Dez anos da morte de Elisabeth Kalko

Hoje celebramos o legado de uma das maiores cientistas de todos os tempos.

Em 26 de setembro de 2011, o mundo acadêmico foi surpreendido pela notícia da morte da Profa. Kalko, durante uma expedição ao Monte Kilimanjaro, Tanzânia.

A Profa. Kalko, durante uma expedição à Reserva Ecológica Michelin, sul da Bahia, em 2009. Foto por Marco Mello.

Na época, eu trabalhava como pesquisador associado na Universität Ulm, Alemanha, onde a Profa. Kalko era chefe do Departamento de Ecologia Experimental (Bio3). Assim, ficamos sabendo do ocorrido em primeira mão.

Logo depois, a notícia correu o mundo. Diversos obituários foram escritos em revistas científicas e na imprensa. Também foram feitas dezenas de homenagens a ela dos mais variados tipos, como por exemplo a criação do Prêmio Elisabeth Kalko pela SBEQ. Editamos ainda um número especial da revista Chiroptera Neotropical em homenagem a ela.

Na verdade, isso tudo parece que foi ontem. Fiquei à deriva por anos, em luto, após perder a minha grande amiga e mentora. Ela me aconselhava à distância desde a graduação, tendo depois ocupado os papéis formais de coorientadora de doutorado, supervisora de postdoc e, por fim, chefe no meu primeiro emprego acadêmico como pesquisador associado. Foi ela quem me ensinou a ser cientista e a acreditar nos meus sonhos.

Além de ser uma excelente orientadora e cientista, ela era também uma pessoa sensacional. Uma verdadeira estrela que iluminava todos à sua volta. Com o tempo, a ferida causada por sua perda cicatrizou, apesar de nunca ter sarado completamente.

Hoje, terminando a semana do equinócio de primavera (Ohigan), gostaria de fazer uma homenagem especial à Profa. Kalko. Ela transformou profundamente não apenas a minha vida, mas também as carreiras de milhares de quiropterólogos ao redor do globo. Ela foi uma das maiores autoridades mundiais no estudo de morcegos, tendo inspirado profundamente a nossa forma de ver esses magníficos animais.

Palavras não são capazes de descrever a nossa gratidão, então cabe aqui apenas uma profunda reverência.

“E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos”

Legião Urbana, “Metal contra as Nuvens”
どうも ありがとう ございました。Fonte da imagem.

Foto destacada: A Profa. Kalko amava as figueiras, suas árvores favoritas. Foto por Katrin Heer.

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