Saúde mental na Academia

Muitos mestrandos e doutorandos acabam desenvolvendo transtornos psicológicos na pós-graduação. Para piorar, parece que o número de casos vem crescendo rapidamente nos últimos anos. Professores e técnicos também não escapam desse problema.

Assista este excelente vídeo produzido pela TV UFMG sobre o tema:

Mais recentemente, o Prof. Robson Cruz deu outra excelente palestra sobre o tema no Café Existencial do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da USP:

E a saúde mental foi tema de uma edição da USP Talks:

Além de ver esses videos, leia também este artigo recente, um dos melhores sobre o tema: http://doi.org/10.1016/j.respol.2017.02.008

Não sou um profissional da saúde, mas lido com essa questão no dia a dia, trabalhando como professor, orientador e coordenador. Já testemunhei casos muito tristes, que poderiam ter sido evitados ou tratados de forma mais eficiente. Assim, as minhas recomendações para você, aspira, são:

  1. Pense duas vezes antes de ingressar em uma pós-graduação. A dura verdade é que essa carreira de alta performance exige um perfil psicológico específico, é muito competitiva, requer grande esforço, envolve alguns sacrifícios e não oferece garantia alguma. Logo, não é para todo mundo;
  2. Fuja de orientadores picaretas e programas fracos. Você pode pagar caro a médio e longo prazo ao optar pela comodidade de procurar um laboratório que já tem verba garantida, mas é liderado por um orientador ruim, ou um PPG que tem entrada e bolsa fáceis, mas é pessimamente estruturado;
  3. Estude na pós-graduação com o mesmo nível de disciplina e seriedade de quem trabalha em uma empresa. Não é preciso se matar de estudar. Você precisa apenas usar bem o seu tempo. E não se sinta culpado se render menos do que o colega ao lado, desde que você trabalhe bem;
  4. Não descuide da vida pessoal, alimentação, descanso, lazer, atividades físicas e práticas espirituais;
  5. Se começar a se sentir triste ou angustiado por períodos longos demais, converse com o seu orientador ou coordenador, divida a carga emocional com os seus melhores amigos e procure ajuda médica (por exemplo, junto ao HU/USP).

Via de regra, quem desenvolve transtornos de depressão ou ansiedade deve se afastar temporariamente das atividades acadêmicas, pelo tempo que o médico determinar. O treinamento de cientista envolve muita pressão e isso não contribui em nada para a cura. É possível, sim, ter sucesso na Academia mesmo tendo um transtorno psicológico, mas só quando a pessoa busca ajuda profissional.

Sabia que, caso você se sinta sobrecarregado na Academia, você não está sozinho! Assim como em outras carreiras de alta performance, há diferentes estratégias para ter combinar uma carreira produtiva com uma vida equilibrada e saudável.

Cuide-se!

Sugestões de leitura

mental-health
Fonte da imagem.
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17 respostas para “Saúde mental na Academia”

  1. Acredito que o aumento de registro de casos também pode estar relacionado ao crescimento do número de pessoas encorajadas a falar. Esse problema pode ter sempre existido, mas o aumento pode estar na quantidade de relatos. Tenho percebido um aumento na discussão sobre este tema no meio acadêmico, que penso ainda ser tabu, o que ajuda na aumento da conscientização dos alunos.

    1. Sim, pode ser isso também. Por isso é importante os psiquiatras e psicólogos desenvolverem pesquisas sobre o tema. Precisamos responder da melhor forma esse monte de perguntas que tem surgido.

  2. Olá, Grande Marco! Excelente vídeo e dicas. Olha, não sei se o número vem aumentando. Às vezes parece que aumentou pelo fato de ter aumentado o número de aspiras na pós. Eu tenho a impressão de que é a discussão sobre o tema vem aumentando e deixando o status de tabu. Não sei se é verdade, mas me parece na época em que os nossos avôs (e até mesmo os pais) acadêmicos sofriam com essa pressão da pós, eles recebiam uma resposta meio padrão do tipo “ces’t la vie”. Acredito que em algum momento esses outrora pós-graduandos e que agora são orientadores abriram espaço e também começaram a debater as pressões e angústias da pós. Ainda sim acho que é muito necessário que essa discussão seja ativa nos ppgs. Uma das coisas mais importantes para melhorar é ressaltar que o cientista está em formação e que na pós é a hora de errar e aprender com isso. Parece besteira, mas existe uma cobrança (tanto pessoal quando dos grupos) de que sejamos sempre excelentes e isso pode destruir o espírito. Uma perguntinha: será que você pode expandir a discussão para a discussão sobre síndrome do impostor? Esse é outro tópico importante de ser discutido.
    Grande abraço!!!!

    1. Oi Nelson! Bom te ver por aqui. Sim, no nível de cada aluno individual, acima de tudo é importante ouvirmos as reclamações e encaminharmos para atendimento profissional. No nível populacional, concordo contigo: o primeiro passo seria coletar dados e testar se o esse aumento no número de casos seria maior ou menor do que o esperado com base no aumento no número de aspiras. Pode discutir também a síndrome de impostor aqui, se quiser. Fique à vontade!

  3. Excelente post Marco. É possível observar um aumento nos casos de adoecimento mental também na graduação, em jovens no geral. Isso é muito triste e é preciso pensar nos fatores que estão contribuindo para isso dentro das instituições e como elas poderiam oferecer suporte. É muito importante discutir esse assunto.

    1. Obrigado, Victor. Como de costume, devem ser um fenômeno multicausal. O que chama a atenção de muita gente é o rápido crescimento no número de casos nos últimos anos. Dentre os vários fatores causais, um ou mais devem ter sido alterados. Tomara que o pessoal que está estudando isso chegue a alguma conclusão forte.

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