Concurso para professor: o torneio dos faixas pretas

A conclusão da Jornada do Cientista vem com a conquista de um emprego na Academia ou fora dela. Vamos então esmiuçar o caminho mais comum para atingir essa meta.

Conseguir um emprego não é mole em carreira alguma. Se você já enfrentou processos seletivos públicos ou privados, sabe do que estou falando. Mandar dezenas de currículos, passar por entrevistas tensas, encarar dinâmicas constrangedoras… Mas não adianta chorar, vá à luta!

Eu sei o preço do sucesso: dedicação, trabalho duro e uma incessante devoção às coisas que você quer ver acontecer.” – Frank Lloyd Wright

Além de trabalhar duro, é crucial pensar positivo e ter disciplina. Difícil não quer dizer impossível e a conquista de qualquer coisa começa na mente (como diria o filósofo Lee).

O primeiro passo é conhecer melhor o que você deseja conquistar. Vou te ajudar nessa missão, explicando como é um concurso para professor de universidade pública no Brasil. Essa é de longe a maneira mais comum de virar cientista profissional por estas bandas, apesar de haver outros caminhos pouco explorados. Portanto, trato da nossa realidade, mas faço ligeiras comparações com processos similares no exterior.

Vou começar sendo bem sincero. Um concurso de professor no Brasil é como uma gincana. A única diferença é que ninguém se diverte. A banca sai exausta e com novas inimizades. O departamento nunca fica unanimemente satisfeito com o resultado. N-1 candidatos saem frustrados. O vencedor sai feliz, mas à beira de um colapso, com dificuldade até de sorrir.

Portanto, prepare-se para um desafio massacrante. Concurso é uma espécie de vivissecção voluntária. Logo, se você não nasceu rico como o Darwin ou o Humboldt, foi mal, mas deite na mesa e aguente o bisturi.

Mas como aumentar as suas chances de sobreviver e vencer? Primeiro continue lendo este post para conhecer melhor a estrutura de um concurso típico. Depois, leia os demais textos do pacotão sobre concursos. Por fim, leia várias outras dicas dadas em livros e blogs sobre a carreira.

Aqui vou tratar das fases envolvidas no processo.

Fase 1: abertura e inscrição

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Muitos dos inscritos acabam não comparecendo, então é no primeiro dia do torneio que você confere quem realmente está no páreo.

No Brasil, todo concurso precisa ser anunciado em um diário oficial (DO), seja do estado ou da união, na forma de um edital. Obviamente, nenhuma pessoa normal fica lendo DOs todo dia de manhã enquanto toma o café.

Portanto, você provavelmente tomará conhecimento das vagas abertas na sua área através do seu networking profissional ou das redes sociais. Por outro lado, quem foca em uma universidade específica deve ficar atento às conversas de corredor para saber sobre novas vagas antes mesmo de elas saírem no DO.

Assim que descobrir uma vaga, reflita com calma sobre ela. Pense especialmente no match entre o seu perfil e o perfil da vaga. Isso parece óbvio, mas é um dos erros mais comuns entre candidatos: não adianta prestar um concurso que não tem a ver contigo!

OK, agora pense sobre a instituição contratante e o quanto você sabe sobre as condições de trabalho nela. Pense também na cidade onde a instituição se localiza e se você realmente gostaria de morar nela. Por fim, pondere todos os demais fatores que são importantes para você. A grande pergunta é: o quanto você deseja passar nesse concurso e assumir a vaga?

Esqueça a mentalidade tola de “treineiro”. Sério, não existe isso de treinar para concurso de professor universitário. O que existe é preparação, mas não treino. Portanto, inscreva-se em um concurso apenas se quiser muito o emprego em questão, por várias razões. Primeiro, ir num concurso só para treinar não te prepara para os próximos concursos e ainda demonstra profundo desrespeito com a banca e a instituição contratante. Segundo, para vencer um concurso é preciso muito foco e disciplina, coisas que você não terá se não estiver com a sua motivação ligada no máximo. Terceiro, você pode até entrar num concurso achando que não está se importando com o resultado, mas muito provavelmente entrará no clima de batalha durante as provas e, ao final, acabará saindo frustrado. Não se submeta a essa via crucis à toa, pois uma experiência negativa auto-imposta pode detonar a sua autoestima.

Ok, tendo escolhido o concurso com maturidade, é hora de preparar a papelada. Seja extremamente caprichoso nesse parte. Siga as instruções à risca. Compile todos os documentos necessários e um pouco mais. Desde a iniciação científica, crie o hábito de coletar, arquivar e digitalizar os comprovantes de todas as atividades acadêmicas que realizar. No Brasil, atividade não-documentada é atividade não-realizada.

Para garantir que nenhum comprovante passe despercebido pela banca, organize a papelada exatamente na mesma ordem em que os itens forem listados no edital. Ou conforme o modelo de currículo com a pontuação detalhada, também conhecido como “barema” (existe todo um dialeto associado a concursos). Isso poupa muito trabalho à banca e diminui sensivelmente a chance de ela deixar de computar alguma das suas atividades.

Depois de arrumar a papelada, pegue a lista de temas e estude todos a fundo. Sério, não bobeie com a preparação. Se o concurso incluir uma prova escrita e uma prova didática, chegue no primeiro dia já tendo elaborado ao menos uma redação e uma aula sobre cada um dos temas. Isso vai reduzir muito o efeito da sorte, assim como a sua ansiedade.

E não adianta fazer tudo isso e depois dar mole com prazos e horários. É fundamental realizar cada atividade dentro do prazo e ser absolutamente pontual durante as provas. Atrasar um minuto sequer significa ser sumariamente eliminado. Note que o primeiro dia é especialmente importante, pois é quando a banca vai registrar quais candidatos de fato compareceram e vão competir entre si.

Fase 2: provas

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Assim que começam as provas, o bicho pega! Mesmo os candidatos “whatever” acabam entrando no clima.

Esta é a fase em que os concursos brasileiros mais diferem dos concursos no primeiro mundo. Logo, cabe fazer uma comparação.

Na Alemanha e nos EUA, por exemplo, não há provas. Quando é aberto um edital, os candidatos enviam à universidade uma job letter, um résuméum research statement e um teaching statement. Algumas universidades pedem também um diversity statement ou outreach statement. Depois é feita uma short list com três a cinco candidatos que realmente têm muito a ver com a vaga e acumularam um currículo bom o suficiente para merecê-la. Por fim, os shortlisted são convidados a visitar o departamento, dar um seminário e conversar por um ou dois dias com professores, técnicos e alunos. Semanas depois, após muita deliberação interna, decidem quem é o vencedor.

Voltemos agora à realidade brasileira. Aqui, todos os candidatos são convocados a comparecer pessoalmente. Sim, mesmo aqueles que não têm a menor chance de ganhar, seja por não terem um currículo bom o suficiente ou por não darem match com a vaga. Ninguém parece entender a insanidade envolvida em desperdiçar o tempo, a energia e o dinheiro da universidade, da banca e dos candidatos. Enquanto um concurso alemão ou americano se parece mais com uma entrevista de emprego, um concurso brasileiro, como eu já disse, lembra uma gincana.

Nessa gincana há diferentes tipos de provas que teoricamente visam testar apenas a sua aptidão mental, mas que na prática também testam sua aptidão emocional e física. Vou usar como exemplo os concursos das universidades federais, cujo modelo é igual em muitas estaduais. Via de regra, salvo algumas diferenças entre instituições, ao abrir um concurso, um departamento pode escolher três de cinco tipos de provas: escrita, didática, prática, títulos e seminário. O formato exato de cada uma delas muda conforme o concurso, mas elas costumam seguir fórmulas comuns.

A prova escrita é um must em várias universidades, porque o regimento da maioria determina que essa é a única prova que pode ser eliminatória. Ou seja, apenas através de uma prova escrita se pode chegar a uma short list. Podem ser aprovados na prova escrita até cinco candidatos para cada vaga aberta, sendo que no caso de haver uma única vaga podem passar até 10 candidatos. O formato da prova escrita costuma ser o de um ensaio (leia mais neste post). A ideia é pelo menos sobreviver a ela para poder fazer as seguintes. Senão, meu chapa, é game over.

Se você sobreviver à escrita, depois vem a prova didática. Teoricamente, ela tem o formato de uma aula de graduação, através da qual a banca avalia as habilidades de ensino do candidato. Mas, na prática, ela é uma lecture de 50 min à moda do século XIX, dada pelo candidato para os membros da banca, com todos fingindo que aquilo é uma aula contemporânea (veja mais dicas neste outro post).

A prova prática em geral não costuma ser usada em concursos das áreas de ciências naturais, sendo mais comum em concursos de Medicina e outras áreas mais técnicas. Assim, se você for ecólogo, biólogo, geógrafo, físico, químico ou outro tipo de cientista, não se preocupe muito com ela. Contudo, já vi ela entrar no cardápio de algumas estaduais. Nesses casos, ela pode envolver, por exemplo, a elaboração de um projeto hipotético com base em uma “semente” dada pela banca.

Da prova de títulos ninguém escapa. Ela é a famosa avaliação da sua produção em pesquisa, ensino, orientação, extensão e gestão, os cinco pilares da carreira de professor universitário. Essa avaliação é feita através do famigerado barema (você ouvirá muito essa palavra!). Em cada caso, dá-se maior ou menor peso a diferentes pilares e atividades, de acordo com o gosto do departamento. Esta prova geralmente é vencida por quem tem regularidade e diversidade na produção acadêmica. Contudo, já vi muita gente boa se dar mal por não organizar direito os comprovantes curriculares.

Por fim, em alguns casos opta-se por uma prova de seminário. Esse tipo de prova é o que mais faz sentido. Por exemplo, o seminário pode ser uma apresentação do projeto de pesquisa, extensão ou ensino que o candidato pretende desenvolver na universidade. É como o seminário ou job talk dos concursos gringos. Ele também pode vir na forma de um memorial, ou seja, uma apresentação romanceada do curriculum vitae, em que o candidato é arguido sobre o histórico dele na Academia.

Apesar de ainda se poder fazer arguição de memorial, em algumas universidades federais não se pode mais fazer entrevistas no sentido estrito. É uma pena, pois uma entrevista é mil vezes mais reveladora do que um barema. Essa proibição foi imposta de forma arbitrária por alguns ministérios públicos estaduais, que consideram que entrevistas são subjetivas demais e facilitam concursos com cartas marcadas. Tolice de quem não conhece as entranhas da Academia. A única prova objetiva de um concurso é a de títulos e mesmo ela tem seu grau de subjetividade, relacionada ao peso que se dá a diferentes atividades.

Para que os concursos fossem menos massacrantes e com resultados menos sujeitos à sorte, a prova de títulos deveria ser eliminatória. A maioria dos candidatos nem precisaria comparecer à universidade, porque a short list seria feita remotamente. Felizmente, em algumas raras universidades, todas as provas, inclusive a de títulos, podem ser eliminatórias. Isso é bom, mesmo que todos os candidatos tenham que comparecer do mesmo jeito. Ao menos o concurso vira um torneio no sentido literal, poupando trabalho à banca.

Fase 3: apuração dos resultados

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A apuração dos resultados é tensa.

Nossa, e como a banca trabalha! Te garanto que servir como membro é uma das tarefas mais ingratas na carreira. Pior então é a hora de divulgar os resultados: você consegue sentir o ódio de alguns candidatos perfurando a sua pele.

Os resultados podem ser divulgados de diferentes formas. Em alguns casos, os resultados parciais vão sendo liberados conforme os candidatos concluem cada prova. Isso acontece especialmente em concursos ao estilo torneio, com todas as etapas sendo eliminatórias, pois é necessário saber quem passou para cada etapa seguinte. Contudo, nos concursos com etapas classificatórias, os resultados saem todos juntos no final. “Agora aguenta coração…”

Esse é um momento de muita tensão, igual à apuração de desfiles de escolas de samba. Perder obviamente é frustrante e deixa qualquer um triste. Contudo, os detalhes das notas podem ser ainda mais deprimentes. Às vezes, você tem a sensação de que deu uma excelente aula, mas a banca considerou que você merecia apenas 7 em 10. Outras vezes, você tem um ótimo currículo, mas na competição estava também um candidato meta-humano. Caso as notas sejam comparativas e não haja tetos, pode ser que a sua nota, assim como as dos demais candidatos, seja miseravelmente achatada pela comparação com a nota do campeão. A sensação não é legal.

Portanto, em concursos e na carreira de um modo geral, um bom preparo psicológico é fundamental.

Conselho final

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“Do or do not. There is no try” – Paul McCartney

Mesmo com esse monte de regrinhas, o resultado de um concurso para professor, no fundo, depende muito da cabeça da banca e da impressão que cada candidato causa nela. Assim, prepare-se com afinco e venda bem o seu peixe, mas não fique paranoico. E, principalmente, aprenda a apanhar e seguir em frente.

 

* Texto publicado originalmente no livro do blog em 2017 e atualizado agora.

(Fonte da imagem destacada e das demais imagens: “Enter the Dragon” – Clouse, 1973)

13 respostas para “Concurso para professor: o torneio dos faixas pretas”

  1. Ótimo texto! Me ajudou ter lido alguns dos seus textos antes dos concursos que prestei 🙂

    Mas discordo de uma parte: ” Sério, não existe isso de treinar para concurso de professor universitário.” – eu diria que vale a pena treinar uma única vez, para ver como é, principalmente a prova didática. A primeira prova didática que fiz foi uma das piores aulas que dei na minha vida, em grande parte porque eu não sabia o que esperar: eu tinha experiência dando aulas e dando palestras, mas não dando aulas ou palestras para pessoas que não reagem e não interagem. Assim, tendo feito a prova didática de um concurso, eu entendi que eu precisaria fazer as outras imaginando que estou gravando um vídeo ou palestrando para uma plateia de fantasmas e seres invisíveis. Na segunda prova didática que ministrei eu fui muito melhor!

    (Naquela época, eu estava investindo em dois concursos: o da UFBA que eu realmente estava me dedicando – e no qual passei, rs – e o da UEFS, ao qual não me dediquei mas no qual ficaria feliz de passar também. Foi também um bom teste dos meus conhecimentos.)

    1. Obrigado, Pavel!

      palestrando para uma plateia de fantasmas e seres invisíveis” hahaha, é tipo isso mesmo! É menos interativo ainda do que uma lecture.

      Quanto a treinar ou não, concurso é um desafio complexo, então a estratégia de preparação pode variar muito entre pessoas. Aqui no blog dou a minha receita, mas ela seguramente não é a única que pode funcionar. A minha recomendação nesse ponto vai principalmente no sentido se não passar por todo o estresse e exposição de um concurso, a menos que você queira muito a vaga. Claro que, não sendo aprovado em um primeiro concurso, as etapas da vivissecção servem de experiência para o próximo. E tem também a questão do trabalho da banca: não acho legal fazer os colegas terem que avaliar mais material à toa. 😉

      1. Faz sentido evitar passar por esse stress excessivo! Bom, no concurso na UEFS que prestei eu também aproveitei pra passear um pouco, e em Salvador também… Ou seja, uma outra sugestão que eu teria é também fazer algo divertido durante o concurso, até porque é mais fácil fazer uma boa prova se estamos mais relaxados 🙂

  2. Marco, ótimo post e esse é um assunto que sempre me pego pensando. No momento, faço mestrado, com vistas já no doutorado, e meu foco é a carreira acadêmica. No entanto, devido ao atual contexto de nosso país, com poucos concursos nos próximos anos, tenho um certo medo de estar investindo em algo que depois pode não dar em nada, no sentido de nem ser possível prestar concursos na minha área. Sei que em tudo há riscos, e que não é diferente quando desejamos seguir nossa vocação, mas sendo casado e tendo uma filha, isso é algo que me angustia em alguns momentos. Claro, apesar destes pensamentos, busco fazer minha parte e me esforço para fazer publicações, contatos, escrever uma boa dissertação e assim por diante. Gostaria de saber de você se já teve pensamentos desse tipo, acerca das incertezas do futuro. Abraço.

      1. Olá Marco, li seu texto e gostei muito. Acho que o caminho é realmente persistir e estar preparado para que, quando surgir os concursos, eu tenha condições de fazer a seleção e passar. Como você deixou claro no seu texto, são fases, períodos. É um constante vai e vem. Hoje vivemos um período de escassez de concursos, talvez, quando eu estiver terminando o doutorado, os concursos apareçam com mais força. Acho que agora é viver um dia de cada vez. Obrigado Marco.

  3. É Marcos, concurso público para o magistério superior no Brasil é uma guerra de uma só pessoa, e de uma pessoa contra outras dezenas (e talvez, centenas!). Concordo com vários pontos destacados no texto, mas, gostaria também de somar a necessidade de se homogeneizar no currículo. Algumas vezes, o candidato busca a produção (insana) de papers, e esquece que é preciso ter horas/aula e etc. Mas, seguimos na busca…passei pelo quarto pleito meses atrás, e desta vez venci a batalha. Abraços

    1. Oi João, parabéns pela conquista! Concordo contigo. Eu não diria homogeneizar, mas diversificar o currículo. Especialmente nos concursos para universidades federais costuma-se usar o tal barema padronizado. Ele geralmente é dividido em seções de acordo com os cinco pilares da carreira. E essas seções têm tetos, somando 100 pontos para o barema como um todo. Logo, um candidato que tem um excelente registo de publicações, mas que nunca deu aula, orientou pupilos, fez extensão ou pegou cargos administrativos nunca chegará à pontuação máxima na prova de títulos. Esse é o dilema enfrentado pela maioria dos novatos que competem com veteranos em concursos. O jeito é compensar nas outras provas, por exemplo, gabaritando a escrita e a didática. O que todo mundo deve ter em mente é que todo concurso envolve pelo menos três notas.

  4. Ótimo post, Marco! Em breve vou precisar reler para me preparar. Essencial saber sobre a realidade dos concursos e do quão cansativos eles podem ser. Ainda sim, é importantíssimo não perder a perseverança!

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