Faça backup!

Na moral, nunca te pedi nada! Se não quiser, nem precisa ler o resto deste post. Mas faça backup!

Ufa, desabafei! Agora posso escrever com calma.

Já testemunhei verdadeiras histórias de horror na Academia. Por exemplo, “Teses Frustradas”. Ou “Uma Dia o Notebook Cai”. Lembro ainda de assistir, preso a noite inteira dentro de um shopping com gente estranha, “A Madrugada dos Dados”.

Agora, falando sério, transforme o backup em rotina na sua vida acadêmica. Existem infinitas maneiras de você perder os arquivos, dados, análises, figuras, vídeos, gravações, códigos e textos que preparou com tanto carinho ao longo de anos.

Já imaginou ter o seu notebook roubado, faltando um mês para a defesa do seu doutorado ou livre-docência? Sim, já vi isso acontecer. E mais de uma vez.

Para que não seja você a próxima vítima, seguem algumas dicas práticas.

1. Use um sistema de backup na nuvem em tempo real

Estamos em 2020, a todo vapor dentro do século XXI. Se você é cientista e ainda não usa serviços de computação na nuvem, está dando mole.

Tem para todo gosto: iCloud Drive, Dropbox, Google Drive, OneDrive, Adobe Creative Cloud e por aí vaí. Experimente alguns deles e escolha o que lhe parecer melhor. São todos gratuitos em suas versões básicas, que atendem às necessidades da maioria.

E, se o básico não for suficiente, saiba que é capaz de você já ter acesso a alguns serviços premium e nem saber. Por exemplo, quem usa o MS Office original, com a assinatura do Office 365, tem direito a 1 TB na nuvem do OneDrive. Se você assina o Photoshop, Acrobat ou outro produto original da família Adobe, tem direito a 1 TB ou mais na nuvem da Adobe Creative Cloud. Quem é aluno, funcionário ou professor da USP tem acesso ao Google corporativo e espaço ilimitado (!) na nuvem do Google Drive.

Depois de fazer a sua escolha, não fique só na nuvem. Configure o app do respectivo serviço no seu computador. Escolha uma ou mais pastas locais para serem sincronizadas em tempo real com a nuvem.

Dê preferência às pastas mais importantes do seu projeto principal: TCC, dissertação, tese, postdoc, jovem pesquisador, livre-docência, livro, artigo, programa ou seja qual for a bola da vez. Alguns serviços dão espaço gratuito para você sincronizar ainda muito mais coisas, na casa dos gigas ou até mesmo teras.

Assim, enquanto você trabalha localmente em um determinado arquivo, ele estará sendo copiado automaticamente em segundo plano para a respectiva pasta na nuvem.

Além de ter esse backup instantâneo sendo feito para você, ainda há outras vantagens nessa estratégia. Por exemplo, você manterá o seu projeto sincronizado entre o notebook de casa e o desktop do laboratório, podendo mudar de local de trabalho à vontade, sem perder tempo com transferências de dados manuais.

Olha que maneiro: com a ajuda de um bom app, você terá ao mesmo tempo cópias sincronizadas do seu projeto em dois computadores e ainda na nuvem.

Tutorial 1: como configurar o Google Drive no seu computador.

Obs: o tutorial acima e os tutoriais a seguir são apenas exemplos. As instruções variam dependendo do tipo de computador, do sistema operacional e da nuvem que você usa.

2. Complemente a nuvem com um backup físico

Isso pode soar meio “século XX”, mas vale a pena.

No seu computador principal, por exemplo o desktop do laboratório, use também um app de backup físico associado a um generoso HD externo. Tem que ser um HD com tamanho igual ou maior ao do HD interno do seu computador. Na verdade, ao invés de um HD no sentido estrito, prefira um disco de estado sólido (SSD). Os SSDs processam dados muito mais rápido e duram muito mais tempo do que os velhos HDs ópticos.

Há programas gratuitos de backup físico para todas as plataformas, como o Apple Time Machine, o Backup e Restauração do Windows 10 ou o Cobian Backup for Windows. Eles fazem backup em segundo plano, sem você notar, em tempo real. Os melhores programas ainda funcionam como sistemas de controle de versões (VCS, veja mais sobre isso daqui a pouco) .

Outra vantagem é que em um backup físico externo cabe um volume de dados bem maior do que em uma nuvem gratuita. Isso te permite manter pelo menos um backup completo de todos os seus arquivos e não apenas do seu projeto mais importante.

Assim, o cenário fica mais maneiro: você terá cópias do seu projeto no notebook de casa, no desktop do trabalho, na nuvem e ainda terá uma cópia completa do seu computador em um SSD externo.

Tutorial 2: como configurar o backup automático do Windows 10.

3. Use sistemas de controle de versões

Agora, a azeitona do pastel!

Os VCS, que eu mencionei na dica anterior, são uma mão na roda! Imagine, por exemplo, que após editar por horas um determinado texto, você mude de ideia e queira reaproveitar algumas frases de um parágrafo que sumiu. Se você estiver usando um VCS, fazer resgates e combinar partes de versões diferentes é moleza.

Hoje em dia, até mesmo programas quadradões, como MS Word, vêm com VCS embutido. Não notou? Então abra um documento do Word e dê uma olhada no menu “Arquivo>Navegar pelo Histórico de Versão”. Na verdade, se você usar o app local do OneDrive associado ao MS Office, terá acesso ainda a um VCS bem mais profissional na nuvem. Tem VCS embutido até no Google Docs, que permite dar nomes às versões de um mesmo arquivo.

Cada tipo de arquivo pede um tipo de VCS diferente. Como dito, versões de textos podem ser controladas dentro do próprio editor usado para escrevê-las. A mesma coisa vale para planilhas. Fotos armazenadas em programas como o Apple Fotos também são controladas.

Já no caso de software, como por exemplo scripts, funções, pacotes e programas, sugiro fortemente usar um VCS específico para coding, como o Git. Nunca ouviu falar dele? Já, sim! Aposto que, se você curte fazer as suas análises estatísticas por programação, pelo menos já baixou algum script de R, Python, Julia, SciLab, Mathematica ou MatLab lá no GitHub. Ele nada mais é do que uma interface gráfica e online para o Git, que ainda por cima facilita muito a colaboração e a reprodutibilidade. Na Coursera, há um curso online maravilhoso sobre Git e GitHub, que eu recomendo fortemente.

Tem como o cenário ficar ainda mais maneiro? Tem! Seguindo as dicas 1, 2 e 3, você terá cópias do seu projeto no notebook de casa, no desktop do trabalho, na nuvem e em um SSD externo. E ainda poderá controlar versões de textos, códigos, fotos e outros arquivos de forma profissional.

Tutorial 3: como configurar o Git no seu computador.

4. Para guardar informações simples use a nuvem do respectivo programa

Vamos fechar com chave de ouro o seu plano de segurança: cuide também do backup de informações simples.

“Como assim, Marco?”

Tudo o que eu comentei até aqui envolvia arquivos e pastas. Mas, em alguns casos, basta salvar informações. Por exemplo, os contatos da sua agenda ou os compromissos do seu calendário.

A maioria dos programas de agendas, calendários, notas, lembretes e favoritos têm um serviço de computação na nuvem associado a eles. Isso permite fazer backup em tempo real. Basta ativar esse serviço nas preferências. Até o WhatsApp e o Telegram têm isso. E esses serviços permitem ainda que as suas informações sejam sincronizadas em tempo real entre todos os seus dispositivos, do tablet ao desktop, passando pelo videogame.

Dominar esse backup de informações é uma maravilha. Por exemplo, no começo do ano, troquei de celular e consegui clonar o antigo no novo em menos de 30 min, ainda na loja. Fiquei me sentindo mais organizado do que o Batman! Você pode até perder o seu celular, mas não perde as suas informações.

Olha que über-maneiro: você terá cópias do seu projeto no notebook de casa, no desktop do trabalho, na nuvem e em um SSD externo (e por que não em dois?). Poderá controlar versões de textos, códigos, fotos e outros arquivos de forma profissional. E, por fim, ainda terá informações guardadas e sincronizadas entre dispositivos.

Tutorial 4: como sincronizar seus contatos do Google.

5. Revise regularmente os seus sistemas de backup

Ok, se você seguir as quatro dicas anteriores, estará bem acima da curva acadêmica em termos de segurança de dados. Mas não confie cegamente em nenhum desses sistemas. De tempos em tempos, confira se as cópias estão saindo exatamente como você esperava. Como todo programa, apps de backup também podem dar bug ou crash.

Resumo da ópera

  1. Use um app de backup na nuvem para sincronizar localmente e remotamente os projetos principais em que estiver trabalhando;
  2. Use um app de backup físico associado a um SSD externo para manter atualizada uma cópia completa do seu computador;
  3. Use VCS para controlar versões de cada arquivo;
  4. Use o próprio serviço de backup de cada app para salvar as informações que ele gerencia;
  5. Confira regularmente se todos esses backups estão sendo feios corretamente;
  6. Faça backup;
  7. Faça backup do backup.

Conselho final

“Quem tem duas máquinas, tem uma. Quem tem uma máquina, não tem nenhuma.”

Sabedoria de fotógrafos

Para saber mais

Ouça este episódio do Nerdcast. Eles contam algumas histórias de horror sobre perda de dados e equipamentos, além de darem dicas sobre segurança.

(Fonte da imagem destacada)

Uma resposta para “Faça backup!”

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.