Pandemia do novo coronavírus: Parte 1 e diário

Última atualização: 07/04/2020 às 11h10 (GMT+13)

A seguir vamos falar sobre a doença e dar dicas para sua prevenção. Além deste post, vamos continuar as discussões aqui no blog através de uma série de posts sobre pesquisa em ecologia de doenças e áreas relacionadas.

Virtualmente todo mundo já sabe que a doença (COVID-19) causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) se espalhou pelo mundo rapidamente e que novos casos aparecem todos os dias. No dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu publicamente que a doença se tornou uma pandemia. No Brasil, até o momento foram confirmados 12.056 casos (atualizações frequentes aqui pelo Painel Coronavírus do Ministério da Saúde e aqui a compilação feita pelo Wesley Cota, que inclui também dados de secretarias estaduais e municipais). Veja também o Observatório Covid-19 BR criado por um grupo de cientistas das universidades paulistas. E há ainda mais outro grupo independente monitorando a situação: o COVID-19 BRASIL, que congrega físicos, matemáticos, biólogos e médicos. Há 911 casos confirmados na Nova Zelândia, onde eu vivo no momento (área equivalente à do estado de SP, só que com apenas 4 milhões de habitantes). Felizmente, a dispersão do vírus pode ser freada e isso depende de ações individuais e coletivas. Ou seja, o mundo precisa de você para que juntos evitemos o avanço da doença.

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Os coronavírus

Coronavírus fazem parte de um grande grupo de vírus da família Coronaviridae. Eles tipicamente infectam aves e mamíferos e sua transmissão se dá normalmente pelas vias aéreas, mas também por excretas e saliva.

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Esta ilustração, criada pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), ilustra a morfologia ultra-estrutural exibida pelos coronavírus. Observe que as estruturas em vermelho que adornam a superfície externa do vírus como uma coroa, o que justifica o nome do vírus. O novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, foi identificado como a causa de um surto de doença respiratória detectado pela primeira vez em Wuhan, China em 2019. A doença causada por esse vírus foi denominada doença por coronavírus 2019 (COVID-19). Fonte da imagem: CDC compartilhado em Wikimedia commons (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:COVID-19_2871.jpg)

Os coronavírus têm como alvo principal as células epiteliais e por conta disso são associados a infecções gastrointestinais e respiratórias de gravidade variável. Em geral, essas infecções são assintomáticas ou leves, como um simples resfriado.

Alguns coronavírus, no entanto, causam doenças graves e até letais, como a COVID-19 (Coronavirus Infectious Disease 2019) e a SARS (Severe Acute Respiratory Syndrome – lembra dela lá em 2003?).

A doença COVID-19 e o vírus SARS-CoV-2

O vírus que foi detectado pela primeira vez em Wuhan (China) em dezembro de 2019 foi apontado como causador da doença COVID-19. Este novo vírus que causa a COVID-19 foi nomeado SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2), pois ele pode causar uma síndrome respiratória severa, assim como o SARS-CoV.

Coronavírus é uma grande família de vírus zoonóticos
Estrutura básica dos coronavírus e alguns tipos conhecidos. Fonte da imagem: OMS (https://youtu.be/mOV1aBVYKGA)

Por que a COVID-19 se enquadra como uma pandemia?

Uma pandemia ocorre quando uma doença se espalha por muitos países rapidamente. Se você olhar os mapas a seguir, vai captar a mensagem. No Brasil, o número de casos também vem aumentando, acompanhando a tendência mundial.

Mapas em tempo real

Os seguintes links disponibilizam informações atualizadas sobre COVID-19 em mapas:

O mapa dinâmico (clique no link para vê-lo em detalhes) do pessoal da Johns Hopkins University é particularmente incrível, pois, além de mostrar a NZ (frequentemente esquecida em mapas mundi), mostra o ranking dos países com mais casos, óbitos e pessoas recuperadas. Além disso, o mapa mostra casos cumulativos e ativos, o que é muito útil para monitoramento e entendimento do que está acontecendo em tempo real.

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Acompanhamento da pandemia de COVID-19 em tempo real. Fonte: https://www.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6

Mapas estáticos

Esse mapa estático do CDC (Center for Disease Control, dos EUA) mostra de forma clara em quais países a doença está presente:

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Em azul, as nações que já detectaram casos de COVID-19 em humanos. É intuitivo pensar na palavra pandemia ao ver este mapa. Fonte: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/locations-confirmed-cases.html#map

Embora haja milhares de casos de COVID-19 já confirmados (~130 mil), as formas mais preocupantes da doença acontecem até o momento em 16% dos casos fora da China. A mortalidade no mundo todo está em torno de 3.6%. Entretanto, os dados estão sendo divulgados quase em tempo real e, portanto, mudam a cada hora.

Os grupos mais vulneráveis às formas agudas da doença são idosos, diabéticos, pneumopatas, imunossuprimidos, e especialmente os imunossuprimidos acometidos por doenças cardiovasculares ou câncer. Seguem os principais sintomas da doença:

* Febre

* Tosse seca

* Cansaço

* Dificuldade de respirar

* Dor de cabeça

* Hipóxia

Nos casos letais há sepse generalizada por patógenos oportunistas, diminuição da quantidade de leucócitos e falência renal. Uma ressalva é que, ainda que você esteja infectado por esse vírus e seja assintomático (o que não é incomum), você pode espalhá-lo por aí, atingindo pessoas que podem desenvolver formas graves da doença e até morrer. Por isso, siga as recomendações a seguir!

Como agir na atual situação (COVID-19)

O que você pode fazer?

Aviso: estas dicas gerais são voltadas para o cidadão comum e não para profissionais da saúde que lidam com pacientes positivos para a doença ou que fazem pesquisa com o vírus em questão.

  1. Lavar as mãos. Todo mundo quer lavar as mãos rapidinho, mas o recomendado é que cada lavada de mãos seja feita por 20 segundos com água e sabão. Você pode fazer isso cantando (mentalmente) hits que farão os 20 segundos passar bem rápido e você não ficará entediado lavando as mãos. Na dúvida, cante o refrão de Evidências 😛
  2. Está se sentindo mal (febre, tosse, coriza, dor de garganta, congestão nasal ou falta de ar)? Fique de molho em casa!
  3. Sabe aquela viagem para aquele congresso no exterior que você estava planejando para este mês? Considere cancelá-la. Fique ligado para ver se o local para o qual você viajaria é uma área de risco e se está havendo bloqueio de fronteiras. Tente remanejar a passagem com a companhia aérea. E caso você tenha chegado recentemente ao Brasil após uma viagem internacional, a orientação é que você fique em casa por sete dias, apresentando sintomas de COVID-19 ou não.
  4. Leve sempre um potinho de álcool gel na mochila. E se a grana do mês estiver sobrando, presenteie um amigo ou ente querido com um pote de álcool gel. Na minha experiência no Brasil, pelo menos metade dos banheiros das Universidades ou tem sabão diluído em água ou nem tem sabão para lavar as mãos. Por isso, é sempre bom garantir que você vai conseguir limpar as mãos quando estiver fora de casa.
  5. Tocou em alguma superfície de uso coletivo, como corrimão, maçaneta, banheiro do busão, banco, etc.? Então não toque no seu rosto! Evite principalmente tocar nos olhos, nariz e boca. Ou seja, não dê aquela coçada no olho pra tirar remela, não cutuque o nariz, não roa a unha. Lave bem as mãos antes de fazer isso.
  6. Etiqueta para espirro e tosse: use o seu braço para cobrir o rosto quando espirrar ou tossir! Ao estilo do Drácula. Você lembra do costume da sua avó ou do seu avô de sempre levar um lencinho no bolso? Use esse lencinho para cobrir o rosto quando tossir ou espirrar. Você vai barrar a dispersão de muitos patógenos com esse gesto simples.
  7. Evite aglomerações, ainda que você se sinta saudável. A redução de contato social é eficiente para frear a dispersão da doença.
  8. Em encontros sociais presenciais, considere trocar o aperto de mãos por outros cumprimentos gentis, porém de menor risco, como o toque de pés (footshake) ou somente comunicação verbal.
  9. Não há evidências de que animais domésticos possam transmitir o vírus que causa a COVID-19. Entretanto, caso você tenha que permanecer em casa, garanta que seus pets tenham alimento suficiente para os dias de reclusão. Caso haja qualquer mudança em relação às informações sobre infecção de cães e gatos pelo novo coronavírus, nós vamos atualizar o post, então fique ligado!
  10. Se você se sente mal, ou está em período de observação, evite ao máximo o contato com animais silvestres. Isso pode evitar que haja transmissão de vírus a partir de humanos para outras espécies de animais. Esta dica é especialmente importante em países que têm mercados de animais, mas sabemos que no Brasil o contato com animais silvestres não é incomum. Além disso, temos milhares de profissionais que trabalham com animais silvestres no Brasil. Se você é um deles, confira as dicas da Organização Mundial para a Saúde animal aqui.
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Ações individuais que podem ajudar muito a frear o avanço a pandemia de COVID-19. Fonte da imagem: OMS (https://youtu.be/mOV1aBVYKGA)

O que as universidades, escolas e demais instituições de ensino estão fazendo?

É importante você notar que as informações a seguir vão mudar rapidamente, então busque se atualizar junto à sua instituição!

As universidades têm adotado uma série de medidas para tentar frear o avanço da pandemia, dentre elas cancelar eventos e reuniões presenciais. A Unicamp já declarou suspensão de atividades de 13 a 29 de Março. A UnB suspendeu as atividades por cinco dias, bem como fizeram as escolas no Distrito Federal.

Na USP houve a criação do Comitê Permanente USP Covid-19 para tratar de assuntos relacionados à pandemia. O Departamento de Geografia, onde houve o primeiro caso confirmado na USP, cancelou suas aulas. O Instituto de Biociências da USP enviou um comunicado com recomendações no sentido de diminuir o contato social.

Na UNESP (que tem 24 campi) houve a criação do Comitê Unesp COVID-19. No geral houve suspensão de atividades com a terceira idade e outros grupos de risco, e quarentena de 14 dias para pessoal que esteve no exterior.

É de comum acordo que diversos locais de trabalho estão priorizando atividades coletivas virtualmente (por Zoom ou Skype), bem como uma rede de comunicação efetiva regional para a profilaxia de COVID-19, como neste site da USP.

Aqui na Massey University, onde eu estou iniciando minhas atividades como postdoc, uma das medidas é aumentar o espaço entre alunos na sala de aula e durante as provas.

O que o governo do Brasil está fazendo?

O primeiro caso no Brasil foi detectado no dia 26 de fevereiro de 2020. Antes disso, o Brasil já havia decretado emergência sanitária frente a situação global do COVID-19 em 4 de fevereiro de 2020, o que agilizou as políticas públicas referentes a disponibilização de verba para tratamento de futuros pacientes, bem como orientações oficiais para períodos de quarentena. No dia 12 de março de 2020, o governo brasileiro anunciou a contratação de mais de cinco mil médicos, bem como mais dois mil leitos em UTI para tratar os pacientes.  Além disso, a FioCruz vai distribuir 30 mil kits para para teste diagnóstico para o novo coronavírus influenza A e B  em mais de 14 estados brasileiros. Você pode acessar um sumário das ações federais em relação a pandemia clicando aqui.

O que as outras nações estão fazendo?

Isolamento de cidades inteiras, bloqueio de viagens internacionais e registro de temperatura em massa em aeroportos são algumas das ações que ocorreram nos últimos dias.

Seria uma pretensão grande demais sumarizar todas as ações importantes que os 127 países que já identificaram COVID-19 (e também os países que ainda não detectaram casos) estão tomando. Por conta do tamanho desta tarefa, decidimos criar um diário sobre a COVID-19 aqui no blog, que vai nos ajudar a acompanhar os acontecimentos mais notáveis em nível nacional e internacional, a partir do dia em que foi a pandemia foi reconhecida como tal. Fique ligado nas atualizações do diário!

Além disso, no final deste post você encontra sites confiáveis com informações atualizadas constantemente sobre COVID-19. Veja as notícias selecionadas por ordem cronológica inversa. Compartilhe essas informações pessoal! Sharing is caring!

Diário da pandemia de COVID-19 (causada pelo SARS-CoV-2)

Atenção, este diário não lista todas as notícias relevantes sobre COVID-19 no mundo. Listamos diariamente os acontecimentos mais gerais em escala nacional (foco principal) e internacional.  

Fontes de informação confiáveis (foco em prevenção)

  1. CDC https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/summary.html
  2. Organização Mundial da Saúde (https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019)
  3. Ministério da Saúde (https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus)
  4. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/destaques/perguntas-e-respostas-tire-suas-duvidas-sobre-o-novo-coronavirus)

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