A pós-graduação faliu no Brasil

Na quarta-feira, dia 8 de julho de 2015, por ironia o Dia Nacional da Ciência, recebemos em todo Brasil o anúncio catastrófico de que o governo federal, do nada, cortou em 75% a verba Proap, que sustenta a maioria dos programas de pós-graduação no Brasil.

Para quem não sabe, o Proap (Programa de Apoio à Pós-Graduação), fornece uma verba usada para custear várias despesas dos programas de pós-graduação brasileiros, incluindo participação de professores em bancas de mestrado e doutorado, diárias para alunos participarem de congressos e cursos, diárias para custear cursos de campo, conserto de equipamentos, serviços de terceiros em geral e muitas outras coisas.

Em janeiro deste ano o governo federal já havia cortado 1/3 da verba do MEC, sem consulta à comunidade de professores e cientistas e sem aviso prévio, medida autoritária e anti-democrática, feita sem negociação, consulta ou aviso, que deixou em cheque a Capes, assim como todas as universidades federais, centros de pesquisa, colégios técnicos e outras instituições de ensino. Na verdade, ficamos sabendo que esse corte seria feito ainda em outubro de 2014, mas apenas via conversas à boca miúda, sem anúncio oficial.

Agora veio a notícia do corte de 3/4 (75%!) no Proap, feita também sem consulta ou aviso, na calada da noite. Em resumo, a pós-graduação faliu no Brasil e com ela a pesquisa científica e a formação de novos cientistas. Dia 8/7 é nossa data de óbito. Este é o legado da nossa “pátria educadora”.

O blog está de luto.

Agradeço especialmente à Profa. Suzana Herculano-Houzel, que não tem medo de falar a verdade e tem divulgado a realidade da nossa ciência para o mundo todo.

“Diário da falência acadêmica brasileira”

Abaixo tenho divulgado notícias sobre o tema. Notem como a coisa só tem descido ladeira abaixo desde que publiquei este post. Dedico essas notícias especialmente às cheerleaders partidárias, que me xingaram, ameaçaram e difamaram em mensagens aqui do blog e também por e-mail e nas redes sociais.

A visão de mundo mais perigosa é a visão de mundo daqueles que não viram o mundo” – Alexander von Humboldt

Mantenho este post atualizado para preservar a memória sobre o problema, pois vivemos em tempos de guerra de desinformação de todos os lados. Os cortes autoritários feitos na educação, ciência e tecnologia começaram em 2014, não em 2016, após o impeachment, como muitos tentam fazer crer. Muitas cheerleaders partidárias querem rescrever a história, como bons membros do Ministério da Verdade do livro “1984”. Nenhum governo brasileiro nas últimas décadas, de nenhum partido, tratou educação, ciência e tecnologia com respeito. A questão não é ser a favor do governo A, B ou C: é ser a favor do conhecimento. Minha visão é que a Academia tem que ser uma força social maior, apartidária e atemporal, que não se curva a partidos ou modas, servindo como um farol para a sociedade.

Infelizmente, nos últimos meses, a polarização e a falta de diálogo que envenenam a nossa sociedade se intensificaram também na Academia, chegando ao ápice do caos com as invasões de escolas e universidades por alunos que se acham “politizados”, mas no fundo servem como fantoches para partidos.

Um país que não respeita educação, ciência e tecnologia, mudando sua política “de longo prazo” todo ano, não tem futuro.

Um país que não respeita a divergência de opiniões, humilhando e calando quem pensa diferente mesmo em assembleias universitárias, não tem futuro.

Um país que não respeita seus senseis, e no qual os aprendizes não têm mentalidade de iniciante (shoshin) e se julgam mais sábios do que seus mestres, não tem futuro.

Segue a cronologia das notícias ruins:

luto-6

Legenda (incluída em 12/07/15)

Muita gente interpretou errado este post (mas não a maioria, ufa!), então lá vai uma explicação adicional. Crises são momentos em que as cartas são re-embaralhadas, oportunidades para se reinventar e crescer. O luto aqui não significa jogar a toalha. Muito pelo contrário, significa um protesto, uma provocação. Nisso eu atingi meu objetivo, que era sacudir meus colegas e fazer eles discutirem o assunto e repensarem suas certezas. Minha mensagem principal é: precisamos repensar nosso modelo de pós-graduação e pesquisa no Brasil, precisamos parar de depender de uma ou duas fontes governamentais centrais quase que exclusivamente. Precisamos de múltiplas fontes de receita nos PPGs, inclusive a iniciativa privada, para termos autonomia concreta. Senão dependeremos para sempre do humor de cada governo.

Os custos de se fazer ciência em qualquer lugar do mundo, grosso modo, envolvem pagamentos pessoais (salários e bolsas) e auxílios à pesquisa (os famosos grants). Os grants cobrem todo tipo de gasto que se possa imaginar, desde reagentes e equipamentos de laboratório até xerox e diárias de membros de bancas de conclusão de curso. Na grande maioria dos estados brasileiros, grants individuais para pesquisadores ou projetos vêm do CNPq ou das FAPs, enquanto grants para PPGs vêm da Capes. Os PPGs de algumas universidades também contam com receita via grants das reitorias, que, nas federais, dependem basicamente da verba repassada pelo MEC e das taxas de bancada que algumas FAPs dão (overhead). Mas o grosso da verba de grants de PPGs federais, em alguns casos mais de 90% da receita, depende do Proap da Capes: foi isso que o corte do dia 8/7 atingiu.

Uma possível saída para a estupidez política que domina o mundo

Assista o video TED abaixo. As soluções propostas para a polarização venenosa que levou os EUA a uma eleição traumática também se aplicam ao Brasil. Enquanto continuarmos indo na onda de políticos que querem nos dividir, tanto à esquerda quanto à direita, nunca conseguiremos construir uma nação juntos.

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57 Replies to “A pós-graduação faliu no Brasil”

    1. Não é bem assim a realidade. Na UFMG tivemos todas as ordens de pagamento ligadas ao Proap canceladas do dia para a noite e estamos tendo inclusive que cancelar cursos e atividades, além de não podermos reembolsar alunos e professores que fizeram despesas por conta mês passado. Ficamos até junho com o Proap congelado, quando então nos disseram que havia sido liberado. Agora, um mês depois, veio o comunicado oficial do mega-corte. Ou seja, caos. Impossível fazer um planejamento sério, mesmo na escala de meses.

  1. Aviso: no caso deste post, dada a gravidade do tema e comoção que está causando, estou deixando os comentários rolarem mais soltos, tanto os pró quanto os contra. Contudo, continuo bloqueando comentários com ataques pessoais, ofensas ou chiliques de cheerleaders de partidos. Para quem estiver a fim de começar uma briga de baixo nível típica da internet brasileira recomendo ir fazer comentários no facebook, G1, Veja, Carta Capital ou afins, onde a baixaria rola solta. Aqui é lugar de gente que sabe se expressar com um mínimo de civilidade. Não concorda? Vá ler outro blog, tem um monte por aí.

  2. Isso é muito bom, por que a maioria dos Professores são Petistas, agora aguenta firme que ainda vem mais, isso só é o começo. Fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

  3. Na verdade ela já faliu a muito tempo quando deixou de ser um curso de ampliação de conhecimentos e criação de novos pensamentos para se adequar a lógica do Lattes de publicar a qualquer custo.

  4. Dois pontos:
    1- Fica difícil depender de capital privado no país pq a maioria das empresas caga 1 ton pra pesquisa. E quando investem, o fazem pra obter resultados imediatos. (há exceções, mas a regra é essa)
    2- As pessoas se esquecem que o governante é o reflexo de sua população. Se os governantes cagam para a educação, é de se questionar se a população não faz o mesmo. Bem por isso, não seria essa uma boa hora pra se investir em divulgação científica? Não mostrar que fulaninho descobriu a cura pra tal doença, mas mostrar o que é ciência, como é feita e pra que. E não só na TV, mas em escolas, comunidades e etc.

    Até pq, fica difícil mostrar que a ciência é algo bom, se ninguém sabe pra que serve…

  5. Só uma dúvida, eu vi que esses cortes mudavam de instituição para instituição. Na UFBA ele foi de 75%, mas na UFSM já foi de 68%. Pela matéria deu a entender que seria um corte uniforme de 75%, o que não é o caso.

    De qualquer forma, um dia triste para a pós-graduação que tanto apanha aqui…

  6. Infelizmente esse não é e nunca foi o melhor lugar para depender de governo! Inda mais no setor de Educação. Se o próprio governo é um malcriado, mal educado e mal votado. Por uma maioria desinformada que não é muito diferente. Mas agora não podemos mais contar com a política, porque dos que votaram nesses, poucos aparecem pra dar as caras.

  7. O pessoal tem comentado aqui sobre os dois lados da moeda, concordo plenamente, dá para se reestruturar em momentos de crise. O problema é que o governo realiza esses cortes subitamente. Não dá para reprogramar um orçamento de pesquisa da noite para o dia, já é difícil colocar os gastos na ponta do lápis, temos que nos desdobrar com os atrasos em repasses de verba e de repente… toda programação tem que ser refeita porque o governo simplesmente mudou as regras. Complicado.

  8. as coisas não sao assim tão simples e voce não pode acusar de carreirista alguem que como qquer outro deseja apenas um melhor futuro para si e sua familia. no regime CAPITALISTA em que vivemos assim operam as pessoas. imagina se um pesquisador americano, uma vez chamado a trabalhar, digamos, na Franca,teria algum prurido patriotico, ou fosse acreditar que seu trabalho beneficiasse apenas os franceses. num mundo onde a grande maioria dos pesquisadores russos ja’ imigrou para europa ou EUA? dream on!
    quem propoe o oposto e’ porque ou se sente recalcado por não ter tido a mesma oportunidade, ou esta’ preso a conceitos retardados de patriotismo que simplesmente nao mais funcionam no contexto globalizado que vivemos. de que adianta um pesquisador voltar ao brasil, e ser infeliz pelo resto de sua vida? uma pessoa a mais feliz no mundo e’ o que faz a diferença.

    1. Celso, eu concordo em grande parte contigo. Independente do sistema econômico ou político de um ou outro país, a ciência sempre foi, é e continuará sendo transnacional e transtemporal. O conhecimento que a ciência produz traz benefícios para a humanidade toda em uma escala de séculos, não décadas ou anos. Por isso, em tempos bons e em tempos ruins, cientistas devem circular pelo mundo, interagir e trabalhar com colegas por toda parte, ignorando solenemente fronteiras políticas, econômicas e culturais.

  9. A loteria, os salários do futebol, dos políticos deviam ser taxados e essa grana deveria ser canalizada pra pesquisa……há muitas fontes…..grana tem, mas é que o “sistema” leva tudo!

    1. Wilson, eu me pergunto: por que em momentos de crise o governo nunca corta na própria carne, mas sempre na educação e na pesquisa? Até na Espanha caíram nessa armadilha e estão perdendo alguns dos melhores cientistas de uma geração de ouro, formada nos anos 1990 e 2000.

      1. Velho, acho é nossa mentalidade, olha só….difícil compreender….maiores impostos do mundo, maiores juros do mundo, políticos com os maiores salários do mundo, piores serviços, nossa educação é uma merda mesmo, saúde uma bosta,….. não temos nenhum Nobel, pensa….
        Entre os BRICS
        Rússia (27)
        Africa do Sul (10)
        China (9)
        Índia (9)
        Brasil (0) = Intelectualmente IRRELEVANTE!

        Na América Latina:
        Argentina (5),
        México (3)
        Chile (2),
        Guatemala(2)
        Colômbia (1),
        Costa Rica (1),
        Peru(1),
        Venezuela (1)
        Brasil (0) = Intelectualmente IRRELEVANTE!

        …e ainda levamos 7 x 1 da Alemanha…..nem no futebol prestamos mais!!
        …..e o Dunga é o treinador…..e ninguém fala nada!

  10. No dia que eu vi policial batendo em professor no Paraná, eu coloquei que estava de luto No Facebook. Agora, lá vou eu pra mais um enterro. Brasil. Pátria Educadora (?)

  11. Eu vivi e fiz ciência no exterior por 2 anos e ao voltar não consegui dar continuidade a minha pesquisa porque não consigo financiamento e não há nenhum concurso aberto para minha especialidade. As faculdades particulares não contratam tão fácil doutores, pois são obrigadas a pagar salários mais altos. Há 7 meses estou desempregada e não consigo ver uma luz no fim do túnel. Nem tudo é preto e branco. E por mais que você seja patriota e queira fazer ciência de qualidade no Brasil fica impossível sem nenhum apoio, já que cientistas também comem e tem outras tantas contas para pagar.

    1. Exato. A carreira de cientista tem vários tons de cinza. E cientista também tem família, contas a pagar etc.

  12. Triste! Mas os cortes estão em todas as areas (de beneficio popular). Faço ciência fora do país a alguns anos já e a cada dia não sei se posso voltar. Eu gostaria de voltar um dia mas não vejo o Brasil levando ciência a serio (alias nenhum dos setores da educação) e isso me faz não querer voltar. Espero que um dia isso mude. E acredito mesmo que os cientistas que fazem trabalho de qualidade no Brasil são heróis e deviam ser mais respeitados. O problema e mais grave para os doutores e pos-doutores que apesar de muitas vezes fazerem um trabalho de ótima qualidade são sujeitos a salários ridículos e tratados como estudantes sem nenhum direito trabalhista. O problema e de base (e muitas vezes internacional ) e não vai melhorar com todos esses cortes. Mas vamos que vamos!

    1. (meu teclado nao tem acento) Ha dois lados a serem considerados: o da nossa carreira e o desenvolvimento da ciencia no pais.
      – Concordo ser desestimulante fazer pesquisa fora e voltar ao Brasil, se deparar com todas as dificuldades que jah estavamos acostumados (antes de sairmos do Brasil).
      – Por outro lado, eh exatamente de nos que o pais precisa, sabemos que nao seria facil trabalhar em condicoes muito aquem das que nos acostumamos fora, porem, o nosso regresso ao pais representa, ainda que a duras penas, uma ponta de esperanca na evolucao da ciencia.
      Eh injusto comparar Brasil x EUA, Brasil x Europa …, nao dah pra ser tao simplista e egoista. O pesquisador que, sentindo-se desestimulado a voltar e nao encarar um novo desafio, eh simplesmente um carreirista, o qual usurpou do Brasil na graduacao e agora nao dah a minima. Seu desempenho lah fora nao tera nenhum impacto no Brasil. Jah aquele que planeja voltar, enfrentar toda essa crise, trabalhar em universidades nao tops como as de fora, batalhar em concursos concorridos, esse sim tem um grande objetivo em mente e, consequentemente, vai colher os frutos de quando o Brasil retomar as redeas do crescimento economico.
      Resumindo, pensem nos dois lados.

        1. Eu te entendo, Denis, mas a coisa não é tão preto-e-branco assim. Você pode tornar o mundo um lugar melhor indo para um país de ponta e fazendo ciência de fronteira que beneficie a humanidade como um todo ou ficando no seu país e ajudando a desenvolver a ciência nele. Não há certo ou errado nesse tipo de escolha, não tem nada a ver com carreirismo ou egoísmo, mas sim com o perfil de cada um. Cientista não tem país, tem no máximo universidade. A ciência é uma cultura humana transnacional e transtemporal. Lembre-de do Nelson Rodrigues: “o patriotismo é o último refúgio do canalha”. Às vezes é fácil a gente se deixar levar por discursos de “defesa da pátria” que só interessam a um grupo: os governantes.

      1. as coisas não sao assim tão simples e voce não pode acusar de carreirista alguem que como qquer outro deseja apenas um melhor futuro para si e sua familia. no regime CAPITALISTA em que vivemos assim operam as pessoas. imagina se um pesquisador americano, uma vez chamado a trabalhar, digamos, na Franca,teria algum prurido patriotico, ou fosse acreditar que seu trabalho beneficiasse apenas os franceses. num mundo onde a grande maioria dos pesquisadores russos ja’ imigrou para europa ou EUA? dream on!
        quem propoe o oposto e’ porque ou se sente recalcado por não ter tido a mesma oportunidade, ou esta’ preso a conceitos retardados de patriotismo que simplesmente nao mais funcionam no contexto globalizado que vivemos. de que adianta um pesquisador voltar ao brasil, e ser infeliz pelo resto de sua vida? uma pessoa a mais feliz no mundo e’ o que faz a diferença.

    1. Pois é… O cara pode ser um excelente cientista, mas pisou nos colegas neurocientistas brasileiros, fazendo declarações que davam a entender que a neurociência nasceu no país com a sua chegada. Já havia muita gente aqui ralando na área e fazendo pesquisa de ponta, apesar de todas as dificuldades. Gente que se mata por editais universais de 30 mil, enquanto ele ganha 33 milhões na lata.

      1. Justamente, eu lembro de concordar com quase tudo que ele falava sobre pesquisa no Brasil antes de voltar, e de discordar de quase tudo que ele fala agora que se estabeleceu aqui…
        Logo quando ele voltou foi convidado pelo ministro do MCT a opinar sobre o que poderia melhorar, e agora ele se reserva ao direto de atacar qualquer um que discorde do governo Dilma…

  13. Gente, obviamente é uma notícia ruim. Mas governo não é a única fonte de recursos para pesquisa. Os pesquisadores brasileiros precisam se acostumar a correr atrás de muitas outras fontes de recursos. É questão de sobrevivência. O bom de tempos de crise (e qualquer crise, em qualquer área) é que dá uma limpa nos grupos menos eficientes e faz os responsáveis focar naqueles que tem mais importância. Bem vindos ao mundo real 🙂

    1. Eu concordaria com você, mas o governo federal faz de tudo para atrapalhar a diversificação de recursos. O problema vem desde de dentro da universidade, onde grupos estudantis consideram questão de honra atrapalhar tudo, até a própria legislação que cria taxas absurdas e burocracia desnecessária,

      1. Sim, também concordo com você. Todos esses pontos levantados por vocês, leitores do blog, apesar de parecerem discordantes, na verdade apontam para uma mesma direção: precisamos de mais independência nas universidades. Independência financeira, principalmente.

    2. O problema é que várias despesas mais “operacionais” dos programas não se encaixam estritamente em recurso de pesquisa…por exemplo, custos com a vinda de membros de banca. São coisas pequenas, mas que dificultam pra caramba o funcionamento do programa.

      1. Exato. Por isso mesmo eu acho que uma crise como essa pode ser uma oportunidade de pensarmos fora da caixinha. Os PPGs brasileiros dependem demais da Capes, até mesmo para pagar a participação de um professor em uma banca, e isso não é saudável.

      2. No caso das bancas, eu acho que vai ser uma boa oportunidade para diminuirmos o impacto causado para a viagem de uma pessoa para fazer o que dá para ser feito facilmente via um sistema de video-conferência. Isso vai diminuir não só os custos financeiros (trazer alguém do RS para BA pode custar mais de 3000 reais para um PPG), como também o impacto ambiental. Concordo com vocês que essa crise será importante para repensarmos os PPGs brasileiros.

        1. Temos que tentar sair dessa crise diferentes do que éramos antes. Não dá mais para nos apegarmos ao modelo antigo.

      3. Só para você ter uma ideia, a pró-reitoria da USP se dá ao “direito” de abocanhar, sem absolutamente nenhuma contrapartida atém de ” dar carimbo”, 10% de qualquer doação aos institutos.
        Os próprios regimentos atrapalham a obtenção de recursos.

        1. Exato. Na UFMG, quando ganhamos verba da Fapemig ou iniciativa privada, ainda temos a opção de recorrer à fundação universitária, que cobra uma taxa, mas faz todo o serviço burocrático e contábil para a gente. Se fosse sempre assim, perderíamos bem menos tempo com papelada e investiríamos mais tempo em pesquisa, ensino e extensão por todo o Brasil.

    3. Infelizmente, o governo massacra empresas, empresários e cidadãos com impostos excessivos. Infelizmente o governo cria seguranças demais, intervém demais de forma negativa em tudo para beneficiar pessoalmente políticos e apadrinhados sem se importar com mais nada. A iniciativa privada não tem como investir em pesquisa e forma expressiva aqui neste país, pelo menos não enquanto nosso governo for liderado por esquerdopatas.

  14. Uma condição que não era boa, agora quase impossível. Não apenas o blog está de luto, mas todos os pesquisadores do Brasil.
    Uma triste notícia.

  15. Sempre esperançoso, como sou, espero que seja um momento ruim. Ao invés de dizer que faleceu, prefiro pensar que estamos em diapausa. Espero que eu esteja mais certo do que você, mas não me espantarei de mais uma vez o meu pensamento positivo mais uma vez me trair.

    1. É uma reação exagerada declarar óbito da atividade científica no país, até porque existe o setor privado ainda. O governo está cortando gastos, simples assim. Estamos sofrendo a ressaca da bebedeira do último mandato de FHC e os mandatos de Lula e Dilma.

      1. Acredito que a educação pública sempre foi bandeira de luta de partidos com foco no social. Nesse caso, o governo não tem a menor razão em buscar garantias para pesquisa, nas universidades privadas. Outro ponto é a “ressaca”! A minha sempre é logo após a bebedeira. É, no minimo, ingenuidade, colocar a como único culpado, nu governo que tomou suas últimas medidas administrativas, à mais de 15 anos. Eu, embora tenha pensamento sócio-político bem voltado e focado no social, não sou burro!

      2. “Estamos sofrendo a ressaca da bebedeira do último mandato de FHC”

        Da onde você tirou isso…? O que está pegando agora é reflexo do governo Dilma, isso já tinha sido avisado muito claramente antes da eleição ano passado…

      3. Não é exagerada, partindo do princípio que ao contrário do que acontece em países como o Canadá, onde a ciência se desenvolve majoritariamente pela iniciativa privada, no Brasil ela se desenvolve dentro das universidades públicas. Claro que as pesquisas de base a nível de mestrado e doutorado continuar por outros órgãos, mas é MUITO alarmante!

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