Pandemia do novo coronavírus, Parte 16: evitando o Pandemiceno

Oi pessoal,

Com as viagens internacionais voltando e o mundo se ajustando ao novo normal, fora as incertezas globais relacionadas às desigualdades na vacinação e à persistência da covid-19, muitas novas perguntas surgem. Essa doença vai ficar cada vez mais “amena”? Enfrentaremos outras pandemias em um futuro próximo? Quando estaremos realmente seguros?

Recentemente, saiu um artigo alarmante na Nature, que fala sobre um futuro que ninguém quer ver, envolvendo novas pandemias e um mundo nada ameno.

O artigo estima que, em um futuro próximo, ocorrerão centenas de novas interações entre diversas espécies de animais que nunca antes se encontraram nos mesmos ambientes. Isso dá margem para vírus perigosos pularem entre espécies, ameaçando também humanos e podendo causar novas pandemias.

É como se os animais estivessem em uma “dança das cadeiras”. As cadeiras são as áreas boas para eles viverem. Conforme a música das mudanças globais avança, menos cadeiras ficam disponíveis. Por isso, muitos passarão a sobrepor suas áreas de ocorrência. Devido a essa sobreposição aumentada, eles entrarão em contato uns com os outros muito mais frequentemente do que antes.

Tendo esse cenário em mente, uma das matérias de divulgação sobre o artigo lança uma provocação: nós, humanos, criamos o Pandemiceno. Essa nova era, inserida dentro de outra que já vínhamos chamando de Antropoceno, justamente por causa das mudanças causadas por nós, surgiu em consequência justamente dessas pressões humanas. Sim, por culpa nossa, relacionada a coisas como desmatamento, poluição, caça, comércio de animais silvestres, injustiça social e emissão descontrolada dos gases que geram o aquecimento global.

“Mas, Renata, esse negócio de aquecimento global é mesmo verdade?”

Sim, cara leitora! Não só é verdade, como previsões feitas há mais de um século já se concretizaram. O mundo já se tornou mais quente e desastres naturais, mais frequentes e imprevisíveis. Veja, por exemplo, como a Índia e o Paquistão têm sofrido com ondas de calor horrorosas, enchentes sinistras e perdas de colheita gigantescas. Essa é a nova realidade: um mundo assolado por eventos climáticos extremos cada vez mais comuns. Sim, a nova realidade já chegou aqui no Brasil, na forma de secas e enchentes exacerbadas.

É oficial. De acordo com o relatório do IPCC 2022, atualmente, os eventos climáticos extremos, incluindo o aquecimento, estão prejudicando sistemas naturais, rurais e urbanos por toda parte, colocando o mundo à beira de efeitos irreversíveis.


“Nossa, Renata, que bad! Há esperança de mudarmos esse cenário?”

Sim, cara leitora, sempre há esperança! Temos o que é preciso para reduzir as emissões dos gases do efeito estufa. Se esforços nacionais e internacionais conseguirem cumprir o Acordo de Paris, o aquecimento global ainda pode ser freado. Isso, fora várias outras medidas que ainda podem ser implementadas para proteger ambientes naturais e diminuir a poluição. Infelizmente, mesmo que consigamos frear o aquecimento, ainda na nossa geração, a dança das cadeiras fatalmente nos fará enfrentar novas epidemias e pandemias.

Por conta disso precisamos investir em preparação e adaptação! Ainda na nossa geração, outros “novos normais” provavelmente surgirão, então teremos que aceitar mudanças para não vivermos em negação. Muita gente ainda não conseguiu processar emocionalmente nem a atual pandemia, que dirá então as outras que nos espreitam, ali na esquina.

Pense seriamente sobre isso, cara leitora.

Por um lado, é claro que as mudanças mais importantes precisam ocorrer na esfera das nações, corporações e organizações internacionais. Não podemos colocar toda a responsabilidade por decisões globais nas costas dos indivíduos. É para isso que elegemos representantes!

Por outro lado, mesmo assim, podemos fazer a nossa parte. Nós, enquanto cidadãos, temos a opção de adotar hábitos que contribuem para um planeta mais saudável, fresco e limpo para as próximas gerações. Dentre esses hábitos, comece pelos mais fáceis e avalie como o seu estilo de vida responde à mudança. No fim das contas, estamos falando de escolhas pessoais focadas no bem coletivo.

Reduzir, reutilizar, reciclar, lavar as mãos, ficar em casa quando estiver doente, respeitar o amiguinho, tirar dúvidas com quem entende de cada assunto. Colocar em prática todos esses bons hábitos, que aprendemos lá no ensino infantil, é o passo mais importante de todos!

A humanidade já enfrentou muitas barras sem ter predito que elas aconteceriam. Não precisamos ir longe na história para sacar isso: pense nas pandemias, epidemias e endemias pelas quais os seus pais e avós passaram. Tipo a meningite nos anos 70, a polio nos anos 80, a dengue até hoje e por aí vai. Hoje, armados com modelos preditivos e projeções detalhadas, temos a faca e o tofu na mão para não sermos pegos de surpresa e evitarmos catástrofes.

Vamos usar as ferramentas que a ciência nos deu e tocar a bola pra frente, pessoal!

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