Doses homeopáticas de escrita: Parte 3

Nenhuma das outras dicas ajudou? Então a terceira certamente vai!

Antes de iniciar, aqui vai o disclaimer nosso de cada dia:

A leitura é um dos pilares da boa escrita. Quem lê muito sabe sobre o que escrever, mas às vezes não consegue. As palavras fogem dos dedos, a mente parece não colaborar. Por isso, o bloqueio de escrita que analiso nestes textos não se refere à pessoa que nunca lê, quer escrever e não consegue. O verdadeiro bloqueio de escrita atinge a pessoa que lê muito, mas está travada, muitas vezes por fatores psicológicos.

Se você não lê, estas dicas não vão te ajudar.

Mas, se você lê, espero que estas dicas te ajudem.

Dica 3: Unidade mínima de pensamento

Escrever uma frase é fácil. Acabei de fazer isso. Não, são duas frases (agora, três). Então, por que é tão difícil escrever?

A resposta para essa pergunta é complexa demais e não cabe neste texto curto. Mas se há algo que pode dificultar a vida do leitor é uma frase complexa (especialmente quando mal formulada).

Sujeito oculto, inexistente, múltiplo, com modificadores. Isso sem contar todas as outras partes que compreendem uma frase. Contudo, uma frase também pode ser simples. O famoso “vovó viu a uva” nada mais é que um exemplo da composição básica de toda frase:

Sujeito + verbo + predicado

Apesar dessa simplicidade, há autores que são famosos por formular frases complexas (sim Saramago, estou olhando para você). Sem contar algumas profissões que parecem se regozijar no não-entendimento alheio (não citarei seu nome aqui, querido sistema judiciário). Só que a nossa função como escritores é sermos entendidos e cunharmos frases corretas. Algumas vezes temos que fugir da composição básica, mas isso requer experiência.

Esta terceira dica pega dois coelhos com uma caixa d’água só, pois, além de diminuir frases complexas, ela também serve para fazer um primeiro rascunho. Por isso ela se chama: unidade mínima de pensamento.

Nesse tipo de escrita, você se livra de tudo que é para ficar subentendido, todos os modificadores, todos os verbos no passado do pretérito do futuro que não houve, mas haverá.

Você foca em frases simples com UM sujeito, UM verbo e UM predicado. Livre-se de tudo que fica pendurado na sua frase e opte pela forma mais básica de comunicação. O seu objetivo é escrever frases, não conectá-las. Escreva, por exemplo:

  • Eu medi a glicose do rato.
  • Comunidades ecológicas se definem assim.
  • O indivíduo 1 ganhou a briga com o indivíduo 2 por causa disso.

Faça isso para todas as ideias que fazem parte do seu texto. Pronto. Agora você já tem um primeiro rascunho. Na próxima vez que olhar para seu texto, já poderá revisá-lo e tentar conectar as frases, criando um fluxo lógico e claro de ideias.

Essa foi a última dica que programei. Quando mais ideias surgirem, postarei aqui. Mas a princípio são apenas essas três.

Como disse no primeiro texto, usei todas as ideias em algum ponto da minha carreira quando me sentia “travado”. Algumas ajudaram mais, outras menos, mas creio que isso depende de como o seu cérebro funciona.

Caso você tenha alguma “sugerência”, pode deixar no comentários. Ideias novas são sempre bem-vindas.

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3 respostas para “Doses homeopáticas de escrita: Parte 3”

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