Saúde mental dos pós-graduandos

Muitos mestrandos e doutorandos acabam desenvolvendo transtornos psicológicos na pós-graduação. Para piorar, parece que o número de casos vem aumentando rapidamente nos últimos anos.

Assistam este excelente vídeo produzido pela TV UFMG sobre o tema:

Além disso, leiam também este artigo recente, um dos melhores sobre o tema: http://doi.org/10.1016/j.respol.2017.02.008

Não sou um profissional da saúde, mas lido com essa questão no dia a dia, trabalhando como professor, orientador e coordenador. Já testemunhei casos muito tristes, que poderiam ter sido evitados facilmente. Assim, as minhas recomendações para você, aspira, são:

  1. Pense duas vezes antes de ingressar em uma pós-graduação. A dura verdade é que essa carreira altamente competitiva, que exige grande esforço e não oferece garantia alguma, não é para todo mundo;
  2. Fuja de orientadores picaretas e programas fracos. A comodidade pode custar mais caro do que você imagina;
  3. Estude na pós-graduação com o mesmo nível de disciplina e seriedade de quem trabalha em uma empresa. Não é preciso se matar de estudar; você precisa apenas saber usar bem o seu tempo;
  4. Não descuide da vida pessoal, da alimentação, do descanso, do lazer e das atividades físicas;
  5. Se começar a se sentir triste ou angustiado por períodos longos demais, converse com o seu orientador ou coordenador, divida a carga emocional com os seus melhores amigos e procure ajuda médica. Via de regra, quem desenvolve transtornos de depressão ou ansiedade deve se afastar temporariamente das atividades acadêmicas, pelo tempo que o médico determinar. O treinamento de cientista envolve muita pressão e isso não contribui em nada para a cura.

Cuide-se!

mental-health
Fonte da imagem.
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5 Replies to “Saúde mental dos pós-graduandos”

  1. Olá, Grande Marco! Excelente vídeo e dicas. Olha, não sei se o número vem aumentando. Às vezes parece que aumentou pelo fato de ter aumentado o número de aspiras na pós. Eu tenho a impressão de que é a discussão sobre o tema vem aumentando e deixando o status de tabu. Não sei se é verdade, mas me parece na época em que os nossos avôs (e até mesmo os pais) acadêmicos sofriam com essa pressão da pós, eles recebiam uma resposta meio padrão do tipo “ces’t la vie”. Acredito que em algum momento esses outrora pós-graduandos e que agora são orientadores abriram espaço e também começaram a debater as pressões e angústias da pós. Ainda sim acho que é muito necessário que essa discussão seja ativa nos ppgs. Uma das coisas mais importantes para melhorar é ressaltar que o cientista está em formação e que na pós é a hora de errar e aprender com isso. Parece besteira, mas existe uma cobrança (tanto pessoal quando dos grupos) de que sejamos sempre excelentes e isso pode destruir o espírito. Uma perguntinha: será que você pode expandir a discussão para a discussão sobre síndrome do impostor? Esse é outro tópico importante de ser discutido.
    Grande abraço!!!!

    1. Oi Nelson! Bom te ver por aqui. Sim, no nível de cada aluno individual, acima de tudo é importante ouvirmos as reclamações e encaminharmos para atendimento profissional. No nível populacional, concordo contigo: o primeiro passo seria coletar dados e testar se o esse aumento no número de casos seria maior ou menor do que o esperado com base no aumento no número de aspiras. Pode discutir também a síndrome de impostor aqui, se quiser. Fique à vontade!

  2. Excelente post Marco. É possível observar um aumento nos casos de adoecimento mental também na graduação, em jovens no geral. Isso é muito triste e é preciso pensar nos fatores que estão contribuindo para isso dentro das instituições e como elas poderiam oferecer suporte. É muito importante discutir esse assunto.

    1. Obrigado, Victor. Como de costume, devem ser um fenômeno multicausal. O que chama a atenção de muita gente é o rápido crescimento no número de casos nos últimos anos. Dentre os vários fatores causais, um ou mais devem ter sido alterados. Tomara que o pessoal que está estudando isso chegue a alguma conclusão forte.

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