Você é o que você trabalha?

Refletir sobre isso é fundamental para sobreviver em uma carreira de alta performance.

Quem nunca se angustiou com a questão do trabalho atire o primeiro holerite.

Trocadilhos bíblicos à parte, o papo é sério. Você já parou para pensar sobre o quanto o trabalho é importante para a construção da sua identidade? Não apenas a sua identidade social, que é como os outros te veem, mas também a sua identidade pessoal, que é como você vê a si mesmo. Essa construção começa ainda na primeira infância, quando algum adulto te pergunta: “Joãozinho, o que você quer ser quando crescer?”

Depois que você cresce, passa a ser não apenas o João, mas o João Padeiro ou o João Arquiteto, dentre tantos outros Joões possíveis. Tanto isso é verdade, que os europeus, ao inventarem muitos dos sobrenomes que herdamos aqui no Brasil, fugiram do universal “João filho de Marco” e incorporaram suas profissões às suas identidades. Sim, literalmente. Caso você tenha ascendência europeia, pesquise o significado do seu sobrenome e provavelmente descobrirá como um antepassado seu ganhava a vida.

Bom, a maioria de nós precisa ganhar o pão com o suor do rosto, então não é à toa que o trabalho gera tanta angústia. Contudo, o trabalho também pode ser uma maravilhosa fonte de realização pessoal. Precisamos destrinchar essa dualidade laboral, que tem muito a ver com a filosofia okinawense de ikigai. Para começo de conversa, separemos o trabalho de outros conceitos relacionados, que são usados de maneira confusa.

Trabalho, emprego, profissão e meio de vida

Podemos dizer que trabalho é tudo que fazemos para resolver problemas e modificar o mundo em que vivemos. Esse é um conceito abstrato e abrangente, que engloba coisas muito diferentes entre si, como plantar uma alface, liderar uma revolução política ou escrever um código para rodar uma análise estatística. O trabalho, em um sentido amplo, faz parte da vida de todos os seres vivos. Um esquilo, ao estocar sementes, está trabalhando. Isso nos leva a perceber que trabalho tem tudo a ver com sobrevivência. Só que ele pode tomar dimensões mais abstratas em seres culturais, como golfinhos ou humanos.

Na nossa cultura, costumamos confundir trabalho com emprego, este, sim, um conceito bem humano. Você arruma um emprego, quando negocia com uma pessoa ou instituição a venda do seu trabalho (e do seu tempo de vida) por algo de que você precisa. Um acordo desse tipo envolve, por exemplo, ser contratado como professor por uma universidade para exercer cinco tipos de funções.

Dentro das universidades, temos ainda as bolsas, que não criam vínculo empregatício no sentido formal, mas que se parecem muito com empregos precarizados. Cabe ressaltar que o sistema de bolsas é fundamental tanto para a formação de novos cientistas, quanto para a produção de conhecimento no mundo todo. Fora as bolsas, durante as fases iniciais da carreira acadêmica, também é vital fazer estágios voluntários, uma excelente forma de aprendizado para os aspiras pegarem a tão necessária experiência prática que a sala de aula não dá.

Hoje em dia, a moeda de troca usada nesses acordos de emprego costuma ser o dinheiro, uma ficção jurídica que te dá acesso a recursos com valor real para a sua sobrevivência. Contudo, outras moedas já foram usadas, até mesmo o sal (daí o termo “salário”). Essa troca, na verdade, pode envolver qualquer coisa que você queira e o outro tenha. Pense no caso das famosas permutas, tão comuns no mundo dos influenciadores digitais, em que trabalho é trocado por trabalho.

Ali, bem perto do emprego e do trabalho, mora a profissão. Voltemos às origens dela. Conforme as sociedades humanas foram se sofisticando, o trabalho também evoluiu. Daí nasceram os ofícios, que são formas avançadas de trabalho. Ofícios, aos poucos, transformaram-se em atividades de trabalho ainda mais complexas: as profissões. Hoje existem profissões regulamentadas por lei, como biólogo, e outras exercidas de forma relativamente livre, como tradutor. Sem contar outra classificação das profissões, feita de acordo com a quantidade de treinamento necessária para serem exercidas, em profissões de nível técnico, médio e superior.

Ok, mas será que, para sobreviver, você precisa mesmo de trabalho, emprego ou profissão? Na verdade, não. Você precisa é de um meio de vida, que te garanta acesso a recursos básicos, como casa e comida. Um bom meio de vida também te dá acesso a coisas mais elevadas na Pirâmide de Maslow, como autoestima e criatividade. Logo, se você deu a sorte de nascer herdeiro de uma grande fortuna, não necessariamente precisa trabalhar para viver, muito menos correr atrás de um emprego ou aprender uma profissão.

Independentemente desse belo head start, um herdeiro deixar a sua fortuna nas mãos dos outros costuma ser uma péssima ideia. O gado só engorda na vista do dono, como vovó já dizia. Logo, de certa forma, nem mesmo um herdeiro deve ficar sem trabalhar, se quiser manter seus recursos. O enorme privilégio de um herdeiro, contudo, é ter garantido o seu meio de vida. Isso o liberta para escolher o trabalho ou a profissão que bem entender, exercendo-os sem preocupação com a própria sobrevivência. Ele pode até mesmo transformar a administração dos seus recursos em um trabalho formal. Pode ainda aprender a profissão de administrador para fazer isso de forma eficiente.

O ponto é que ninguém se sente pleno sem trabalhar, mesmo que seja na forma de um hobby ou voluntariado. Até quem se aposenta com bom acúmulo de recursos acaba voltando a se ocupar de alguma coisa, às vezes se reinventando profissionalmente. Não por necessidade financeira, mas por necessidade emocional. Somos animais sociais que gostam de se sentir úteis na comunidade.

O trabalho na academia

Vamos agora transpor essas ideias para o mundo acadêmico. Você fez mestrado e doutorado? Se sim, então você tem no mínimo duas profissões.

Pense bem: só pode ingressar em uma pós-graduação quem já tem um diploma de graduação. Ou seja, quem já conquistou o direito de exercer uma profissão de nível superior, como por exemplo biólogo ou historiador. Qual seria então a sua segunda profissão? Cientista! Pois é, a pós-graduação acadêmica, na esmagadora maioria dos casos, é um curso de formação de cientistas. Infelizmente, muita gente não vê a coisa dessa forma, até mesmo porque cientista não é uma profissão regulamentada ou sequer reconhecida no Brasil. A maioria dos brasileiros acha que cientistas só existem em filmes ou países de primeiro mundo.

Só que você existe e está aí, lendo este post. Tendo aprendido a profissão de cientista, você muito provavelmente vai querer realizar algum tipo de trabalho relacionado à ciência. Você, contudo, não necessariamente precisa arrumar um emprego. Por um lado, o caminho mais comum na academia é se formar doutor e depois correr atrás de um cargo estável como cientista dentro ou fora dela. Por outro lado, há cientistas que não buscam esses cargos, mas que empreendem e geram empregos para os outros. Eles fundam startups, ONGs ou outros tipos de organizações públicas e privadas, dentro das quais aplicam seus conhecimentos e habilidades para resolver problemas práticos da sociedade. Há ainda os cientistas freelancers, que trabalham como consultores, autônomos ou MEI.

Fora os empreendedores, há ainda os herdeiros, mencionados lá atrás. Alguns dos maiores cientistas da história vieram de famílias ricas e, portanto, tinham meios de vida garantidos. Eles trabalhavam com ciência movidos por paixão ou senso de missão. Pense no Darwin e no Humboldt, exemplos clássicos. Ou, para pensar fora da caixinha, lembre-se das palavras do Prof. Osho, que fez uma provocação bem antenada com a tal Pirâmide de Maslow:

“Ne verdade, é muito difícil ser meditativo sentado em um carro de boi. Um Rolls-Royce é melhor para o crescimento espiritual.”

Osho (“Autobiografia de um místico espiritualmente incorreto”)

Assim, é possível exercer o trabalho de cientista, mesmo sem ter emprego de cientista, apesar de não ser essa a realidade da grande maioria de nós. Contudo, independentemente de você ter um meio de vida garantido ou não, ou um emprego de cientista ou não, hoje você tem que passar pela formação oferecida por uma pós-graduação acadêmica para se tornar um cientista profissional.

Isso porque, desde o começo do século XX, a ciência se transformou em uma cultura humana altamente estruturada e institucionalizada. Isto é, ela se tornou uma profissão. Não existe mais esse papo de ser um “cientista autodidata”, ideia equivocada de gente que não tem a menor noção da realidade da ciência contemporânea.

Mais importante, hoje, ser um cientista profissional é estar em uma carreira de alta performance, tão competitiva e dura quanto ser atleta olímpico, músico de orquestra, alto executivo de uma corporação, lutador do UFC ou ator de uma grande emissora de TV. Portanto, além de passar por um treinamento formal, você ainda terá que encarar muitos sacrifícios e frustrações ao longo da jornada.

Você é mesmo o que você trabalha?

Voltando à pergunta do começo e considerando todos esses pontos, se a ciência for mesmo o seu ikigai, ela certamente representa uma parte grande da sua identidade. Só que essa parte nunca deve ser igual ao todo.

Cultive outros interesses e trabalhe com outras coisas além da ciência, pois assim você terá uma vida mais saudável e menos bitolada. Infelizmente, falar é mais fácil do que fazer, especialmente em uma carreira de alta performance. Continuando com a metáfora esportiva, encare sua carreira como uma maratona e não como uma corrida de cem metros rasos. Equilibre bem trabalho e vida ao longo do caminho para não ter uma lesão e tombar antes de alcançar a linha de chegada. Já se a ciência não for o seu ikigai, mesmo assim você pode se envolver com ela de várias formas. Talvez não como profissional, mas como entusiasta.

Na ciência, devido a não refletirmos regularmente sobre a questão do trabalho, muita gente tem profundas crises de identidade, quando passa pelos desafios da Jornada do Cientista. Especialmente no caso da carreira acadêmica (uma dentre várias possíveis para um cientista), estamos falando de sucessivas peneiras que precisam ser atravessadas. Se a sua identidade depender totalmente de conquistar um emprego acadêmico e você não conseguir passar por todas essas peneiras, pode acabar ficando em uma situação emocionalmente complicada ou financeiramente insustentável.

Não conquistar o tão sonhado emprego de professor ou pesquisador, após prestar dezenas de concursos, destrói a autoconfiança até mesmo de gente vocacionada. Gente que acaba abrindo mão do seu sonho por frustração ou por necessidade de correr atrás de outro meio de vida. Nem todo mundo tem o backup de emergência oferecido por uma família da classe A.

Reforçando o ponto central desta reflexão, em grande parte, sim, você é o que você trabalha. Se você tiver uma profissão, o trabalho ocupa um papel ainda mais importante na sua identidade. Apesar disso, nunca confunda emprego, profissão e identidade. O emprego é circunstancial, enquanto a profissão se torna parte de quem você é.

Trabalho líquido

Fique ligado, porque, no mundo líquido atual, essas coisas estão em rápida transformação. Hoje é perfeitamente normal você ter vários empregos diferentes ao longo da vida, ao contrário dos seus pais, que fizeram carreira dentro da mesma empresa por quarenta anos, ou do seu orientador, que está há trinta anos na mesma universidade.

Isso já é o novo normal até mesmo entre professores universitários, que não sofrem mais tanto com o tabu do “emprego para o resto da vida”. Hoje, professores mais ousados, que percebem que não curtem tanto aquele precioso cargo vitalício em uma determinada universidade, prestam novos concursos ou migram para o mundo corporativo, usando as valiosas habilidades transferíveis que aprenderam.

Em algumas áreas, professores também costumam prestar consultoria ou até mesmo empreender em paralelo às suas funções acadêmicas, dependendo do tipo de contrato que assinaram e das regras da respectiva instituição. Fora todos os demais tipos de extensão feitos por professores, que envolvem inúmeros serviços diretos prestados à sociedade, muitos deles gratuitos.

A novidade é que também as profissões estão ficando líquidas, com algumas das antigas desaparecendo e outras novas surgindo em um ritmo alucinante. O maior sinal dessa liquidez é que cada vez mais gente acaba aprendendo e exercendo múltiplas profissões ao longo da vida. Na verdade, a maioria dos trabalhadores brasileiros hoje ganha a vida em empregos e profissões completamente precarizados. Fora aqueles que, depois do pandemônio causado pela pandemia de covid-19, agora querem reinventar completamente sua relação com o trabalho, por exemplo priorizando instituições que permitam o home office.

Dessa forma, pense que a sua identidade, do ponto de vista do trabalho, provavelmente será construída não como uma foto, mas como um filme sobre as carreiras de diferentes Joões. Pois é, Joões precarizados que, provavelmente, não conseguirão se aposentar pelo INSS e precisarão aprender a poupar e investir por conta própria para garantir uma velhice digna.

Pense bem

Especialmente agora, em tempos de crise, reflita com calma sobre profissão, trabalho, emprego, meio de vida e, acima de tudo, identidade. Decida quais investimentos e sacrifícios você precisa fazer ou está disposto a fazer pela ciência.

“Ele ganhou dinheiro 
Ele assinou contratos 
E comprou um terno 
Trocou o carro
E desaprendeu a caminhar no céu 
E foi o princípio do fim”

Paralamas do Sucesso (“Busca Vida”)

Resumo da ópera

  1. Trabalho é tudo que fazemos para resolver problemas e sobreviver;
  2. Emprego é um acordo de troca de trabalho e tempo de vida por recursos;
  3. Profissão é uma atividade de trabalho complexa e institucionalizada;
  4. Meio de vida é como você garante as suas necessidades básicas, além de alguns confortos;
  5. Na academia, existem diversas formas de trabalho, incluindo empregos (estatutários ou celetistas), bolsas, estágios voluntários, consultorias e empreendedorismo;
  6. Um emprego é um atividade circunstancial, enquanto uma profissão se torna parte da sua identidade;
  7. Procure se envolver com outras formas de trabalho além da sua profissão, para não ser uma pessoa bitolada e frágil;
  8. Saiba que sangue, suor e lágrimas são necessários para sobreviver em uma carreira de alta performance;
  9. Tome consciência de que empregos e profissões estão cada vez mais líquidos no mundo atual.

Agradecimentos

Agradeço à Renata por revisar este texto e melhorar muito o foco da mensagem. Também sou muito grato à Regina pelas várias conversas que tivemos sobre trabalho, emprego, profissão, meio de vida e identidade.

Para ajudar na reflexão

(Fonte da imagem destacada)

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5 respostas para “Você é o que você trabalha?”

  1. Texto e vídeo fundamentais nesses tempos de indústria 4.0 (ou 5.0) e “uberização”. Deixo aqui um autor magnífico, que tem pesquisado o trabalho no Brasil há muito tempo: Ricardo Antunes (Unicamp). Os livros mais recentes dele: “O privilégio da servidão” (esse eu li) e “Uberização, trabalho digital e Indústria 4.0” (esse eu ainda não li) são leituras obrigatórias para se aprofundar no assunto, mas mais voltado para as ciências sociais/humanas e filosofia. Aproveitando, Marx discute a parte do trabalho há muito tempo, e o Ricardo usa exatamente os pensamentos de Marx e os atualiza para a realidade brasileira contemporânea. Eu ainda quero juntar tudo isso com Ecologia, ainda tenho problemas em aceitar algumas ideias do Ecossocialismo…

    Acho que vale pensar também se essa “uberização” chegou na academia. Muitas vezes somos “empreendedores” dos orientadores ou laboratórios em grandes projetos de pesquisas que não necessariamente nos formam para a independência ou sequer para fazer pesquisa, e menos ainda para um possível plano B no mercado de trabalho, mas não me estenderei nesse quesito.

    Quero enfatizar esse ponto: eu sempre levei em paralelo durante minha formação dois planos, o A de “Academia” e o T de “Trabalho”. Talvez ter formado uma família bem cedo me forçou a isso. Eu fiz duas pausas na minha formação acadêmica: uma entre a graduação e o mestrado, em que fiquei como pesquisador colaborador do meu orientador de IC (Miltinho) e podendo prestar consultorias externas; e outra mais longa entre o mestrado e o doutorado, onde trabalhei como consultor no desastre do rompimento da barragem de Mariana, abri e saí de uma empresa de consultoria, prestei consultoria “freela” para outras empresas, e mais algumas coisas… Hoje no doutorado, continuo com o plano A a Academia, mas também tenho um currículo razoável para um possível plano T…

    O mais interessante é que todas as consultorias que prestei foram relacionadas com geoprocessamento, análises de dados e modelagem. Não sei se foi o “timing” ou dei sorte, mas a parte de análises de dados e saber geoprocessamento, programação e R me ajudaram muito nesse sentido.

    Então, acho que vale o concelho como complemento ao texto: jovens, eu sei que é difícil, mas tentem sempre vislumbrar o que a Academia lhes oferece, mas tentem também olhar para o mercado de trabalho na área de formação de vocês. É muito incerto que a Academia vai lhe absorver como pesquisador, vai depender de muitos fatores, desde seu esforço quanto da conjuntura e timing de concursos. Como na vida nada é certo, melhor tentar garantir o sustento da família ou o seu próprio =]

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    1. Oi, Maurício! Obrigado pelo comentário cheio de reflexões. Acho que dentro desse tema não existem respostas universalmente corretas. Mas com certeza o maior erro que podemos cometer é não pensarmos com cuidado sobre a relação entre vida e trabalho. Seguir a manada ou se deixar levar pela onda costumam ser péssimas decisões. Concordo plenamente que todos, especialmente os aspiras, devem ficar de olho em diferentes caminhos. Na Academia, cria-se a ilusão de que ela é o único caminho possível ou válido para quem adquire treinamento científico. Isso acontece, simplesmente porque a maioria dos professores é acadêmica, então as pessoas só podem ensinar aquilo que conhecem. Por isso é importante beber em outras fontes e cultivar uma vida multidimensional, sem uma visão bitolada. Escrevi sobre essa questão em outro post aqui do blog e já estou trabalhando em mais um texto sobre a relação entre vida e trabalho. A minha visão de mundo foi formada em grandes parte pelas religiões orientais, especialmente o zen e o tao. Tento seguir os ensinamentos delas também nessa questão do trabalho.

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      1. Olá Marco. Bacana, grato pelos apontamentos. Vou dar uma lida com mais calma nessa parte de visão de mundo oriental e perspectiva sobre o trabalho, acho muito interessante, mas nunca li nada a respeito (só ouço falar por aqui rsrs). Mas de uma coisa eu tenho certeza: o trabalho é indissociável da vida humana e o que fazermos com ele é fundamental, tanto para nosso ser pessoal quanto agente transformador do mundo, por isso escolhi a graduação em Ecologia =]

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  2. Achei muito bom esse texto, me fez pensar várias coisas que não consegui transformar em algo coeso, então vou colocar aqui pensamentos talvez descoesos, mesmo 🙂

    Uma vez me perguntaram se eu trabalho para viver ou se eu vivo para trabalhar. Mas eu acho que não sei separar essas duas coisas, porque para mim meu trabalho e minha vida são aspectos muito relacionados. No meu caso, sim, eu sou o que eu trabalho. Não sou apenas o que eu trabalho, hobbies é algo que não me falta, mas meu trabalho é uma porção significativa da minha vida. Tanto que minha descrição no insta é “Biólogo, ecólogo e educador ambiental”.

    E gostei de como você deixou explícito que trabalho não é emprego – trabalho não é apenas aquilo que dá condições de vida; inclusive, a depender da vocação e das circunstâncias, é perfeitamente possível que o que alguém chama de trabalho não é o emprego dessa pessoa, com o emprego sendo “apenas” o meio de vida. Não é nem de longe o cenário ideal, mas… Poucos atingem o cenário ideal de conseguir um emprego que seja de fato seu ikigai.

    Fez pensar também em como é importante ter um plano B para se manter caso a vida acadêmica não dê certo, e em algumas pessoas que conheço que seguiram o plano B e deu aparentemente muito certo. Pena que na pós não estimulamos isso – estimulamos que a pessoa escreva um artigo mas não que ela aprenda coisas que lhe permitam viver bem fora da Universidade. (Meu plano B era trabalhar com tradução científica; na época eu fazia isso até que relativamente bem mas depois parei e acho que não conseguiria mais voltar; não que eu queira, afinal, se fosse pra eu traduzir artigos e ser pago pra isso, teria que fazer isso ou no meu horário de trabalho – e já tenho coisas suficientes pra fazer – ou no meu horário de não-trabalho – e não.).

    (Nota mental: conversar sobre planos B com meus oris) (Nota mental 2: escrever um post sobre planos B, mas provavelmente convidarei outras pessoas para escreverem junto)

    Eu acho que tinha pensado mais coisas mas esqueci…

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    1. Caraca, Pavel, que sincronicidade! Enquanto você comentava aqui no meu post, eu estava comentando lá no seu, rsrsrs. Obrigado! Os seus pensamentos fazem todo sentido. Concordo especialmente com a questão do Plano B, por isso escrevi sobre as habilidades transferíveis uns tempos atrás. Sempre converso sobre elas com meus orientados. Para mim, os PPGs deveriam repensar suas missões e oferecer um treinamento científico mais amplo, que possa ser usado também fora da academia. Na verdade, nem em tempos de vacas gordas cabe todo mundo na carreira acadêmica, então a quem estamos enganando?

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