Sete dicas para aumentar as suas chances de vencer um concurso

O estabelecimento na carreira, com a conquista de um emprego estável, é o desafio final na jornada para se tornar um cientista profissional. Aqui dou sete dicas que podem fazer a balança pender a seu favor em concursos.

“Faça ou não faça; não existe tentar” – Yoda

Já prestei alguns concursos na vida, antes de conseguir me estabelecer na carreira acadêmica. Sempre ficava em 2º ou 3º lugar, o que me causava enorme frustração. Como diz o ditado, o segundo colocado é, na verdade, o primeiro perdedor, pois fica sem emprego. Minha sorte só mudou, quando resolvi dar ouvidos a um conselho dado por um amigo: fazer uma preparação monstro (birlll!). Quero dizer, chegar no dia da apresentação com o dever de casa feito, pronto para qualquer parada, alimentado com peito de frango e batata doce.

Quero compartilhar um pouco dessa minha experiência, acumulada em dezenas de concursos. Participei deles direta ou indiretamente não apenas como candidato, mas na grande maioria das vezes como torcida, banca, membro de câmara departamental ou membro de congregação de instituto. Assim, conheci as engrenagens do sistema por vários ângulos. Especialmente depois que você participa de algumas bancas, principalmente como presidente, você passa a entender melhor as coisas.

Bom, existem diferentes caminhos possíveis para se estabelecer na carreira acadêmica. Vou focar nos concursos para professor, especialmente os públicos. Contudo, minhas dicas valem também para os concursos em universidades particulares que seguem o mesmo modelo de contratação. Se você quiser saber mais sobre esse modelo de concurso, leia um outro texto que escrevi exclusivamente para o livro do blog.

Como sempre, não estou aqui ditando regras, tampouco revelando fórmulas mágicas. Nada substitui o trabalho duro. Contudo, nos limiares cruciais da Jornada do Cientista, a ajuda de mentores formais ou informais pode ser muito útil.

Antes de seguirmos em frente, vamos partir das seguintes premissas:

  1. Você não é preguiçoso e nem está preso no vórtice do mimimi;
  2. Você é um bom docente, além de ser um bom cientista. Ou, no mínimo, gosta de dar aulas e orientar alunos e pretende se desenvolver também nesses campos, levando a sério a missão de ensinar;
  3. Você não é um “concurseiro acadêmico”. Ou seja, você não está desperdiçando uma bolsa de postdoc apenas para se preparar para infinitos concursos, atirando para todo lado e nunca evoluindo de verdade. Fazer isso é entrar em uma espiral descendente. E, se você já for professor e estiver tentando mudar de emprego, não é do tipo que se acomodou.

Se você atende a essas três premissas, continue lendo o texto. Se não as atende, melhor tentar outro tipo de emprego. A formação científica pode ser aplicada em várias outras carreiras. Fazer doutorado e depois não trabalhar na academia não é uma vergonha, mas uma escolha consciente e madura feita por pessoas que sabem ouvir a própria voz interior.

Bom, agora é o momento de revelar uma verdade inconveniente: concursos para professor são complexos e massacrantes. E só há três fatos concretos sobre eles:

  1. É impossível prever o resultado com 100% de certeza;
  2. Cada concurso é diferente dos outros em suas características e condições;
  3. Mesmo os melhores candidatos têm que trabalhar duro para se prepararem.

Dada essa complexidade, elaborei as dicas a seguir focadas não em detalhes, mas em princípios gerais, que valem para a grande maioria dos concursos. Vamos então a elas!

(1) Escolha bem os seus concursos

Um pouco antes de você defender o doutorado e nos anos seguintes à conquista do título, muita gente vai ficar martelando conselhos na sua cabeça.  Por exemplo, “melhor arrumar um emprego logo”, “concurso não aparece toda hora” ou “entre rápido em qualquer lugar e depois mude se for necessário”.

Essa neurose atingiu um pico no final dos anos 2000, quando a confluência do Programa Reuni federal com uma leva de aposentadorias estaduais levou à abertura de centenas de vagas em poucos anos. Houve desespero por parte de muitos candidatos, alguns dos quais depois se arrependeram amargamente das escolhas que fizeram. Nem sempre dá para corrigir o rumo… Depois de um concurso, a estabilidade vem fácil. E a acomodação e estagnação vêm junto com ela. Quando você vê, está amarrado, defasado e condenado a desfrutar de um emprego vitalício que odeia.

Ignore os arautos da urgência. Como sempre digo, é fundamental planejar com calma a sua carreira. Escolher de forma consciente os concursos que você vai prestar faz parte desse planejamento de longo prazo.

“Perdido não escolhe caminho” – Sabedoria popular carioca

Assim, inscreva-se apenas em concursos para cargos e lugares que fazem os seus olhos brilharem. A ciência é uma carreira para gente apaixonada e comprometida. Se você quer apenas ter um trabalho honesto para sustentar a sua família, há várias outras carreiras menos sofridas e financeiramente mais recompensadoras para quem tem diplomas de nível superior.

A grande pergunta que você deve responder a si mesmo é: eu realmente quero trabalhar nesse lugar? Se a resposta for não ou talvez, nem se inscreva.

E, por favor, não acredite nessa besteira de “prestar concursos apenas para treinar”. Concurso para professor universitário não é igual a concurso de massa, com centenas de vagas, milhares de candidatos e provas padronizadas (tipo múltipla escolha). A disputa por um lugar na universidade é muito mais complexa, trabalhosa e pessoal.

Além disso, a banca se mata de trabalhar durante um concurso. Portanto, fazê-la analisar mais uma prova, assistir a mais uma aula e destrinchar mais um memorial à toa é uma enorme falta de respeito. Valorize o trabalho da banca! Quando chegar a sua vez de servir nesse posto, você vai entender o que os membros passam.

(2) Estude a vaga

Pegando o gancho da dica anterior, assim que sair o edital e você decidir se inscrever, estude a vaga.

Comece lendo o edital várias vezes, de cabo a rabo, minuciosamente. Você deve compreender e decorar as regras do jogo. Caso algo fique nebuloso, dê um jeito de esclarecer suas dúvidas. Entre em contato com a secretaria do departamento que abriu a vaga, pois ninguém pode te ajudar melhor do que eles.

O “burocratês” é um idioma infernal, como a língua sinistra de Mordor. Entretanto, você precisa desenvolver alguma fluência nele, se quiser seguir a carreira acadêmica.

“Ash nazg durbatulûk, ash nazg gimbatul, ash nazg thrakatulûk, agh burzum-ishi krimpatul” – Sauron

Aqui vale fazer um aviso. Se a descrição da vaga ou o programa do concurso forem esquisitos demais, desconfie. Isso costuma ser sinal de uma destas três coisas: (i) cartas marcadas, (ii) departamento confuso, ou (iii) comissão incompetente. Sugiro fortemente fugir dessa cilada, Bino. No caso de o perfil descrito no edital ser especializado demais, tipo “ecólogo que trabalha com o organismo X no ambiente Y”, desconfie imediatamente, pois talvez a vaga tenha “dono”.

Depois de fazer esse primeiro diagnóstico, acione a sua rede de contatos para levantar informações extra-oficiais. Por exemplo, tente saber se o departamento em questão quer mesmo encontrar o melhor candidato disponível ou já tem uma pessoa em mente. Infelizmente, concursos com apadrinhamento ainda existem em algumas instituições. O bom é que essa doença vem sendo erradicada nos últimos anos e a maioria dos concursos hoje é honesta, mesmo que o formato deles ainda seja maluco.

O mais importante mesmo é tentar descobrir como a vaga foi aberta e o que o departamento espera do candidato selecionado. Foi uma vaga criada por aposentadoria, exoneração, remanejamento, parceria ou expansão? A vaga foi criada para tentar selecionar o melhor profissional disponível no mercado, independente de especialidade, ou a meta é tapar algum buraco temático? Não adianta ir para um lugar que precisa de alguém com o perfil A, se você tem o perfil B. Mesmo que você passe, trabalhar lá talvez não venha a ser legal.

Esse tipo de investigação evita que você se estresse à toa e desperdice tempo e energia prestando concursos nos quais não tem a menor chance. Ou concursos que podem se tornar uma maldição, caso você seja selecionado.

(3) Não se compare aos outros candidatos

Muita gente entra em uma verdadeira paranoia “latteana” assim que sai a lista de candidatos cujas inscrições foram homologadas. Ou seja, aqueles que se enquadram no perfil geral do concurso (têm diplomas nas especialidades exigidas) e mandaram todos os documentos corretamente.

“Como assim, Marco?’

Quero dizer que alguns candidatos paranóicos correm atrás dos currículos Lattes dos concorrentes. Há loucos que chegam até mesmo a tabular informações detalhadas sobre cada candidato, como número de artigos publicados, citações, impacto da melhor revista etc. Isso é trabalho da banca, meu bróder!

Fuja disso! Comparações assim só servem para aumentar o seu estresse e distrair a sua mente e o seu espírito do que realmente importa, que é a sua preparação pessoal.

“Mas, por que, Marco?”

Simples, meu caro novato. É comum apenas metade ou menos dos candidatos homologados comparecerem de fato ao concurso. Já vi concursos com menos de 30% de comparecimento. Isso acontece, porque uma galera se inscreve em múltiplos concursos por afobação ou indecisão. Só depois é que muitos candidatos definem um foco, com base nos mais variados critérios pessoais. No final das contas, no dia da apresentação oficial (primeiro dia), você vai concorrer com muito menos gente do que imaginava.

Vale ainda lembrar que concursos envolvem no mínimo três notas. Via de regra, eles contém uma prova escrita (eliminatória), uma prova didática e uma análise de currículo ou memorial (classificatórias). Logo, pode ser que um candidato com um forte registro de publicações acabe mandando mal em uma das outras provas e você consiga passar à frente dele. Pode parecer surreal, mas já vi candidatos fortes serem eliminados de cara na prova escrita, não participando nem na fase classificatória.

Imagine passar meses com medo de um super-candidato qualquer, mas na hora H ele não aparecer ou ser eliminado na primeira fase? Pois é…

“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” – Mt 6:34

“Mas, Marco, eu não devo me comparar com os concorrentes em nenhuma etapa?”

Boa pergunta, novato! Obrigado por fazê-la. Sim, há um momento em que você precisará conhecer melhor os seus adversários: a fase do cara a cara. Ou seja, depois que a maioria tiver rodado na fase eliminatória e a prova didática já tiver passado também. Bem lá no finalzinho do processo, já subindo o Mount Doom e entrando no portal de fogo.

Na entrevista ou na defesa de memorial, quando sobrarem apenas você e mais meia dúzia de candidatos, pode ser que a banca te pergunte: “o que você tem que eles não têm?” Você tem que estar preparado para responder isso de forma muito convincente, sem desmerecer os concorrentes, mas também sem dar um tiro no pé. Sim, é uma situação delicada.

Recomendo também, na fase final, que você estude os seus potenciais colegas de departamento. Caso tenha alguma sobreposição de nicho com alguém que já trabalha ali, a banca pode perguntar o que você vai trazer de novo para a equipe. Procure fazer o seu dever de casa para responder isso de forma convincente. Na verdade, comece a pensar sobre isso desde a inscrição.

E a pergunta do milhão (“ma, ôe!”) é: “por que você quer trabalhar aqui?”. Pense com muita calma para elaborar a resposta mais sincera e convincente do mundo. Isso nos leva ao próximo conselho.

(4) Estude a banca

Ao invés de estudar os outros candidatos (exceto na fase final), estude os membros da banca. É eles quem você deve conhecer a fundo. E você deve respeitar profundamente o trabalho deles. Ser banca de concurso é uma missão ingrata, pois envolve um volume insano de trabalho burocrático, poucos agradecimentos e muita cara feia.

Essa investigação ajudará você a vender melhor o seu peixe e preparar um excelente discurso de elevador. Isso é fundamental em concursos que têm entrevista ou defesa de memorial. E ajuda muito também em concursos em que você precisa vender o seu peixe sem interação direta.

Você precisa investigar tanto o Lattes, Research Gate e Google Scholar de cada membro da banca, quanto o site do respectivo laboratório e até mesmo a reputação que eles têm entre os colegas na academia. Procure saber, por exemplo, de onde eles vêm, quanto tempo de carreira têm, qual especialidade dominam, se dão mais valor à pesquisa, ao ensino ou à extensão. Tente descobrir quem é mais de boas ou mais bravo, mais fechado ou mais aberto, mais conservador ou mais progressista.

Não, mentiras sinceras não interessam a ninguém! (Foi mal, Cazuza… rs) Primeiro, por uma questão da princípios. Segundo, porque mentiras curriculares não se sustentam no minúsculo mundinho da academia. O ponto aqui não é se maquiar até ficar parecendo o candidato dos sonhos.

O ponto é ressaltar as partes da sua trajetória e do seu perfil que têm maior sintonia com  a banca. Não se esqueça de comentar sobre os temas favoritos dos membros nas provas escrita e didática. Isso gera uma sensação de conforto e familiaridade entre você e a banca, que pode levar a uma vantagem psicológica, mesmo que inconsciente.

“Quando você quiser convencer alguém, fale de interesses em vez de apelar à razão” – Benjamin Franklin

E, obviamente, ressalte também os pontos que têm mais a ver com o perfil da vaga.

(5) Não conte com a sorte

Apesar de ser o quinto ponto desta lista, este é o meu conselho principal. Logo, preste atenção. Muita atenção.

Sabe aquele papo de “puxa, sortearam justo um ponto que eu não domino, não fosse isso eu teria passado…”? Isso não é azar, mas despreparo.

Todo concurso para professor costuma ter uma lista de pontos oficiais do programa. Esses são os temas que definem o perfil da vaga em disputa. É desse conjunto que serão sorteados os pontos das provas escrita e didática.

Portanto, tão logo a sua inscrição seja homologada em um concurso, comece a estudar todos os pontos! Sim, todos, mesmo os que você detesta.

Se o programa do concurso for confuso demais, misturando pontos de áreas que não têm nada a ver umas com as outras, desconfie. Isso provavelmente é sinal de brigas no departamento. E isso dificulta muito a sua preparação. Se a disparidade de pontos for absurda a ponto de tornar inviável estudar todos eles, desista do concurso.

Bom, se o programa fizer sentido, comece se preparando pelos pontos com os quais tem maior familiaridade. Depois, aprofunde o estudo sobre os pontos que lhe são espinhosos. Use algum método gerencial para se organizar, como o GTD.

Se o concurso seguir um modelo padrão e tiver de fato uma prova escrita e uma prova didática, chegue no primeiro dia com tudo pronto. Supondo um programa com 10 pontos, por exemplo, compareça já tendo escrito 10 redações e montado 10 aulas.

“Mas, Marco, e as tais 24 horas depois do sorteio, que são para preparação?”

Não, meu caro novato, um candidato bem preparado não as vê dessa forma. Você deve usar o “corredor da morte” para polimento e não lapidação.

No caso da prova escrita, você terá que escrever a redação de novo, à mão. Tudo bem, ter escrito uma versão antes não terá sido de forma alguma desperdício de tempo. O esqueleto e o conteúdo da redação estarão registrados na sua memória, mesmo que em parte. Isso te dará uma vantagem enorme na hora inicial da prova, que deve ser usada para consulta de anotações, artigos e livros. Ao contrário dos outros candidatos, que começarão a elaborar um primeiro roteiro ali no momento, sob pressão, você poderá aperfeiçoar um roteiro já desenvolvido e estudado previamente.

No caso da prova didática, se você chegou com todas as aulas já prontas, após o sorteio do ponto, você poderá usar essas famigeradas 24 horas para dar aquela turbinada na aula sorteada. Ou seja, você pode trabalhar para melhorar o fio condutor dela, tornar a mensagem mais clara, buscar figuras ainda mais bonitas, redesenhar alguns gráficos, incluir referências que esqueceu, pegar dicas com um colega especialista no tema, investigar em qual disciplina da casa o tema se enquadra, para alunos de qual período essa aula seria dada etc. E você também deve praticar, praticar e praticar. E depois, praticar mais um pouco.

“Socorro, Marco, essa é uma tarefa hercúlea!”

Sim, é. Mas você quer muito a vaga, não é mesmo?

“No pain, no gain” – Sabedoria popular americana

Se você não se preparar com afinco, outro candidato certamente o fará e você será obliterado.

Não adianta inventar desculpas para si mesmo, como “não tenho tempo para estudar, porque o meu postdoc ou emprego me consomem”. Chegar com tudo preparado é sua responsabilidade, diminui enormemente a sua ansiedade e te permite dar um salto do bom para o excelente.

Você tem que estar preparado para escrever uma excelente redação e dar uma excelente aula sobre qualquer um dos temas do programa.

(6) Faça uma boa preparação psicológica

Todos conhecemos histórias de grandes esportistas que, na hora H, não atingem o rendimento esperado. Por exemplo, ginastas considerados excelentes, mas que, nas Olimpíadas, escorregam nas paralelas e vão de glúteos ao solo. Garanto que você também já viu casos assim na Fórmula 1 e no MMA.

Em muitos desses casos, especialmente os recorrentes, o que falta é uma boa preparação psicológica.

“Tudo bem perder para o adversário, mas não para o medo” – Myagi Sensei

Esse fenômeno comum nos esportes também é observado em concursos para professor. Tem candidatos que já entram derrotados no páreo. Alguns já começam a amarelar cedo, ao verem a lista de homologações (como comentado na dica 3). E há aqueles que são tão frágeis, que têm um colapso nervoso durante o concurso. Já vi casos bizarros, como professores veteranos estourando o tempo em provas didáticas por puro nervosismo.

É bom deixar claro que despreparo psicológico não tem a ver apenas com medo e ansiedade. Alguns candidatos se auto-sabotam por arrogância. Chegam com um salto tão alto, que tropeçam nos menores obstáculos. Candidatos bola-cheia costumam, por exemplo, achar que não precisam se preparar antes do concurso, já que o maravilhoso currículo deles fará o serviço sozinho. Ou causam vergonha alheia na banca durante a entrevista, pulando o “corguim”. Ledo engano. Vá para o concurso sabendo bem o seu tamanho, sem se julgar maior ou menor do que realmente é. Ousadia é importante, mas arrogância mata. Humildade é importante, mas tiro no pé não dá emprego a ninguém. Busque o caminho do meio.

Assim, meses antes do concurso e, principalmente, dias antes da apresentação, invista em uma boa preparação psicológica. Você precisa achar o seu ponto de equilíbrio para chegar confiante, mas não arrogante. Descansado, mas não relaxado. Energizado, mas não maníaco. Focado, mas não paranóico. Alimentado, mas não empanturrado. Hidratado, mas não com a bexiga estourando durante a prova didática.

Uma boa preparação física também é importante. Um concurso é como um campeonato de chess boxing (sim, esse esporte existe). Você terá que ser capaz de aguentar cinco horas sentado, escrevendo uma redação gigante à mão, sem perder rendimento intelectual. Terá que sobreviver a dolorosas horas esperando a sua vez de ser entrevistado, sozinho ou batendo papo com candidatos e torcedores, sem perder o foco. Terá que sobreviver a uma eventual derrota em uma prova, manter o moral e depois superar o adversário na prova seguinte. Terá que dar uma excelente aula, mesmo tendo dormido apenas 4 horas na noite anterior.

No caso específico da prova escrita, uma boa ideia é pedir uma série de exercícios para o punho na sua academia, alguns meses antes do concurso. Esteja também em dia com a sua postura e o seu alongamento. Sentir dores durante as provas não ajuda em nada.

“Mens sana in corpore sano” – Juvenal

Eu recomendo inclusive que você se isole do mundo na semana do concurso, para não deixar que más notícias tirem o seu foco. Sim, acredite, o mundo sobrevive a uma semana sem você.

Procure também se hospedar perto do local onde serão realizadas as provas. Ter que fazer uma comutação grande demais todos os dias, enfrentando engarrafamento, é uma péssima ideia. Pode até ser que você não se atrase para nenhum evento do concurso (o que te faz perder por WO), mas certamente começará cada manhã passando estresse, o que é péssimo para o seu equilíbrio psicológico.

Por fim, busque a ajuda de um psicólogo, coach, treinador esportivo, mestre marcial, sacerdote, sargento do serviço militar ou qualquer outro profissional que costume te ajudar com a sua mente e o seu espírito. Meditar sempre é uma boa ideia.

(7) Dê um gás na reta final

Compareça às provas tendo feito o seu dever de casa. Prepare-se com empenho, ao longo de meses, tomando cuidado com o overtraining.

Mas não se iluda. Na semana do concurso, vai ser preciso dar um sprint. Isso quer dizer que sacrifícios serão necessários. Por exemplo, mesmo que você tenha chegado com todas as aulas preparadas, pode ser preciso dormir poucas horas na véspera da prova didática, polindo e praticando a versão final até você sentir que deu o seu melhor.

Pode ser também que marquem o concurso em uma semana inconveniente para você, tornando necessário abrir mão de alguma outra coisa importante. Não importa: esteja preparado para morrer na batalha, como um bom samurai.

Esse sprint no final pode ser o diferencial decisivo que vai te destacar de outros candidatos igualmente bem preparados.

Reflexões finais

  1. Se você está prestando o seu 13º concurso e nunca consegue ficar entre os três primeiros colocados, talvez seja melhor considerar uma mudança de carreira;
  2. Se você já prestou alguns concursos e, consistentemente, vem ficando em 2º ou 3º lugar, está no rumo certo, mas talvez precise ajustar melhor o seu foco, postura ou estratégia;
  3. Se “as bancas não te entendem”, entenda que você não é assim tão especial e ninguém te deve nada. Aprenda a vender melhor o seu peixe.

A maioria das pessoas acaba tendo que prestar mais de um concurso, até conquistar um emprego estável na academia, seja no setor público ou privado. E algumas ainda prestam novos concursos anos depois, a fim de mudarem de emprego. Portanto, perseverança é fundamental.

Sugestões de leitura

  1. Um texto comovente, escrito por alguém que venceu essa batalha no ambiente acadêmico ainda mais competitivo dos EUA, mas sem colocar nada na frente dos próprios valores: HOWTO: Get tenure
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18 respostas para “Sete dicas para aumentar as suas chances de vencer um concurso”

  1. Prezado Marco,
    que alegria descobrir esse site! Espero que sua caminhada seja próspera e grandiosa.
    Tudo que está disponível nesse site nos leva a um caminho de segurança, responsabilidade
    e sucesso profissional.

    Muito obrigado!

    1. De nada! Sendo assim, faça um desses ajustes recomendados. Isso pode fazer a diferença que falta e te colocar mais perto do pódio. Boa sorte! 🙂

    2. Recomendo fazer um “simulado” com um mentor experiente. Eu consegui ajudar um pós-doc que estava pronto, mas não era selecionado, fazendo uma entrevista simulada e descobrindo que ele, por ser introspectivo, não sabia “vender” o seu potencial acadêmico. O mentor vai identificar o seu ponto fraco.

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