Pergunte-nos o que quiser! (6ª edição)

Pelo sexto ano consecutivo abrimos um post dedicado a perguntas gerais. Só que agora estamos fazendo isso no primeiro semestre. E com novidades!

Já virou tradição aqui no blog um post do tipo “Pergunte-nos o que quiser!” no segundo semestre de cada ano.

Só que este não está sendo um ano normal, como vocês já devem ter notado. Quando a normalidade sai dos trilhos, temos uma boa oportunidade para experimentar coisas novas. Aqui no blog resolvemos experimentar as lives. Participamos de algumas e organizamos duas até o momento. Vocês podem conferi-las aqui.

Notamos que as lives, no fundo, têm o mesmo espírito dos posts de perguntas gerais. Só que ao vivo e se mexendo. Então por que não fazer um crossover?

Para misturar esses dois mundos, aqui neste post vamos responder as perguntas que não conseguimos atender nas duas lives anteriores. Também abriremos o espaço dos comentários para vocês nos fazerem novas perguntas.

Podem então nos perguntar o que quiserem, dentro do escopo do blog. Se preferirem, podem direcionar a pergunta a apenas um de nós ou a todos. Na verdade, as perguntas também podem ser respondidas pelos próprios leitores do blog. Vamos conversar!


Perguntas que sobraram da primeira live

Live do blog sobrevivendo na ciência

Ingrid Lima: Pressão e cronogramas atrasados (live libertadora)

Resposta do Marco: estou vendo algumas instituições, até mesmo a Capes, tomando medidas para flexibilizar prazos e condições. Isso é ótimo! Outras instituições, por sua vez, estão mantendo a pressão habitual. E ainda há algumas instituições que estão em completo silêncio, à deriva. Assim, é difícil prever o que acontecerá em cada caso específico. Ainda mais no cenário político e econômico caótico em que estamos. Aproveito para agradecer publicamente à PRG-USP e à PRPG-USP pelo excelente gerenciamento da crise e pela comunicação clara com docentes, alunos e técnicos. Meu conselho é: foque na sua saúde em primeiro lugar, depois ajude quem você puder, e só depois pense nas pressões acadêmicas.


Solimary: ​mas porquê se aceleraria o peer review?

Resposta do Marco: em crises como esta, cuja solução envolve a produção de conhecimento científico novo, muitas vezes o processo de peer review é acelerado para que as descobertas sejam divulgadas quase em tempo real. No geral, a revisão por pares continua sendo feita com o rigor habitual, mas rolam algumas diferenças ao longo do processo de publicação. Por exemplo, manuscritos sobre o tema que está na berlinda acabam sendo passados na frente na fila de revisões das revistas (streamlined review). E os preprints, que são uma fase intermediária do processo de publicação, acabam se fortalecendo como uma espécie de fórum público pré-revisão. Isso tem vantagens e desvantagens, como visto outras vezes, por exemplo no surto de Zika vírus alguns anos atrás.


Rodolfo Liporoni Dias: ​Sobre preprints e novos modelos oriundos dele, sabem se já existe um overlap journal na nossa área de Ecologia? Que é uma forma de revisar preprints por pares né…

[Rodolfo Liporoni: Overlap journal, qdo um grupo de pesquisadores voluntariamente revisam preprints e dão alguma certificação e publicam suas revisões tbm, pelo que entendi, é isso..]

Resposta do Alexandre: me baseando na própria explicação do Rodolfo sobre o que é um overlap journal (inclui-a aqui), acredito que não. Não ouvi falar de nenhuma iniciativa desse tipo na área da Biodiversidade. O mais próximo disso seriam as post-reviews, nas quais especialistas avaliam o paper depois de ele ser publicado. Mas isso também não foi para frente.

Resposta do Marco: eu não sabia o que é um overlap journal e fico grato por você me ensinar. Na verdade, até conheço uma iniciativa assim, mas não sabia que tinha esse nome. Trata-se da Peer Community in Ecology (tem de outras áreas também). Confesso que nunca interagi com eles mais de perto, mas achei a ideia interessante. Uma hora vou submeter um manuscrito a eles só para experimentar.


Guilherme Garbino: Eu entendo a significância dos preprint pra estudos que precisam ser publicados rapidamente (como em medicina e quimica, por exemplo). Mas qual o valor de preprint na nossa área de ciencia basica?

Resposta do Marco: os preprints também são importantes na ciência básica, apesar de ainda não serem usados rotineiramente na maioria das disciplinas. Essa importância não tem a ver apenas com velocidade, mas principalmente com tornar o processo de produção do conhecimento mais transparente e menos enviesado para resultados positivos. Dê uma lida neste post, onde conto mais sobre os prós e contras deles.


Fabiana Ferreira: ​Quero saber: Na opinião de vocês, por que mesmo com todas as recomendações de isolamento social, muitas pessoas continuam seguindo suas vidas normalmente e lotando praças, feiras, etc.?

Resposta do Marco: penso que por várias razões, mas aqui vou focar nas três que considero as principais. Primeiro, pensando na escala local, a esmagadora maioria das pessoas no Brasil trabalha na informalidade ou em atividades de baixa tecnologia, que não podem ser feitas em home office. Para essas pessoas, não sair à rua para buscar o pão significa não ter pão algum para por na mesa, então precisamos discutir seriamente a criação de uma renda básica universal (e não apenas emergencial). Segundo, e agora pensando no mundo todo, sempre que uma catástrofe acontece, a primeira reação da maioria das pessoas é a negação, seguindo as etapas do luto do modelo de Klüber-Ross. Terceiro, as pessoas conseguiram politizar até um vírus (!), então aderir ou não às medidas de controle sanitário agora depende da orientação política da pessoa.

Resposta do Alexandre: Creio que há diversas razões para isso acontecer e muitas delas apenas se correlacionam com o efeito, mas não o causam. É interessante ressaltar que isso não ocorre apenas no Brasil. Itália, Estados Unidos, Reino Unido (talvez algum outro que eu esteja esquecendo) tiveram o mesmo problema. Então é difícil saber.


Guillermo: Linguagem baseada na empatia

Resposta do Marco: na minha opinião, o melhor método para aprender esse tipo de linguagem é a comunicação não-violenta (CNV para os íntimos). Sugiro, além de visitar o site mencionado, ler o livro “Comunicação Não-Violenta”, do Marshall Rosemberg. Para quem tem filhos, outro livro excelente é o “Educação Não-Violenta”, da Elisama Santos.


Lia Kajiki: ​Vários patógenos humanos (SARS, gripe aviária, hendra, nipah, etc) são zoonóticos e surgiram por transmissão indireta (ex.alimento). Mudanças no hábito alimentar reduziriam os riscos de contágio?

Resposta da Renata: Oi, Lia! Já tivemos um início de conversa por mensagem direta sobre isso, e vou desenvolver a resposta aqui. O contato descuidado com a carne, bem como o manuseio e ingestão de carne mal cozida, podem transmitir diversos patógenos e parasitas, seja essa carne provinda de animais domésticos ou de animais silvestres. E, não, isso não é um problema só na China. Basta pensar nas condições sanitárias da maioria dos mercados centrais de muitas cidades brasileiras, onde são vendidos vários animais vivos em gaiolas.

Novos patógenos podem levar ao surgimento de novas doenças, como no caso da assustadora COVID-19. Entretanto, uma vez que um patógeno consegue se replicar em humanos, o fato de as pessoas serem onívoras ou não não vai mudar a chance de uma epidemia se estabelecer. Uma vez que o patógeno se replica irrefreavelmente no ser humano, aí não adianta mais controlar a dieta. Já é tarde demais.

Isso significa que é importante que haja protocolos muito sérios de saúde para produzir, transportar, comercializar e preparar carne. É importante repensarmos a forma como temos produzido carne, considerando especialmente o confinamento feito na criação intensiva e a falta de variabilidade genética nos animais de produção. Esses fatores aumentam a nossa susceptibilidade a doenças emergentes. Somando a eles os impactos ecológicos da pecuária, deveríamos escolher com cuidado de qual produtor compramos a carne que servimos nas nossas mesas, pensando em novos mecanismos de certificação. Deveríamos também repensar a quantidade de carne que consumimos.

Nos ambientes naturais, o mais importante seria frear a caça e o tráfico ilegal de animais silvestres, pois esses processos, além de criarem vários outros problemas, vêm acompanhados de péssimas condições de transporte e manuseio para os bichos e para os humanos em contato com eles. Enquanto consumidores, temos algum poder de escolha dos produtos que utilizamos, e as nossas escolhas podem apoiar ou não o status quo da produção de carne.

Entretanto, é importante ressaltar que o risco de spillover que leve a uma pandemia em humanos é muito difícil de prever, mas já conhecemos importantes fatores ecológicos que se correlacionam com hotspots de doenças (áreas de alto risco). O risco de doenças emergentes infecciosas é alto em regiões tropicais florestadas que sofrem rápidas mudanças no uso da terra e onde a biodiversidade de mamíferos é alta. Sabemos também que mudanças climáticas podem contribuir para o espalhamento de novas doenças e moléstias (como o aumento de mortes por malária, alagamentos e desastres naturais). A pecuária intensiva não é favorável para amenizar as mudanças climáticas. Estimar o quanto cada um dos diversos fatores influencia o surgimento e espalhamento de um novo patógeno é uma equação complexa e cheia de incertezas.

De qualquer forma, temos um grande volume de conhecimento acumulado ao longo dos séculos desde a descoberta dos microorganismos. Pandemias anteriores, como a gripe espanhola de 1918 e a SARS de 2003 também foram oportunidades em que pudemos aprender muito. Sabíamos que era só uma questão de tempo até uma nova pandemia surgir e já vínhamos nos preparando para esse cenário. Contudo, prever exatamente quando, onde e como surgirá uma nova pandemia é algo extremamente difícil. Mais difícil ainda do que avançar a parte científica da solução desse tipo de crise é coordenar a parte política. Uma pandemia só pode ser prevista ou controlada através da ação conjunta de vários atores sociais, incluindo profissionais da saúde, cientistas, políticos, líderes comunitários, empresários, militares e cada um de nós individualmente, como cidadãos.

Leitura recomendada: Is the coronavirus pandemic related to meat production and consumption? We ask the experts


Perguntas que sobraram da segunda live

Sobrevivendo na Ciência um dia de cada vez

Priscila Souza: ​Quanto do seu rendimento caiu com o home office?

Resposta do Marco: continuo trabalhando muito, com dias melhores e outros piores. Basicamente, dei uma pausa na pesquisa e foquei em cuidar dos meus orientados e alunos. Estou no semestre em que concentro todas as minhas disciplinas e a conversão delas de presenciais para remotas emergenciais está tomando muito mais tempo do que eu poderia imaginar. Quanto à produtividade em si, há dias em que o meu ânimo piora e, naturalmente, não trabalho bem. Tenho tentado não me culpar por ter dias ruins, pois é importante fazer um processo de luto em situações como a que estamos vivendo. O foco agora deve estar em sobrevivência e empatia, não em produtividade.

Resposta do Alexandre: Consideravelmente. Consigo me concentrar por menos horas e tem dias que simplesmente não consigo me concentrar. Mas não é a hora para me preocupar com isso. Por isso, estou tranquilo com o “baixo” rendimento.


Gustavo Luis Schacht: ​Qual o momento “ideal” de se pensar em um pós-doc? No fim do doutorado…quando já está com algum tempo de carreira?

Resposta da Renata: oi, Gustavo, acredito que é uma boa começar a pensar em oportunidades para pós-doutorado pelo menos uns seis meses antes da defesa. Os preparativos para o pós-doutorado podem levar meses desde a aprovação, oferta de emprego e logística para assumir o novo cargo. Por isso, começar a pensar com antecedência pode reduzir o tempo que você vai ficar no limbo sem ser pago após defender seu doutorado.

Resposta do Marco: ouça a Renata! Entre você submeter um projeto de postdoc a uma agência de fomento e receber uma primeira resposta, passam-se pelo menos uns três meses, na melhor das hipóteses. Mesmo que você ganhe o seu postdoc de primeira, ainda rola uma burocracia pesada no caminho que leva do resultado ao primeiro pagamento. Mas, se essa primeira resposta for negativa e você recorrer da decisão, lá se vão mais outros meses negociando com a tal agência. Se você não puder recorrer ou o seu recurso não for deferido, o cronômetro zera e o processo começa todo de novo em outra agência.  Portanto, fora os meses elaborando o projeto e negociando condições e expectativas com o potencial supervisor, conte com pelo menos uns seis meses entre submeter o projeto e ter a grana caindo na sua conta, no cenário mais otimista possível. Esse timing é especialmente crítico, se você não tiver uma reserva de emergência ou outra fonte de renda para se manter durante a entressafra. Entretanto, algumas pessoas com bom networking ganham bolsas de postdoc já prontinhas para o uso, vinculadas a algum projeto guarda-chuva do respectivo professor. Mas essa é a realidade da minoria da minoria.

Resposta do Alexandre: ouça a Renata e o Marco! Eu estava com tudo alinhado para o pós-doc um ano antes da minha defesa e ainda fiquei seis meses à deriva. Os processos de revisão e a burocracia levam tempo, então se programar é fundamental. Porém, também é um momento fundamental para você pensar se é realmente isso que você quer, ou se está programando o pós-doc simplesmente porque sim. O doutorado não é um período fácil e, às vezes, pode mostrar que a academia não é sua praia. Se isso acontecer, pode valer a pena repensar algumas prioridades.


Elvira De Bastiani: ​Parte II – Quais seriam as sugestões p/ pós-graduandos para tapar a ”defasagem” provocada pela pandemia? Neste contexto, ressalto que a saúde mental vem em primeiro lugar, obviamente!

Resposta do Marco: excelente pergunta. O fato é que a carreira acadêmica é uma das mais competitivas que existem. Logo, por mais duro que isso seja, esta crise acentuará desigualdades também dentro da academia. Quem tiver condições de continuar escrevendo papers em meio ao caos ganhará uma vantagem enorme sobre os concorrentes. Quem mais sairá perdendo, no mundo todo, provavelmente serão as mesmas pessoas que já largam atrás nessa corrida supostamente meritocrática. Bom, tendo isso em mente, o importante é não entrar em paranoia e cuidar primeiro do seu bem-estar, pois não existe produtividade sem saúde. Depois que você tiver se adaptado à nova realidade do mundo e chegado a um novo equilíbrio, comece focando em uma microtarefa por dia e vivendo um dia de cada vez. Para ajudar a produzir de forma eficiente e saudável, sugiro buscar um bom treinamento emocional, por exemplo na psicologia, psiquiatria, religião, artes marciais ou onde for melhor para você.  Não basta procurar tratamento apenas quando você estiver se sentindo mal. Tente fortalecer a sua saúde mental de forma preventiva, assim como você faz atividade física regularmente para manter a sua saúde corporal. Também é fundamental aprender um bom método de gerenciamento do tempo.


Camila Abelha: ​Outra pergunta, o que pensam do ensino remoto? Pensam que chegou o momento de repensar o volume de aulas expositivas que damos nas universidades?

Resposta da Renata: Acho que o ensino remoto é uma boa estratégia, mas acredito que o volume de aulas deva ser repensado. Estudos recentes sugerem que aulas puramente expositivas de 1 hora ou mais não são eficientes.

Resposta do Marco: sou um grande entusiasta do ensino remoto. Aliás, os métodos mais modernos de EAD ou MOOC sugerem até que se produza videoaulas de no máximo 15 min, dando preferência a dividi-las em blocos coerentes de até 5 min. Além disso, aulas presenciais e videoaulas sempre devem vir acompanhadas de um mix com diferentes atividades passivas e ativas. Voltando ao ponto, mesmo quando algumas disciplinas do ensino superior voltarem a ser presenciais, deveríamos repensar seriamente esse excesso de aulas expositivas e investir mais em pedagogia ativa e estudo autônomo.


Ita Sign Language: ​(Aldo) Como estudar e concentrar, mesmo que pouco na quarentena? Eu estou estudando por tópicos e algumas vezes dá certo…

Resposta da Renata: Primeiro, é importante avaliar se você está bem de saúde. Depois, elencar o que seria importante estudar e se dedicar a cumprir um tópico por dia (Dica da Arata Academy).

Resposta do Marco: ouça a Renata e, primeiro, cuide do seu bem-estar. De qualquer forma, produzir, mesmo que seja um pouco por dia, pode até ajudar você a se sentir melhor. Experimente técnicas como a meditação oriental, que ajudam muito a melhorar a concentração. Há também excelentes práticas criadas pelos filósofos estoicos. Foque em apenas uma microtarefa por dia e, conforme você conseguir cumprir cada uma delas e se sentir realizado, aumente a carga com cuidado.


11gislene: ​Saia justa: no “pós” Covid19 continuaremos ministrando dezenas de horas de aula para centenas de alunos? Publicando papers para serem citados pelos pares e pouco considerados em decisões políticas?

Resposta do Marco: penso que crises são momentos em que as cartas são re-embaralhadas. Portanto, quem consegue sobreviver ganha uma excelente oportunidade de repensar o jogo. Poderíamos, por exemplo, repensar o excesso de trabalho de baixa qualidade que tanto nos sufoca. Não seria melhor investirmos em um volume menor de trabalho, mas de alta qualidade e sintonizado com propósitos claros? De qualquer forma, quero deixar claro que papers lidos apenas pelos pares são uma parte fundamental da ciência, que deve ser feita em conjunto com a divulgação do conhecimento à sociedade e a assessoria direta aos tomadores de decisões.


Ita Sign Language: ​—> para que. Dá aulas remotas, o que acham em reduzir o conteúdo total?

Resposta conjunta: Somos a favor! Veja as nossas respostas anteriores à Camila Abelha.


Laura Leal: ​A pressão por produção já estava levando a gente para um caminho de perda de saude mental severa antes. Manter isso agora, sem questionar, é insano.

Resposta do Marco: concordo plenamente. Apesar de a nossa carreira ter uma pressão inerente, devemos evitar pressão adicional desnecessária causada por comportamentos tóxicos ou práticas sem sentido.


Rafael Rios: ​Marco, qual programa você está usando para fazer a live?

Resposta da Renata: nós usamos a plataforma gratuita Streamyard. Conheci essa plataforma ao participar de algumas lives do Doutorando numa Fria.

 

(Fonte da imagem destacada)

5 respostas para “Pergunte-nos o que quiser! (6ª edição)”

  1. Obrigada pela resposta! Adoro vcs! Acredito que o pós pandemia seja uma ótima oportunidade, que pela necessidade de reduzir a concentração de pessoas nos ambientes, para realizar aulas invertidas e reduzir o tempo de aulas expositivas sem ser julgado por reduzir a carga do aluno em sala de aula mesmo sem compromenter a aprendizagem.

    1. De nada, Camila! Inshallah isso aconteça! Infelizmente, a pedagogia ativa ainda enfrenta muita resistência. Primeiro, por parte dos professores mais old school, que ainda não entenderam que não somos mais oráculos e a informação pode ser obtida de várias fontes. O papel do professor hoje é ajudar os alunos a escolherem fontes e ligarem os pontos para construir conhecimento de qualidade. Segundo, por parte dos próprios alunos, que acham que professor que reduz tempo em sala é vagabundo. Bom, acho que uma crise épica como esta tem mesmo o poder de mudar mentalidades. Vamos ver como a próxima geração de alunos, depois dos millennials e dos iGen, se comportará. Será uma geração criada na crise e não na bonança, que terá que lutar duro por oportunidades.

  2. Meu resultado não deu o esperado, e agora?
    Como posso discutir o resultado de uma parte do meu doc sem forçar a barra nem dar um tiro no pé?
    Como fazer para lidar com a frustração de um trabalho que você se dedicou horrores e alguém olha para seus resultados não-esperados e diz “é, acho que não vai dar para publicar em uma revista muito boa”?

    1. Ótima pergunta, Ana! Calma, nem tudo está perdido! E, na verdade, a situação pode ser bem melhor do que você imagina. Primeiro, é importante entender o que exatamente está acontecendo. Essa parte do seu doc está mesmo dando errado ou você apenas obteve um resultado diferente do que esperava? No primeiro caso, um fail no sentido estrito, leia este post: https://marcoarmello.wordpress.com/2013/01/22/projetofail/. No segundo caso, não se desespere. Se você construiu bem a lógica da sua hipótese e, mesmo assim, a previsão não se confirmou, isso pode render uma discussão muito interessante. Essa discussão pode ser focada nas premissas do próprio argumento que levou à hipótese. Ou seja, ela deve revisitar o conhecimento estabelecido sobre o tema. Excelentes trabalhos com resultados que contradiziam paradigmas vigentes foram publicados e mudaram o nosso entendimento sobre diferentes fenômenos. Logo, a qualidade da revista onde você conseguirá publicar esses resultados depende muito da solidez das bases da sua ideia. Você pode publicar bem tanto resultados positivos, quanto negativos, desde que o projeto em si esteja muito bem contextualizado.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.