar livros, revisões, sínteses, artigos seminais e artigos recentes para compor a base conceitual do texto. É importante demonstrar que você está atualizado na literatura e sabe de onde o tema veio, onde ele está e para onde caminha. Se o tema estiver recebendo atenção da imprensa na época, use isso a seu favor, mencionando atualidades. A sua redação não pode, de forma alguma, soar como um capítulo de livro-texto chato e desatualizado.

A redação, por fim, deve revelar o seu estilo de escrita pessoal. Ela não pode parecer um texto genérico, sem alma. Ela tem que dizer algo sobre quem você é como cientista e docente. Tente ser autoral e deixar a banca com vontade de te contratar.

Imagine que a sua redação deve ter um tom parecido com o de um excelente livro de divulgação científica, escrito por um autor bom em passar conteúdo denso de forma correta e leve, como Steven Pinker, Susan Cain, Yuval Harari, Malcom Gladwell ou Rachel Carson.

Conselho final

Ao contrário do que diz a lenda, para aprender a escrever bem não basta ler muito. Você precisa também escrever muito. Faça como o Bilbo Baggins e escreva ao menos um pouco todo dia, nem que seja um diário. E submeta os seus textos à crítica regularmente.

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Fonte da imagem.

Sugestões de leitura

 

 

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34 respostas para “Cinco dicas para sobreviver à prova escrita de um concurso”

  1. Parabéns Marco, ótimas dicas!!
    Estou com uma dúvida, no concurso que irei prestar, em um dos critérios de avaliação do texto eles pedem: “Introdução, objetivo, desenvolvimento e conlusão”. Eu devo colocar esses itens em tópicos no texto ou direto no decorrer da escrita?

  2. Olá Marco tudo bem? As dicas do seu blog são muito importantes pra quem está como eu, finalizando o doutorado. Tenho visto concursos que incluem na avaliação do currículo (normalmente classificatória) a experiência profissional e o número de publicações de artigos, sem um teto. Dessa forma, como concorrer com pessoas com mais tempo de carreira? Vejo como opção se destacar nas eliminatórias. Outra coisa que me chamou atenção foi em relação aos recursos disponibilizados paras aulas didáticas. Um Concurso que está previsto para ocorrer no final de Outubro, da UFMT na área de ecologia diz o seguinde sobre o uso de recursos além do quadro e giz: ” Para a Prova Didática, a UFMT disponibilizará, apenas, giz ou pincel e quadro de giz ou branco. A UFMT não fornecerá qualquer outro tipo de recurso didático e/ou equipamento, como data show, telas de projeção, etc. Caso queira utilizar outros recursos didáticos, é de responsabilidade do candidato providenciá-los, além de ser o único responsável pela segurança, instalação, utilização e desinstalação de tais recursos didáticos. Caso o candidato queira usar equipamentos próprios como recursos didáticos, terá 5 (cinco) minutos antes do início da aula e 5 (cinco) minutos após o seu término para a instalação e desinstalação de equipamentos, respectivamente, não devendo, sob hipótese alguma, atrasar o andamento geral da Prova Didática. A Comissão Examinadora e espectadores não poderão auxiliar na instalação e desinstalação de equipamentos. ” Se o candidato não levar o equipamento pode ter a aula taxada como antiquada e caso leve o tempo para instalação do mesmo, sem qqr auxilio pode ser o fim do jogo.

    1. Oi Allan, fico feliz em ajudar! Nossa, alguns concursos são realizados sob condições que beiram o surreal. Não disponibilizar data show hoje em dia é tão impensável quanto não disponibilizar quadro negro. Quanto aos “baremas” (tabelas de pontuação de CV) sem teto, na verdade, eles acabam sendo mais justos. Isso porque os baremas com teto total ou teto por seção achatam candidatos outliers. É importante para uma banca poder reconhecer o mérito de quem tem uma produtividade muito acima da média em pesquisa, ensino ou extensão. Quanto à questão do tempo de carreira, concordo que ela é controversa. Na minha opinião, esse fator deveria ser considerado na avaliação, mas não através de tetos ou mais métricas. Eu sou contra a verdadeira numerologia cienciométrica praticada em muitas universidades brasileiras. Ela apenas cria uma ilusão de imparcialidade e objetividade, tornando os resultados dos concursos mais caóticos. A relação entre produtividade e tempo de carreira deveria ser avaliada para conferir se um candidato está em ascensão ou decadência, ou para testar se ele está produzindo abaixo ou acima da média para alguém naquele estágio da carreira. Boa sorte nos concursos!

    1. Oi Deivid, não dá para cravar um número mágico. Candidatos que tiram a melhor nota em uma prova escrita variam muito entre si no número de folhas de almaço que entregam.

  3. Nossa Marco, muito obrigada!! era tudo o que eu precisa ouvir (ler) e ninguém me dizia, percebi agora o motivo das minhas notas baixas na prova escrita, acho que escrevo de uma forma muito técnica, só reproduzo o que leio nos livros clássicos, fica muito mecânico. Sou da área de Genética e confesso que a minha maior dificuldade nos próximos concursos será fazer esse texto narrativo, até porque preciso falar de muitos mecanismos e processos nos pontos que desenvolvo, muitos genes e organismos envolvidos, acho que eu precisava ler um texto nesse estilo na área da Biologia, não consigo imaginar, tem algum texto que eu poderia ler pra me basear?

    1. De nada, Kaline! Você quer um exemplo de prova escrita? O melhor é pedir para alguma colega sua que acabou de passar em um concurso na mesma área. Para ter uma noção do estilo, pense, por exemplo, no modo como o Yuval Harari escreveu no livro “Sapiens”. Leia também o “Guia de Escrita”, do Steven Pinker. Boa sorte!

      1. Obrigada pelas dicas! outra perguntinha, acha que se colocar na prova esquemas e desenhos é ruim? vamos supor que a explicação é sobre divisão celular, representar com algum esquema enriquece a prova?

        1. Oi Kaline, esse é um ponto controverso, com uma galera a favor, outra contra. Eu, pessoalmente, acho que não faz muito sentido incluir figuras em provas escritas de concursos, especialmente quando a prova tem leitura pública. Fica uma situação meio estranha, com a pessoa “narrando” a figura para a banca e o público.

  4. Oi, Marco! Parabéns pelo texto, me ajudou muito a ver alguns erros que tenho cometido nos concursos. Porém, ainda tenho dificuldade em pensar como seria a diferença de um texto “gostoso de ler” para o “livro texto”. Sempre estudo pelos livros, e no fim, acabo seguindo o mesmo jeito de escrita. Você pode dar um exemplo desses dois tipos? Muito obrigada!

    1. Oi Yulie, obrigado! A diferença principal é que livros-texto, em geral, são escritos de forma mais dissertativa. É uma maneira bem acadêmica de se comunicar, geralmente um pouco árida, cansativa de ler. Por outro lado, textos gostosos de ler se parecem mais com narrativas. É a forma de escrever dos contadores de histórias. Para exemplificar a segunda maneira, que costuma prender mais a atenção do leitor, pense em matérias de jornal ou mesmo histórias de aventura. Tente fazer com que a sua redação tenha um enredo e personagens, em um sentido amplo.

  5. Oi Marco, adorei suas dicas. Fico triste apenas por não ter cruzado com ele antes da derrota que tive num concurso… Adotei o estilo de texto oldschool, tentando puxar para uma dissertação menos chata, mas acho que não consegui impressionar a banca prafrentex… É muito desanimador o esforço que fazemos para estudar e a dificuldade que é ter que adivinhar o que a banca vai valorizar.

    1. Obrigado, Lunara! Que pena que não deu certo o teu concurso. O formato dos nossos concursos, especialmente das provas escritas, é meio maluco mesmo. Mas ainda bem que algumas instituições acordaram e o estão mudando, mesmo que aos poucos. Assim, eu sugeriria ponderar ainda outro fator na hora de escolher quais concursos prestar: o conjunto de provas e o formato delas.

  6. Que achado seu blog e esse excelente texto Marco. Obrigada!
    Sou recém formada, tentando aprender a estudar pra concurso docente e tentando aprender como construir uma prova didática. Estava desanimada e meio perdida mas esse texto foi a luz no fim do túnel rsrsrs. Agora é “arregaçar as mangas” e estudar!
    Muito obrigada!

  7. Fala Marco, tudo bem? Belo texto! Sou da área de exatas e há alguns meses um professor me disse: “quando fores fazer as provas discursivas, estrutura ela como se fosse um artigo científico, escreve lá, Introdução, Topico1, Topico2….”. Bom, tenho feito assim, com as provas ficando com esse texto não contínuo e não tá dando certo. Tento fazer a conexão entre os diferentes tópicos, deixando claro no último período sobre o que falarei no próximo tópico, mas mesmo assim, não fica tão fluido. Achas que essa estrutura me prejudica? Valeu!

    1. Oi Rafael, obrigado! Cara, é difícil afirmar isso com certeza. Depende dos costumes da sua área e da cabeça da banca. Na minha área, Biologia, já vi textos vitoriosos tanto com tópicos e sem tópicos. De qualquer forma, eu não faria tópicos como em um artigo. Mas talvez fizesse tópicos como em uma boa revisão técnica. Eu, pessoalmente, prefiro escrever um texto único, sem tópicos, ao estilo de um ensaio. Bom, faça alguns testes. No próximo concurso, quando sair a lista de temas, escolha aquele com o qual se sente mais confortável. Aí escreva duas redações sobre ele: uma com e outra sem tópicos. E passe essas redações para colegas da sua área lerem e criticarem. Veja qual versão agrada mais gente.

      1. O próximo já é segunda. hehehe Como foi um perto do outro (1 semana e meia) e as listas de temas, infelizmente, tinham poucos em comum (de 12, 2) fiz apenas estruturações dos temas com aquilo que deve ser mais importante. Tentarei a abordagem que tens usado, depois retorno com o feedback. Muito obrigado pela resposta e parabéns pela atitude de ajudar os que estão nessa empreitada! Abração!

        1. Uau, boa sorte na maratona! Vai ser legal ter o seu feedback depois. Também gostaria de ter o feedback de todos os leitores que estão na guerra dos concursos.

          1. Sinceramente não conhecia teu blog, mas parei agorinha pra ler esse pacotão de dicas e vi algumas “cagadas” que fiz. Dentre elas, prestar concurso pra vagas fora do perfil e um com carta marcada. Acho que o único que fiz realmente com chance de passar foi o da semana passada, em Lavras. Nem digo que por falta de estudo nos outros, mas por falta de aptidão mesmo. Enfim, semana que vem volto aqui.

  8. Olá Marcos! Parabéns pelo post.
    Irei prestar um concurso em breve e minha dúvida quanto a prova escrita é como utilizar citações e referências. Se devo escrever todos os parágrafos citando autores, ou não é o caso. E se devo ao final escrever as referencias (isso me parece um pouco estranho rsrs) E quais tipos de referências devo buscar além dos autores clássicos do tema, precisa ir até periódicos internacionais por exemplo? Grata desde já.

    1. Oi Maria, obrigado! Não há uma maneira única de fazer essas coisas que você perguntou, assim como não há uma fórmula única para provas escritas. Eu, pessoalmente, não incluo uma lista de referências ao final. Faço referências concisas no corpo do texto, que permitam saber de quais trabalhos se trata. Por exemplo, (Darwin 1859, On the origin of species). Ou (Pósfai et al. 2016, Phys.Rev.E)”. Quanto aos tipos de referências, eu preparo um mix de clássicos, seminais e recentes. Sim, incluindo periódicos internacionais. Mas isso varia de área para área, de acordo com os costumes bibliográficos de cada ciência. Boa sorte no concurso!

  9. Olá, Marco! Primeiramente, parabéns pelo texto e pelo site, que apresenta conteúdo de extrema relevância. Minha dúvida é: como trabalhar com tempo apertado de forma a otimizá-lo? Os 10 temas do concurso em Ecologia acabaram de sair, e a data limite da prova é entre 24/04 e 26/05. Fiz um planejamento de três dias por tema, sendo um de leitura, um para apresentação e um para o plano de aula, mas ainda assim estou achando apertado. O que me sugere? PS: Sou recém formada e este é meu primeiro concurso; logo, não tenho aulas e textos base. Desde já, obrigada!

    1. Oi Thais, obrigado! Nossa, de fato está com o tempo apertado. As universidades que estão abrindo concursos agora ficaram na correria, porque todas as contratações precisam ser feitas ainda este semestre, até 28/6, por causa das eleições. Preparar as aulas do zero, sem ter material para reciclar, leva bastante tempo mesmo. É importante você se planejar em detalhes, do jeito que está fazendo. Nesses casos, e quando se trata de temas familiares para mim, costumo precisar de 10 horas de preparação para cada 1 hora de aula. Se forem temas fora da minha zona de conforto, esse tempo pode dobrar ou triplicar. Que plano de aula é esse que estão te pedindo? Aquele roteiro que, na prática, ninguém mais usa?

      1. Olá, Marcos! Obrigada pela resposta. Pedem apenas plano de aula, sem especificar. Estou me baseando em algumas dicas encontradas ao longo da pesquisa que fiz, e alguns modelos. Basicamente, inclui objetivos, metodologia, conteúdo programático, recursos didáticos, avaliação, bibliografia e recomendação de material complementar. De qualquer forma, estou fazendo um esqueleto base do plano de aula e das apresentações, e um roteiro dos temas. Assim, posso desenhar as ideias gerais, incluir algumas figuras, e deixar pra ajeitar e trabalhar mais a parte visual caso sobre tempo no final, ou após o sorteio do tema. Os temas são bem gerais, mas exigem tempo pra formular como será apresentado, estudar o conteúdo, etc. Mas acredito que aprenderei muito neste processo. Talvez o prazo apertado seja uma forma de buscar otimizar os estudos e focar no que é importante. Está sendo um bom exercício.

        1. Oi Thaís, que bom que você está encarando esse desafio de forma positiva! Essa atitude te leva longe. Quanto ao plano de aula, é isso mesmo: uma miniatura de um plano de disciplina. Na prática, ninguém distribui planos de aula para os alunos em sala. No máximo, imputo elementos de um plano de aula nos slides. Eu preparo os meus planos de disciplinas usando o modelo de syllabus americano, que incluí também formas e horários de atendimento à turma. Boa sorte!

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